<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162</id><updated>2011-11-27T16:17:46.764-08:00</updated><category term='vida - artaud - foucault - progresso - miséria'/><category term='protec serrra privatização Escolas Técnicas Lula Dilma'/><title type='text'>LEOTTI</title><subtitle type='html'>“OH, SE EU NÃO FIZESSE NADA UNICAMENTE POR PREGUIÇA! MEU DEUS, COMO EU ME RESPEITARIA ENTÃO! RESPEITAR-ME-IA JUSTAMENTE PORQUE TERIA A CAPACIDADE DE POSSUIR EM MIM AO MENOS A PREGUIÇA; HAVERIA, PELO MENOS, UMA PROPRIEDADE COMO QUE POSITIVA, E DA QUAL EU ESTARIA CERTO. PERGUNTA: QUEM É? RESPOSTA: UM PREGUIÇOSO. SERIA MUITO AGRADÁVEL OUVIR ISTO A MEU RESPEITO (...)” FIÓDOR DOSTOIÉVSKI.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-922411889419164722</id><published>2010-11-13T05:32:00.003-08:00</published><updated>2010-11-13T05:32:11.459-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida - artaud - foucault - progresso - miséria'/><title type='text'>FALTA-NOS TANTO A VIDA, QUANDO SE FALA TANTO EM PROGRESSO</title><content type='html'>FALTA-NOS TANTO A VIDA, QUANDO SE FALA TANTO EM PROGRESSO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título desse texto é uma paráfrase do início da introdução de Teatro e seus duplos, da autoria de Antonin Artaud. Na década de 30, do século XX, ele dizia que falta-nos tanto a vida quando se fala tanto em civilização. Hoje, poderíamos dizer que ela nos foge e se confunde com um novo formato do conceito de progresso, esse mesmo progresso que seria o caminho a ser construído para salvar todas as culturas classificadas, numa construção positivista, como atrasadas, e da necessidade de dar-lhes vida, que somente seria possível através de sua evolução ao patamar das tão sonhadas nações civilizadas. &lt;br /&gt; Vida: concepção arrancada do nada para se alojar nas palavras e instaurarmos-nos na sensação de nossas subjetividades. Para construir nossa flutuação e possibilitarmos nossa barcaça sobre esse oceano das coisas inatingíveis. Cada qual, cada grupo, casa, sociedade se junta e se entendem e desentendem, se impõem regras, excluem e incluem no afã de se entender fazendo a vida florescer. Se subjetivar nas raias de nossos sentimentos ou ter que aplacar a dor de sermos obrigados a navegar nas formações que nos roubam o espaço dos desejos, ao senti-los mapeados pelo conjunto de regras de uma guerra tornada política e seus poderes tornados fortes e positivados pela positivação de uma vontade de verdade formatadora e instaurada em sua função de episteme. Daí tornarem-se ementas e determinar grades para as formas desejantes, eis o passo do que vemos com tanta inocência e sonambulismo. De resto, ficam os desarranjos produzidos e nossa angústia para deles nos desvencilhar ao termos que enfrentar os dragões que vigiam as portas do nosso encontro com nós mesmos, esse lugar em que fazemos estrangeiros. &lt;br /&gt; O que nos faz separar vida de cultura? Porque aprendemos que existe sociedade de um lado e cultura dela separada, ou sendo vista como seu subproduto? De que forma essa maneira de sentir as coisas nos comanda. O que pode fazer coincidir cultura e vida. O conhecimento foi feito para que seja cultuados e a imposto como conteúdo através dos dispositivos educacionais tais como acontece em nossa realidade educacional? Ou o conhecimento deve ser algo com o qual nos arregimentamos para poder cultivar a vida, tal como as saberes de um agricultor no seu trato na produção de uma cultura agrícola visando o cultivo da planta para com ela cultivar o corpo dos seus convivas: da sua família, da sua comunidade, do seu município, do seu estado ou país? Então por que sentimo-nos na arrogância de um saber erudito e ao invés de ajudar os aprendizes a formar uma leitura que o localize para constituir-se como livre espírito do caminhar, o impomos um conhecimento que determina a verdade prescritiva do seu passado, do seu presente e lhe ensina para onde vai, engessando qualquer possibilidade da criação do novo? Paramos um segundinho para olhar para traz e observar algo estarrecido, de que estamos construindo uma forma de saber que se parece muito com um pensamento que tem fome de chão e que vive numa artificialidade por achar que o mundo deve se igualar a esse conhecimento para ter sentido?&lt;br /&gt; Se viver é o que precisamos, então o que é viver para cada um de nós? O que é a vida hoje? Devemos continuar a defender ou mesmo nos inventar a partir de uma forma de conhecimento que não atende aos clamores de milhões de seres que não tem o que comer ao menos? Devemos ficar horas e horas tagarelando em defesa de uma forma de saber que faz com que milhares de pessoas chorem e se desvanecem em bandos cada vez maior e mais intenso de solidão, depressões mesmo tendo o que comer? A existência da cultura que tantas vezes defendemos já salvou alguém de ter fome? &lt;br /&gt;O que seria mais urgente hoje? Continuar a obedecer a essa forma cultural que nunca salvou nossas vidas, de tantos dissabores? Que nunca teve complacência com os atos de cada um, que ao confiar a essa forma cultural despejara todas as economias culturais, ou seja, jogou tantas singularidades culturais, na certeza oferecida e as destruíram moralmente, politicamente e economicamente? Uma forma que proporcionou e ainda proporciona lágrimas às suas crianças por ter confiado na maneira de agir a um ensinamento cultural que ao invés disto roubou-lhes e aos seus suas possibilidades de uma vida efetiva? &lt;br /&gt; O que precisamos então fazer? Não seria extair, conforme nos provoca Artaud, algo realmente nos efetive, nos plante nesta dádiva que nos é colocada à disposição que é a vida em toda sua extensão biológica com seu mar de mistério inesgotável para nos alimentar de espírito e corpo? Sim, afirma Artaud: “seria extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome”. Que seriam estas idéias com qu precisamos funcionar? Que idéias seriam estas, senhor leitor? Não seria a idéia de que o viver é uma possibilidade que para se dar torna-se imprescindível estarmos vivos em todas nossas concepções vitais biológicas e espirituais, ou melhor, os dois se misturando num emaranhado sensual? Para tanto não precisaríamos acreditar, ou melhor, dar créditos à possibilidade de nos instaurarmos em vida, nos colocarmos em seus fluxos constantes. Para Hölderlin, um pensador do início do século XIX, a vida se dá por fluxos e não por miséria. Devemos ver esses fluxos como vida ou como erros profanos que devem ser esterilizados por um pensamento puro e sistematizador que depure os seus elementos os distinguindo de uma teia mundana que a ciência veria como desordenada. Para Artaud: “Acima de tudo precisamos viver e acreditar,no que nos faz viver – e aquilo que sai do interior misteriosos de nós mesmos não deve perpetuamente voltar sobre nós mesmos numa preocupação grosseiramente digestiva”. &lt;br /&gt; Nietzsche ao questionar o mau uso da cultura do pensar nos adverte sobre o desconhecimento de nós mesmos. Isto não seria um alerta para o quanto nos submetemos a um sonambulismo, fundamentados de uma abstração que ao instituir-se se apodera de nosso corpo e o mata, o trucida, o deixa escravo, tornando seu usuário um espírito pobre,inóspito, árido, solitário, presa de um estrangeirismo de si mesmo? &lt;br /&gt; Ao nos abarrotarmos com um pensamento totalizador, enciclopédico, acumulador estamos sendo produzidos em uma forma de um sujeito feito de um exercício de poder que nos faz formigas carregadoras de bens, de frutos, de néctares não para saciar nossa fome do presente mas para acumular depositar de alimentos para o dia em que tivermos iluminações suficientes para podermos utilizá-las como uma sabedoria dos fins últimos, dos tempos finais ou mesmo em um outro mundo.   Pior ainda é nos entendermos como membros de uma Humanidade e que esses fardos cotidianos serão utilizados por outra geração que nasceria num estágio paradisíaco, quando essa Humanidade for constituída em uma história transcendental. Fazer com que nos orgulhemos de ser inventados como sujeito dessa história abstrata e fazer-nos orgulharmos-nos dessa tarefa histórica e ver tanto dinheiro público gasto em defesa desse sonambulismo.    Pior ainda é quando somos convencidos de transformar a única forma viva que é nossa atualização presente em um fardo onde trabalhamos até a exaustão e nos sentimos orgulhosos disso. O pior e mais escandaloso é saber que o presente já chegou em alguns recantos para uma minoria que usufrui de nossas energias canalizadas em iates e hotéis de luxo como Búzios, Punta del Leste, Angra dos Reis, etc. saber que todo nosso fardo é para alimentar uma minoria, que tenta ao custo dessa ignomínia, se satisfazer para superar sua própria pauperidade espiritual, essa pobreza que somente sabe adquirir dinheiro. Assim tanto a maioria faminta literalmente e a minoria faminta espiritualmente que vive com a alma magra e o bucho lotado, estão na mesma barca perversa dos famintos de vida. Mesmo assim a maioria fabrica manifestações em seu cotidiano cultural e que é industrializado pela minoria faminta da alma, para encher ainda mais suas entranhas insaciáveis e famintas pela aridez artística com que são formadas. &lt;br /&gt; ‘&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-922411889419164722?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/922411889419164722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=922411889419164722' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/922411889419164722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/922411889419164722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/11/falta-nos-tanto-vida-quando-se-fala.html' title='FALTA-NOS TANTO A VIDA, QUANDO SE FALA TANTO EM PROGRESSO'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6081853702666133706</id><published>2010-11-13T05:27:00.001-08:00</published><updated>2010-11-13T05:27:32.856-08:00</updated><title type='text'>A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS</title><content type='html'>A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página: por isso a palavra escrita é muito triste. Mario Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidemos de tudo que decida nossa vida. Nossa vida? Não a temos pronta. A temos sempre sendo, sempre sendo e sempre tecida no dia a dia. Esse fazer constante da vida pelas palavras, através das palavras tornadas signos encadeados. Feita de palavras, mas antes de tudo dentro de um espaço político. Político entendido como um campo de guerra de todos contra todos. É nessa interface entre as palavras e as coisas que se dá o teatro político. Entendendo nesse caso política como continuidade da guerra por outros meios em uma terra conquista e usurpada pela força. A vida como “lugar da improvisação e da rigorosidade matemática, como no teatro. As coisas estão por aí, devemos buscá-las procurando, uma linguagem através dos signos, de gestos e objetos, com a ‘importância dos sonhos’”. A reunião que cada qual faz da palavra obedece a leis, diria a regras de sua aparição. Leis e regras são coisas dos homens e o mundo nasce das semelhanças das palavras: as palavras semeiam semelhando a vida. Sêmens seminam e a magia das palavras tecidas no cotidiano enredam possibilidades entrelaçada de palavras poetizadas e ditas no fazer inseminado de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença surge das analogias que tomam assento em novas territorialidades violentando-as e tornando-as contaminada de novas formas de ocupação do seu espaço. Esse espaço das palavras sofre com essas capitulações, novas analogias de sua formação e é dentro dele que os corpos se movem e é aí que as relações que emanam de cada imanência se cruzam, se resvalam, se contaminam e formam novas territorialidades diferidas no espaço e no tempo. Novas palavras, novas violações da natureza das coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acrescentaria que para nós as formas das escritas Astecas, Incas, da infinitude dos mistérios das múltiplas culturas das sociedades aqui existentes antes do ato de violação chamada de conquista, contaminação irreversível do ser das coisas. Estas formas de vida forram submetidas pela guerra de conquista e depois essa guerra tomou forma em guerra dos sentidos. Tudo se tornou um emaranhado de sentidos, mas predominou como saber dominador, o do invasor em sua tentativa de supressão do espaço das multiplicidades, tanto das culturas quanto de sua transmigração para o interior de cada um. O que podemos dizer que primeiro foi a guerra depois a política como sua continuidade.  &lt;br /&gt;Não podemos generalizar a vitória de um lado, pois as contaminações se dão de todos os lados no embate dos sentidos e de suas apropriações infinitas no tempo e no espaço. Foram contaminados pelos europeus, mas estes se contaminaram com os saberes e podemos dizer inclusive fizeram uso dessas culturas em situações complicadas que trazem e trarão grandes problemas, tais como o uso de drogas adquiridas com essas culturas. Portanto  antes de a eles se “submeterem” os submeterem a novas analogias misturadas e disfarçadas pelas simulações, porém mesmo não sendo intencional, podemos dizer que o próprio ato de apropriação se dá com cada forma do estabelecimento das leituras e das condições de sua produção e não unicamente como quer um tipo de historiografia. É nesse palco improvisado e rigoroso em suas formas análogas das palavras e dos símbolos que nos sentimos sendo, nesta terra mundializada em tantos mundos e em suas digladiações simbólicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Pesa nervos", “a vida é queimar perguntas”, o que deve reportar a Pedro Abelardo, [30 nota] dando um passo além de Descartes: a dúvida não deve ser apenas metódica até alcançar a evidência, mas a atividade mental deve ser levada a um tal ponto de interrogar-se que chegue à "destruição da evidência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se observar nisto tudo a palavra dançando na linguagem, tirando dela toda a sua solidez e fragilidade simultâneamente. Se alquebra à menor insinuação criada e se fortalece perante torrentes ifernais: eis aí a linguagem do ser. Um Instaurar-se no espaço do sensível regrado pela força que media a criação. No solo inseguro da linguagem que desmonta, destitui e faz do ser uma eterna guerra e vigília do entendimento do mundo. Mundo feito para ser feitura constante onde quem quer que seja, será seu protagonista da feitura. E isso não para de ser assim. Se não fazemos o uso das palavras de forma salutar elas nos vem como coisificações de forma perversa e destruidora. As palavras servem, ao mesmo tempo, para fazer vivificar a vida e quando fora do controle da poética da maioria, volta contra nós e o faz para enunciar a morte. Vivemos nessa vertigem constante. Não podemos entregar a trama da escrira que funde nosso ser aos cuidados dos que nos querem destruir subordinando-nos a uma subvida ou nos destruindo quando nada podemos lhe oferecer. O estanhar do mundo é uma constância na luta em torno dos sentidos. O que nos oferecem como forma pronta pode ser nossa destruição naquilo que nos caracteriza como ser pensante. Portanto a evidência deve ser usada e descartada ou nem mesmo usada, porém o importante é que não aceitemos nada como evidência definitiva, e devemos sim perseguir a resposta e massacrá-la com novas perguntas. Os sentidos são como uma teia de aranha: é frágil a ponto de se desmanchar a um leve toque de dedo, porém tem a consistência e a solidez das rochas ao enfrentar a mais forte tempestade. Ao encontrarmos uma teia em um ramo de árvore e a tocarmos se desmancha facilmente, porém se quebrarmos essa galha e a jogarmos a um mar enfurecido, a teia flutuará e se condicionará no relevo de suas ondas e sairá intacta. Essa metáfora da teia, nos presenteada por Nietzsche, serve para entendermos que a vida é feita de signos, de sentidos produzidos na linguagem, e, portanto tem a fragilidade de se desmanchar a um pequeno toque e a consistência de suportar as mais terríveis avalanches. A vida é produto de nossa eterna vigília e tessituras infinitas. É isso a vida: o nada e o ser-no-mundo, sendo feito e refeito onde somos artistas de nós mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6081853702666133706?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6081853702666133706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6081853702666133706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6081853702666133706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6081853702666133706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/11/fragilidade-e-consistencia-das-palavras.html' title='A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6867727896694181094</id><published>2010-10-11T13:53:00.000-07:00</published><updated>2010-10-11T13:53:04.089-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='protec serrra privatização Escolas Técnicas Lula Dilma'/><title type='text'>Protec é igual privatização das escolar técnicas que lula fez</title><content type='html'>Pensando bem a proposta do Serra de fundar o PROTEC leva como proposta real a privatização das Escolas Técnicas que foram construídas no Governo LULA/DIMA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6867727896694181094?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6867727896694181094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6867727896694181094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6867727896694181094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6867727896694181094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/10/protec-e-igual-privatizacao-das-escolar.html' title='Protec é igual privatização das escolar técnicas que lula fez'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6115752551448387887</id><published>2010-06-15T04:22:00.000-07:00</published><updated>2010-06-15T04:22:09.331-07:00</updated><title type='text'>DIÁLOGO ENTRE UM VIAJANTE E SUA SOMBRA</title><content type='html'>Para tentarmos um diagnóstico sobre o passado primeiramente temos que nos haver com procedimentos e as formas tais como tornou verdades nossa leitura sobre o passado. Para irmos direto ao assunto, o século XIX, foi um tempo onde a espacialidade do “interior” do país sofreu tentativas de reterritorializações. Devemos ligar para o entendimento da empresa de povoamento da, assim chamada frente oeste da fronteira do Brasil, às práticas discursivas que produziam subjetividades: a partir do início do século XIX, principalmente. Porém, se nos acurarmos aos estudos sobre a emergência de formas de saber na Europa desde a época clássica e do deslocamento das formas de análise que essas práticas realizaram com relação ao século XVI, entenderíamos que o problema maior reside muito mais nas formas de produção do passado do que no próprio passado. Poderíamos recuar um pouco mais no tempo e ver que as análises que ora prevalecem na leitura do passado, tem seus fundamentos em um saber produzido a partir de um sistema de pensamento do século XVII e não consegue sair dele com suas próprias ferramentas. Independente as diferenças aparentes das constituições sobre o passado, podemos até confundir a diferença entre espaço e tempo, pois o interior se confundia com o tempo primitivo, atrasado. Ao invés de ver diferenças os olhares viam formas do passado, ao qual, estava configurada sua forma de leitura do espaço. Portanto, alicerçado em uma busca da essência original, da matéria primordial do ser, o olhar sempre termina pairando na busca de uma origem que explicasse a identidade. No caso de Mato Grosso, essa busca de origem para a instituição de uma identidade nacional se afirmou com maior força no final do século XIX, com o advento da movimentação alimentada pelo republicanismo. Esse republicanismo não pode ser visto como tendo um sentido em si e sim como uma formação discursiva que carregava para além das bordas dos ditos e dos escritos as marcas de uma discursividade que lhe dava a conformação. Por outro lado o seu aspecto empírico é cenário da presença de corpos em suas tentativas de conciliar leis e natureza. Nesse espaço do visível e do inexplicável abria fendas para a criação que tomou formas singulares ao seu espaço e tempo. &lt;br /&gt; O final de século XVII foi palco de uma ruptura produzida, onde a representação se desdobrou por sobre si mesma e criou uma consistência mais forte ainda no início do século XVIII se consolidando no início do século XIX, com o surgimento das ciências do homem. Para podermos entender com mais familiaridade o que se quer quando afirmamos sobre as produções que configuraram a imagem do homem, na forma tal qual o vemos emergir nos escritos historiográficos até nossos dias, é preciso rever nossa leitura a partir do período clássico europeu. O alongamento da argumentação desse tema, demanda tempo e espaço que escapa às necessidades que ora nos apresenta em nosso projeto. Porém ela será mais bem estendida quando da complementação dos estudos que retratam a instituição da forma de saber clássica que instituiu uma forma sistemática do ser inventando um homem com linguagem, vida e trabalho sistematizada no momento cartesiano e com uma missão de ser o sujeito da sua emancipação e do mundo tal qual aparece nos textos kantianos. Para falarmos em história, devemos entender a invenção desse Homem, com as questões não discursivas que foi a implementação do Estado Nacional e o projeto administrativo implantado por uma burguesia que despontava e que usurpou o poder da cultura guerreira e de sua forma de poder. Pra tanto é importante o cruzamento do estudo das formas de construção do passado com a tentativa da construção da figura do Estado e de sua fase republicana no Brasil. O que pretendemos é mostrar que paralelo a um espaço da escrita que inventava um passado, esse se dava como busca de uma origem nacional, voltada para a figura não mais de um olhar da Europa para o Brasil mas voltado para seu interior: inventar a partir daí uma origem da fusão das raças e com elas dos tempos: um tempo primitivo que se instituiu como espaço “atrasado” e uma cultura intelectual que se atribui a si mesmo o papel de reorganizar os nexos históricos e toda uma rede institucional de coerção a tentar implantar uma legitimidade do presente sobre as múltiplas ações dos homens.  &lt;br /&gt; Tomando o cuidado de não distanciar do problema que estamos enfrentando, gostaria de contabilizar o que já dissemos nesses parágrafos anteriores. No primeiro parágrafo, discorri de um problema que me levou à dificuldade de entender as explicações intrincadas da formação do quadro no século XVII. Sem entender bem foi ele que me veio ao pensamento quando quis escrever sobre o que o que estamos nos embatendo no momento de falarmos do passado, e no nosso caso específico, com o passado recente de Mato Grosso, está falando do “problema” quanto a forma de construir o “problema”. Não estaríamos falando que tal problema reside não no que o quadro invisível nos oferece, ou seja, a forma invisível onde estariam retratado os protagonistas de um tempo, colocado nesse quadro pelas mãos hábeis que deram volume a essa realidade. Esse seria a primeira camada, ou o primeiro ato da produção. Porém o quadro aparente parece mostrar – pelo menos à leitura que ora consigo fazer - um quadro onde o pintor retrata e é retratado pelo próprio expectador. Ou seria como que uma criatura estaria naquela situação dando-se à seu desdobramento sob o olhar do seu criador.. Aliás, entra ainda mais o meu lugar de leitor e de tantos outros que se põem a interpretar o passado como uma obra. Aí ainda reside uma nebulosa que não consegui me desvencilhar. Porem seguindo meio incerto à frente da obra, pela fuga dessa dificuldade de leitura, pude notar que essa representação como lugar do conhecimento sofre tal deslocamento no século XVII e sem sua discussão torna-se inócuo levarmos a efeito a discussão dos problemas que no presente nos afetam. Poderíamos também seguindo a linha do espelho, falar em sua proliferação de imagem que se multiplicam sem fim, mas, porém sem haver a possibilidade do novo. O que fica é somente repetição, impedindo os pontos de fuga. Gostaria de volta a isso após mais leituras de outros lugares.&lt;br /&gt; A forma pela qual tento entender-me e fazer meu leitor, (aqui me incluo nesse “meu leitor”) entender, ou seja: a necessidade desse deslocamento nos procedimentos de pesquisa foi para entender que devemos estranhar as formas historiográficas que produziram essas proliferações sobre o passado. Com isso queremos problematizar as formas problematizadoras que as instituíram e deram ao nosso viver essa sintaxe, ou melhor, esse quadro tido como realidade. &lt;br /&gt; Quando nos deparamos com discursos que nos parecem dispersos e sem haver um com o outro, fico preocupado se não seria nossa forma de leitura que estaria nos levando a ver tudo isso como dispersão. O sentido de dispersão e dissonância não é aí uma forma de poder que se faz funcionar quando nos damos a ver a partir do entendimento que as formas emergenciais são estanques umas às outras? Acho que a minha dor tem certo parentesco com a dor dos personagens e os lugares que foram reservados a eles, ou na extensão da proliferação espelhar, de todos nós. Como resultante disso temos que nos relacionar nesses espaços territorializados do saber historiográficos ou antropológicos encaixotados, fragmentados que nos deixam pouca margem para a criação. É comum ouvirmos certas afirmações com a que segue. Os índios devem ser objeto de estudo dos antropólogos. A sexualidade dever ser objeto de estudo dos estudiosos de gênero. Será que isso não seria a armadilha que às vezes caímos. Será que nossa incapacidade de sairmos do lugar de nossa subjetivação nos impede de superarmos essas familiaridades perversas. O que tem a ver a política indigenista com a história da sexualidade, o instituto histórico e geográfico e a vinda dos salesianos a Mato Grosso? Eis aí a grande tarefa: mostrar a inocência dos fatos, suas pretensas dispersões não seriam já em si frutos de uma artimanha do exercício do poder? Ou melhor, do exercício que deixe de ser uma verbalização e passa a ser apoderado em sua forma de ser, in síntese: um poder substancializado e que não se desfez para se renovar. As leis são pulsões que nos tiram do terror do nada e ajuda a constituir o nomos numa conjunção divinizada com a phisis. Não seria uma forma de abrigar as variações que obstam a possibilidade do contínuo, dos nexos das coisas, ou melhor, ainda, não seria a tentativa de harmonizar tudo que causa turbulência à formação dos nexos de uma história que se quer finalista e corretora das diversidades. Os pontos de fuga não seriam ao contrário as extensões multiplicadoras que fogem ao olhar normalizado e lhe causaria vertigem?&lt;br /&gt; Quando nos remetemos a esses dois lugares da leitura – a nomeação e as coisas o fazemos para a necessidade de divinizar a vida como obra de arte e tudo se dá num emaranhado. Esse emaranhado é um espaço de agenciamentos de poderes imanentes ao ser e ele contém nosso aprendizado e nossa sexualidade: enfim o espaço da instituição do Estado Nacional na conceituada como Fronteira Oeste, teve como protagonistas múltiplas formas de ser e com ela se colocava em jogo exercícios de poder: exercícios religadores de leis e corpos. &lt;br /&gt;O que queremos com isso? Não seria desvendar essa fronteira em que é colocada a identidade intelectual? Quando falamos de espaços imanentes o entendemos como de agenciamentos de desejos e com eles de um saber de sua efetivação divinizada como obra de arte. Portanto não estaria falando das palavras e nem das coisas e sim de uma fusão de ambas por um jogo de poder. De que estaria então falando então? Não seria das práticas discursivas instituídas que deram autoridade de fala a um poder configurado na imagem do Estado Nacional e com isso a toda uma reviravolta na forma de pensar do mundo? Se ligarmos a um fato de discurso em que o pensamento do século XVI, onde o ser das coisas se desloca do emaranhado do mundo, da semântica que era carregada de mistérios onde os signos tinham um valor absoluto em si, as coisas já estavam carregadas de significados que os assemelhavam. Se adentrarmos ao século XVII na Europa poderemos visualizar  que o saber a partir daí, deserta desse emaranhado do mundo. Se antes o livro estava a serviço do desvendamento dos mistérios do mundo, na fase clássica o mundo é que deve se adaptar ao livro. O que era semelhança passa ser entendido como diferença, torna-se dado a ser coletado e tirado desse fervilhar rizomático para ser anexado a uma história universal da contingência.  E só passa a irradiar sentido quando submetida a um sistema de pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6115752551448387887?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6115752551448387887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6115752551448387887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6115752551448387887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6115752551448387887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/06/dialogo-entre-um-viajante-e-sua-sombra.html' title='DIÁLOGO ENTRE UM VIAJANTE E SUA SOMBRA'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-3609453182405885355</id><published>2010-06-12T05:55:00.000-07:00</published><updated>2010-06-12T05:59:57.472-07:00</updated><title type='text'>E DAÍ?</title><content type='html'>Nem sempre o nosso caminho é rico quando não é atropelado pelo acaso. Há e quase sempre acasos que na realidade salvam o cotidiano de sua continuidade obsessiva e nos faz aflorar na beleza do instante, átomos dessa vida que tentamos compreender bastante ao ponto de perdê-la. Nem sempre uma esterilidade tornada verdade faz da gente pessoas felizes. Às vezes e ainda bem que há sempre às vezes os ainda que nos faz esperar e ouvir o que parecia inaudível. Aí então como se parecesse a um louco nos pomos a olhar para coisas parecidas com as consideradas coisas inconseqüentes. De repente aquilo que seria uma perda de nosso precioso tempo parar para olhar, para pensar para nos por em ato a nós mesmos acontece... eis que acontece. Nos arrepiamos e pensamos duas, três vezes na coragem de se jogar e eis que ficamos na encruzilhada entre a vida contínua e a continuidade do instante que nos acena com ar de safado querendo nos roubar , bater nossa carteira da vida que não nos deixa viver coisas inúteis e fascinantes. Daí ficamos tristes com nós mesmos ou nos jogamos ao lixo desse si tão estéril que nos faz um viver esplendorosamente um dia após outro carregado de elogios mas totalmente causticante. Caustica e nos instiga e nos empurra drenando nossa potência e canaliza nossa vontade a encana e a coloca nos drenos abastecedores da grande usina dos curtidores de Búzios. Búzios, buscamos para nos explicar a tristeza e o descaminhar nesse lugar que nos parecia tão fértil e eis que o que parecia fútil nos rouba o  olhar desavisado por um instante. Uma brecha se abre, uma fissura rompe a dureza da rocha e nos mostra a fresta de sol que parecia nunca mais nos aquecer de forma imprevista, nos aceita para uma preguiça e nos faz não mais ligar que nos chamem de vagabundo, do absorto, de perdido na lua. Na rua em qualquer lugar em qualquer momento nos pegamos soltos e sendo roubados de nós mesmos. Nós mesmos? Ou somos soltos dos nós que nos fez tornar o mesmo de tantas formas do mesmo que nos faz pensar livres? E daí o que fazer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-3609453182405885355?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://lucianoguima.blogspot.com' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/3609453182405885355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=3609453182405885355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/3609453182405885355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/3609453182405885355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/06/e-dai.html' title='E DAÍ?'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4726773175468729631</id><published>2010-06-04T12:12:00.001-07:00</published><updated>2010-06-04T12:12:54.763-07:00</updated><title type='text'>A bomba explodiu no colo do Serra</title><content type='html'>REPORTAGEM RETIRADO DO BLOG CONVERSA AFIADA&lt;br /&gt;Livro desnuda a relação de Serra com Dantas. &lt;br /&gt;É por isso que Serra se aloprou&lt;br /&gt;Publicado em 04/06/2010 &lt;br /&gt;• Compartilhe           &lt;br /&gt;• |  Imprima | &lt;br /&gt;• Vote &lt;br /&gt;  (+13)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A bomba explodiu no colo do Serra&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante mineiro o texto que serve de introdução ao livro “Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr., que será lançado logo depois da Copa, em capítulos, na internet.&lt;br /&gt;Vai desembarcar na eleição.&lt;br /&gt;É um trabalho de dez anos de Amaury Ribeiro Jr, que começou quando ele era do Globo e se aprofundou com uma reportagem na IstoÉ sobre a CPI do Banestado.&lt;br /&gt;Não são documentos obtidos com espionagem – como quer fazer crer o PiG (*), na feroz defesa de Serra.&lt;br /&gt;É o resultado de um trabalho minucioso, em cima de documentos oficiais e de fé pública.&lt;br /&gt;Um dos documentos  Amaury Ribeiro obteve depois de a Justiça lhe conceder “exceção da verdade”, num processo que Ricardo Sergio de Oliveira move contra ele. E perdeu.&lt;br /&gt;O processo onde se encontram muitos documentos foi emcaminhado à Justiça pelo notável tucano Antero Paes e Barros e pelo relator da CPI  do Banestado, o petista José Mentor.&lt;br /&gt;Amaury mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização.&lt;br /&gt;Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.&lt;br /&gt;As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amaury teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.&lt;br /&gt;Não foi a Dilma quem falou da empresa da filha do Serra com a irmã do Dantas. Foi o Conversa Afiada.&lt;br /&gt;Que dedica a essa assunto – Serra com Dantas – uma especial atenção.&lt;br /&gt;Leia a introdução ao livro que aloprou o Serra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os porões da privataria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.&lt;br /&gt;Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil … &lt;br /&gt;Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção. &lt;br /&gt;A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. &lt;br /&gt;(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)&lt;br /&gt;Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2). &lt;br /&gt;O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.&lt;br /&gt;A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão. &lt;br /&gt;O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde. &lt;br /&gt;O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.&lt;br /&gt;Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC. &lt;br /&gt;Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.&lt;br /&gt;Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.&lt;br /&gt;De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.&lt;br /&gt;Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.&lt;br /&gt;(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.&lt;br /&gt;(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4726773175468729631?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4726773175468729631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4726773175468729631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4726773175468729631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4726773175468729631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/06/bomba-explodiu-no-colo-do-serra.html' title='A bomba explodiu no colo do Serra'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-2214539330635532139</id><published>2010-05-16T05:25:00.003-07:00</published><updated>2010-05-16T05:25:34.594-07:00</updated><title type='text'>ARTAUD: TEATRO E CULTURA</title><content type='html'>TEATRO E CULTURA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonin Artaud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca, quando é a própria vida que nos foge, se falou tanto em civilização e cultura. E existe um estranho paralelismo entre esse esboroamento generalizado da vida que está na base da desmoralização atual e a preocupação com uma cultura que nunca coincidiu com a vida e que é feita para dirigir a vida. &lt;br /&gt;Ante de retornar à cultura, constato que o mundo tem fome e que não se preocupa com a cultura, e que apenas de um modo artificial é que se pretende dirigir para a cultura pensamentos que se voltam unicamente para a fome. &lt;br /&gt;Mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência nunca salvou uma pessoa de ter fome e da preocupação de viver melhor, quanto extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome.&lt;br /&gt;Acima de tudo precisamos viver e acreditar no que nos faz viver e que algo nos faz viver –  e aquilo que sai o interior misterioso de nós mesmos não deve perpetuamente voltar sobre nós mesmos numa preocupação grosseiramente digestiva.&lt;br /&gt;Quero dizer que se nos importamos todos com comer, e já, importa-nos ainda mais não desperdiçar apenas na preocupação imediata de comer nossa simples força de sentir fome.&lt;br /&gt;Se o signo da época é a confusão, vejo na base dessa confusão uma ruptura entre as coisas e as palavras, as idéias, os signos que são a reapresentação dessas coisas.  &lt;br /&gt;Não é que faltem sistemas de pensamento; a quantidade deles e suas contradições caracterizam nossa vida cultural européia e francesa: mas desde quando a vida, nossa vida, foi afetada por esses sistemas?&lt;br /&gt;Não diria que os sistemas filosóficos sejam coisas para se aplicar direta e imediatamente; das de duas, uma:&lt;br /&gt;Ou esses sistemas estão em nós e nos impregnamos deles a ponto de viver deles, e então que importam os livros? Ou não estamos impregnados por eles e nesse caso não merecem nos fazer viver; e, de todo modo, que importa se desaparecerem?&lt;br /&gt;É preciso insistir nessa idéia da cultura em ação e que se torna em nós uma espécie de novo órgão, uma espécie de segunda alma: e a civilização é a cultura que se aplica que  rege até mesmo nossas ações mais sutis, o espírito presente nas coisas; e é apenas de modo artificial que se separa a civilização da cultura e que há duas palavras para significar uma mesma e idêntica ação.&lt;br /&gt;Julga-se um civilizado pelo modo como se comporta e ele pensa do modo como se comporta; mas já quanto à palavra civilizado reina a confusão; para todo mundo, um civilizado culto é m homem bem informado sobre os sistemas e que pensa em sistemas, em formas, em signos, em representações. &lt;br /&gt;É um monstro no qual se desenvolveu até o absurdo essa faculdade que temos de extrair pensamentos de nossos atos ao invés de identificar nossos atos com nossos pensamentos. &lt;br /&gt;Se, falta enxofre à nossa vida, quer dizer, se lhe falta uma magia constante, é porque nos apraz contemplar nossos atos, e nos perdermos em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, ao invés de sermos impulsionados por eles.&lt;br /&gt; E esta é uma faculdade exclusivamente humana. Diria mesmo que é uma infecção do humano que nos estraga certas idéias que deveriam permanecer divinas, pois, longe de acreditar no sobrenatural, o divino inventado pelo homem, penso que foi a intervenção milenar do homem que acabou por nos corromper o divino.&lt;br /&gt; Todas nossas idéias sobre a vida têm de ser revistas numa época em que nada mais adere à vida. E esta penosa cisão é motivo para as coisas se vingarem, e a poesia não está mais entre nós e que quando não conseguimos encontrar mais nas coisas a vida, eis que ela reaparece, de repente, pelo lado mau das coisas; e nunca se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência em possuir a vida. &lt;br /&gt; Se o teatro existe para permitir que a recalcada viva, uma espécie de atroz poesia expressa-se através de atos estanhos onde as alterações do fato de viver mostram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor.&lt;br /&gt; Por mais que exijamos a magia, porém, no fundo temos medo de uma vida que se desenvolveria toda sob o signo da verdadeira magia.&lt;br /&gt; E assim nossa ausência enraizada de cultura espanta-se diante de certas grandiosas anomalias e é assim que, por exemplo, numa ilha sem qualquer contado com a civilização atual a simples passagem de um navio contendo apenas pessoas sadias pode provocar o aparecimento de doenças desconhecidas nessa ilha e que são especialidade de nossos países: zona, influenza, gripe, reumatismos, sinusite, polinevrite, etc. etc.&lt;br /&gt; E, também, se achamos que os negros cheiram mal, ignoramos que para tudo aquilo que não é Europa somos nós , brancos, que cheiramos mal. E diria mesmo que exalamos um odor branco, branco assim como se pode falar num “mal branco”.&lt;br /&gt; Assim como o ferro aquecido ao branco, pode-se dizer que tudo que é excessivo é branco; e para um asiático a cor branca tornou-se a insígnia da mais estremada decomposição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;( * )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto dito pode-se começar a extrair uma idéia da cultura, uma idéia que é primeiro um protesto. &lt;br /&gt;Protesto contra o estreitamento insensato que se impõe à idéia da cultura ao se reduzi-la a uma espécie de inconcebível Panteão – o que provoca uma idolatria da cultura, assim como as religiões idólatras põem os deuses em seus Panteões.&lt;br /&gt;Protesto contra a idéia separada que se faz da cultura como se de um lado separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e, do outro, a vida; e como se a verdadeira cultura não fosse um meio apurado de compreender e de exercer a vida. &lt;br /&gt;Pode-se queimar a biblioteca de Alexandria. Acima e além dos papiros, existem forças: podem nos tirar por um tempo a faculdade de reencontrar essas forças, não se suprimirá a energia delas. E é bom que desapareçam algumas facilidades exageradas e que certas formas caiam no esquecimento, assim, a cultura sem espaço nem tempo, e que nossa capacidade nervosa contém, ressurgirá com redobrada energia. E é justo que de tempos em tempos produzam-se cataclismas que no incitem a retornar à natureza, isto é, a reencontrar a vida. O velho totemismo dos animais, das pedras, dos objetos encarregados de fulminar, das roupas bestialmente impregnadas, em resumo tudo que serve para captar, dirigir e derivar forças é, para nós, coisa morta de onde só sabemos agora extrair um proveito artístico e estático, um proveito de fruidor e não um proveito de ator. &lt;br /&gt;Ora, o totemismo é ator porque se mexe, e existe para atores; e toda verdadeira cultura apóia-se nos meios bárbaros e primitivos do totemismo, cuja vida selvagem quero adorar, isto é, uma vida inteiramente espontânea. &lt;br /&gt;O que nos fez perder a cultura foi nossa idéia ocidental da arte e o proveito que disso tiramos. Arte e cultura não podem andar juntas, contrariamente ao costume universal!&lt;br /&gt;A verdadeira cultura age por sua exaltação e sua força, e o ideal europeu da arte visa jogar o espírito numa atitude separada da força e que fica assistindo a sua exaltação. É uma idéia preguiçosa, inútil, e que, a prazo curto, acarreta a morte. Se as múltiplas voltas da Serpente Quetzalcoatl são harmoniosas é porque expressam o equilíbrio e os desvios de uma força adormecida; e a intensidade das formas existe apenas para seduzir a captar uma força que na musica, desperta um lancinante teclado. &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Romper a linguagem para tocar na vida é fazer ou refazer o teatro; e o importante é não acreditar que esse ato deva ser algo sagrado, isso é, reservado. O importante é crer que todos podem fazê-lo e que para isso é preciso uma preparação. &lt;br /&gt;Isto leva à rejeição das limitações habituais do homem e dos poderes do homem e a tornar infinitas as fronteiras do que chamamos de realidade. &lt;br /&gt;É preciso acreditar num sentido da vida renovado pelo teatro onde o homem impavidamente torna-se o senhor daquilo que ainda não existe, e o faz nascer. E tudo que ainda não nasceu pode vir a nascer contanto que não nos contentemos com ser simples órgãos de registro. &lt;br /&gt;Do mesmo modo, quando pronunciamos a palavra vida deve-se entender que não se trata da vida reconhecida pelo exterior dos fatos, mas dessa espécie de frágil e turbulento núcleo no qual as formas não tocam. E se ainda existe algo de infernal e de verdadeiramente maldito nestes tempos, trata-se desse demorar-se artístico sobre as formas ao invés de ser como os supliciados que se queimam e que fazem signos em suas fogueiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonin Artaud in O teatro e seus duplos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-2214539330635532139?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/2214539330635532139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=2214539330635532139' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2214539330635532139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2214539330635532139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/05/artaud-teatro-e-cultura.html' title='ARTAUD: TEATRO E CULTURA'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-2858214853232422132</id><published>2010-05-16T05:23:00.001-07:00</published><updated>2010-05-16T05:23:56.191-07:00</updated><title type='text'>ARTAUD, NIETZSCHE E A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS</title><content type='html'>ARTAUD, NIETZSCHE E A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página: por isso a palavra escrita é muito triste. Mario Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidemos de tudo que decida nossa vida. Nossa vida? Não a temos pronta. A temos sempre sendo, sempre sendo e sempre tecida no dia a dia. Esse fazer constante da vida pelas palavras, através das palavras tornadas signos encadeados. Feita de palavras, mas antes de tudo dentro de um espaço político. Político entendido como um campo de guerra de todos contra todos. É nessa interface entre as palavras e as coisas que se dá o teatro político. Entendendo nesse caso política como continuidade da guerra por outros meios em uma terra conquista e usurpada pela força. A vida como “lugar da improvisação e da rigorosidade matemática, como no teatro. As coisas estão por aí, devemos buscá-las procurando, como”Artaud procura uma linguagem através dos signos, de gestos e objetos, com a ‘importância dos sonhos’”. Para ele, a reunião que cada qual faz da palavra obedece a leis, diria a regras de sua aparição, segundo Foucault. Leis e regras são coisas dos homens e o mundo nasce das semelhanças das palavras. A diferença surge das analogias que tomam assento em novas territorialidades violentando-as e tornando-as contaminada de novas territorialidades da ocupação de seu espaço. Esse espaço das palavras sofre com essas capitulações, novas analogias de sua formação e é dentro dele que os corpos se movem e é aí que as relações que emanam de cada imanência se cruzam, se resvalam, se contaminam e formam novas territorialidades diferidas no espaço e no tempo. Novas palavras, novas violações da natureza das coisas. Ideogramas da China, hieróglifos egípcios como  afirma Artaud. Eu acrescentaria que para nós as formas das escritas Astecas, Incas, da infinitude dos mistérios das múltiplas culturas das sociedades aqui existentes antes do ato de conquista. Estas formas de vida forram submetidas pela guerra de conquista e depois essa guerra tomou forma em guerra dos sentidos. Tudo se tornou um emaranhado de sentidos, mas predominou como saber dominador, o do invasor em sua tentativa de supressão do espaço das multiplicidades, tanto das culturas quanto de sua transmigração para o interior de cada um. O que podemos dizer que primeiro foi a guerra depois a política como sua continuidade.  &lt;br /&gt;Não podemos generalizar a vitória de um lado, pois as contaminações se dão de todos os lados no embate dos sentidos e de suas apropriações infinitas no tempo e no espaço. Foram contaminados pelos europeus, mas estes se contaminaram com os saberes e podemos dizer inclusive fizeram uso dessas culturas em situações complicadas que trazem e trarão grandes problemas, tais como o uso de drogas adquiridas com essas culturas. Portanto  antes de a eles se “submeterem” os submeterem a novas analogias misturadas e disfarçadas pelas simulações, porém mesmo não sendo intencional, podemos dizer que o próprio ato de apropriação se dá com cada forma do estabelecimento das leituras e das condições de sua produção e não unicamente como quer um tipo de historiografia. É nesse palco improvisado e rigoroso em suas formas análogas das palavras e dos símbolos que nos sentimos sendo, nesta terra mundializada em tantos mundos e em suas digladiações simbólicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Pesa nervos", “a vida é queimar perguntas”, o que deve reportar a Pedro Abelardo, [30 nota] dando um passo além de Descartes: a dúvida não deve ser apenas metódica até alcançar a evidência, mas a atividade mental deve ser levada a um tal ponto de interrogar-se que chegue à "destruição da evidência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se observar nisto tudo a palavra dançando na linguagem, tirando dela toda a sua solidez e, mostrando toda sua bela imperfeição. Instauro-me no nada, no solo inseguro da linguagem que me desmonta, me destitui e me faz ser um eterno guerreiro da vigília do entendimento do mundo. Mundo foi feito para ser feitura constante onde eu seja seu protagonista da feitura. E isso não para de ser assim. Se não fazemos de forma salutar as coisas nos vêm de forma perversa e destruidora. Como nos afirma Hölderlin, as palavras servem para fazer a vida e para enunciar a morte. Vivemos nessa vertigem constante. Não podemos entregar sua feitura a outrem. O estanhar do mundo é uma constância na luta em torno dos sentidos. O que nos oferecem como forma pronta pode ser nossa destruição naquilo que nos caracteriza como ser pensante. Portanto a evidência deve ser usada e descartada ou nem mesmo usada, porém o importante é que não aceitemos nada com evidência definitiva, e devemos sim perseguir a resposta e massacrá-la com novas perguntas. Os sentidos são como uma teia de aranha: é frágil a ponto de se desmanchar a um leve toque de dedo, porém tem a consistência e a solidez ao enfrentar a mais forte tempestade. Ao encontrarmos uma teia em um ramo de árvore e o a tocarmos se desmancha facilmente, porém se quebrarmos essa galha e a jogarmos a um mar enfurecido, a teia flutuará e se condicionará no relevo de suas ondas e sairá intacta. Essa metáfora da teia, nos presenteada por Nietzsche, serve para entendermos que a vida é feita de signos, de sentidos produzidos na linguagem, e, portanto tem a fragilidade de se desmanchar a um pequeno toque e a consistência de suportar as mais terríveis avalanches. A vida é produto de nossa eterna vigília e tessituras infinitas. É isso a vida: o nada e o ser-no-mundo, sendo feito e refeito onde somos artistas de nós mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-2858214853232422132?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/2858214853232422132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=2858214853232422132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2858214853232422132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2858214853232422132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/05/artaud-nietzsche-e-fragilidade-e.html' title='ARTAUD, NIETZSCHE E A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-8464484204208716739</id><published>2010-05-12T04:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T04:43:18.349-07:00</updated><title type='text'>DOS PÉS À CABEÇA: DA TERRA À SUA NEGAÇÃO.</title><content type='html'>Dos pés à cabeça; da cabeça aos pés: o mais perto é o mais longe. Volte filho para onde toca seus pés. É daí que você se faz e é aí que deve morar. Longe daí ti ensinaram a viver. Nuvens ti carregaram para longe do torrão de sua sabedoria. Poeiras ficaram distantes e a nostalgia ti toma invadindo seu corpo, pois seus pés tão perto estão tão esquecidos de onde pisa. Aí o pisar perde seu tato com a terra sua gestadora e alimentadora. De onde vem a energia do seu corpo filho. Vem de sua mãe e de seu pai. A terra alimenta-se da energia do pai o sol. A energia penetra na pele, nas folhas, nas águas, nos frutos, nos animais e também em você. Esses frutos penetram pela sua boca e ti alimenta. Distribui por toda parte do seu corpo e despeja do volta o que deve ser retornado à terra. Porém todo esse ciclo foi quebrado filho. Seus antepassados despejavam seus dejetos nos matagais então eles eram revolvidos pelos insetos, pelos besouros, formigas e outros animais que se encarregavam de redistribuí-los em suas devidas funções de fazer retornar a potência às sementeiras e com elas fazer germinar de novo a vida: o eterno retorno do mesmo, da sua devolução aos insetos, dos insetos às sementes, das sementes à germinação da plantinha, da plantinha à recomposição das matas, daí as flores, das flores à polinização, obra de arte da divindade das abelhas. Daí a multiplicação se manifesta: crescei e multiplicai disse o mestre. É meu filho, mas você achou mais fácil repetir dogmas do que repetir a vida. Os dogmas mofam a vida e a vida em sua repetição é a refazenda que vai refazendo tudo. Portanto o mundo passa pela sua boca e sai para refazer o mundo numa eternidade de instantes que compõem a vida. Cada cultura em cada lugar inventou sua maneira singular de lidar com o refazer da vida, pois a vida era o sentido maior e todas elas entendiam que o maior está presente em pequenos instantes. Que eles brotam coma água nas minas e que se produzem por fluxos contínuos. É somente isso que se pode chamar de continuidade: o instante maravilhoso do refazer dos instantes, dos gestos numa eterna ecologia dos seres: sol, terra, energia distribuída, alimentação, dejeção e reprodução energética em consonância com os insetos, as sementes, fazem a maravilha dos sêmens que se acoita com o circular da vida. &lt;br /&gt;Porém temos outra história que precisa ser contada filho. Há muitos anos, ou seja, há quinhentos anos mais ou menos antes do calendário inventado como sendo o cristão, houve uma grande ruptura na nossa forma de pensar a vida. Foi nesse instante que sofremos um deslocamento dos conceitos de vida: saímos do instante maravilhoso do eterno retorno e do refazer do novo para um tempo da postergação. O que era a eternidade do instante passou a ser considerado como de acumulação. A eternidade passou a ter um preço. O preço seria sua negação. Negar o instante maravilhoso onde a vida se refaz era a maneira de alcançarmos uma essência que estava oculta. A partir daí uma verdade estabelecia as condições de sermos sujeitos nessa vida. Portanto fomos dos pés para a cabeça. O lugar onde os pés sempre estiveram foi considerado como do erro e que deveria ser esquecido e que dele deveríamos tomar a maior distância possível. Passamos a viver uma história que nos tornava animais da promessa. Nossa vida deixava de ser a do instante maravilhoso dos fluxos e passaríamos a viver negando seus impulsos para podermos alcançar uma purificação e buscarmos a partir daí o mundo eterno, onde não precisaria mais haver a ecologia que falamos anteriormente. Por falar nisso você notou que Noé não levava os insetos em sua arca? É porque o mundo prometido desse pensamento não ia mais precisar deles, pois a eternidade do instante que precisava deles foi sendo deixada de lado. A vida agora era de negar nossos impulsos, pois a austeridade seria a forma de aproximarmos cada vez mais da vida: em suma, negar a vida do agora era a única forma de adquirirmos uma vida que sempre nos foi postergada. Entramos então numa filosofia da história. A vida agora aparecia de forma que todas as experiências do mundo fossem inimigas da busca da perfeição, pois eram consideradas como fruto de erros, de superstição. O mundo da opinião era considerado como da degeneração humana e do mundo. O homem virou um ser escravo de uma forma de saber que negava seu maior potencial que é a energia que recebe e que transforma em coisas alegres, gostosas como cantar, gritar, comer, fazer sexo e com isso ir refazendo a vida como era antes. Lembra do começo da explicação? Depois conto mais. Inté.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-8464484204208716739?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/8464484204208716739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=8464484204208716739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/8464484204208716739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/8464484204208716739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/05/dos-pes-cabeca-da-terra-sua-negacao.html' title='DOS PÉS À CABEÇA: DA TERRA À SUA NEGAÇÃO.'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-5604073970349237902</id><published>2010-05-08T07:38:00.001-07:00</published><updated>2010-05-08T07:38:39.489-07:00</updated><title type='text'>SABEDORIA E DUPLICIDADE</title><content type='html'>A sabedoria maior é a capacidade de se duplicar sempre. Deixa seu corpo ir como as águas se locomovem. a água tem a capacidade de se adaptar a todos os espaços e achar aconchego nos mais remotos, nos mais temerosos dos lugares. Quando encontra obstáculo pela frente que impeça sua necessidade de expandir-se, tem a paciência do desvio ou de submersão e se joga por cima formando lagos, ou cai em precipício formando cachoeiras. Portanto ela é ao mesmo tempo acomodável sem ser conformista. tem o percurso como vida e é nele que se faz vida alimentando, matando a sede, regando as plantas, dando espaço substancial em sua entranhas aos serem animais e vegetais que ali habitam. Paradoxalmente ela é bastante volátil e se evapora como a magia do éter. Paradoxalmente, se penso na eternidade com um devir transcendental na sua forma teológica, ou teleológica. Porém se penso na eternidade do instante como o maravilhamento duplicador da vida e de sua eterna pulsação, eis que me vejo em sapiência com o vivenciar das coisas. Morrendo por segundo, para dar lugar aos fluxos que pulsam nos impulsionando para a vida. eis que Lao Tsé me deixou muito inspirado. depois continuo.&lt;br /&gt;Às vezes precisamos nos desvencilhar de aparatos que interceptam nossa relação com o passado. Nos o miramos sendo possuídos por regimes de pensamentos que podem estar nos colocando muito longe de nossas potencialidades. Admiramo-nos quando observamos uma grande sabedoria saída de sujeitos falantes de tempos muito remotos. Qual seria a produtora em nós que nos fazem pensar o tempo presente como de uma forma mais refinada de saber? Não seria ao contrário, talvez, que nos dispusemos de ferramentas que nos tornariam muito mais impossibilitados de estarmos em relação com a vida? E com isso o cuidado de si pode estar gerando uma forma catastrófica das relações humanas que não percebemos por estarmos fermentados pela maneira moderna de ser e conseqüentemente de pensar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-5604073970349237902?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/5604073970349237902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=5604073970349237902' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5604073970349237902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5604073970349237902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/05/sabedoria-e-duplicidade.html' title='SABEDORIA E DUPLICIDADE'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-7198998939721090146</id><published>2010-02-28T11:52:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T11:53:31.589-08:00</updated><title type='text'>O SER O O VAZIO</title><content type='html'>Odemar Leotti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o homem que imagino conhecer&lt;br /&gt;Eis uma composição trágica. &lt;br /&gt;Não se completa por não ter sido completo&lt;br /&gt;Não se determina, pois não tem origem determinada&lt;br /&gt;Faz-se no ser, um fazer de um instante iminente&lt;br /&gt;Desfaz-se com a mesma indiferença em que se faz&lt;br /&gt;Frustra-se ao tentar estirar além de si na busca do eterno&lt;br /&gt;Só pequenos momentos é o que lhe resta de lembrança&lt;br /&gt;No afã do linear, lhe resta a circularidade motora &lt;br /&gt;Eis tu homem, um pouco grego, cristão e moderno&lt;br /&gt;Um pouco de Ulisses buscando sua oikos&lt;br /&gt;Nessa sua frenética caça do tempo perdido&lt;br /&gt;Às vezes fere de morte seu corpo, morrendo no Gólgota &lt;br /&gt;Que alimenta seu sentido de renúncia&lt;br /&gt;Diferencia-se dos outros animais pela falta&lt;br /&gt;Vive como um ser indigente pedinte de sentido&lt;br /&gt;Na ânsia de algo que dê sentido à sua existência&lt;br /&gt;Sem imaginar que apenas lhe resta alimentar-se de palavras&lt;br /&gt;Seu espaço é um vácuo, um vazio um nada que aterroriza&lt;br /&gt;Que o faz de forma desesperada firmar-se com histórias&lt;br /&gt;Histórias produzidas com restos mutilados de histórias &lt;br /&gt;Carcomidas por milênios de apropriações e usos vários&lt;br /&gt;Quantas histórias. Quantas verdades fizeram das palavras&lt;br /&gt;Quantas narrativas pavimentaram os pântanos do terror&lt;br /&gt;Chãos instáveis onde cada ser tenta instalar-se como verdade&lt;br /&gt;Tentam dar sentido a si mesmo, construindo a fuga do nada&lt;br /&gt;Construindo, diz Larrosa, como um ser de palavras &lt;br /&gt;A partir das palavras constitui-se na ilusão narrativa&lt;br /&gt;Há que se tentar depressa com as palavras, diz Beckett&lt;br /&gt;O que tentar ele ignora, não importa, diz o poeta da vida&lt;br /&gt;Nunca o soube, tentar que elas me conduzam à minha história, &lt;br /&gt;Acredita Beckett, que as palavras que restam...; há que dizer&lt;br /&gt;Palavras, enquanto ainda existam, há de se dizê-las, até que me encontrem&lt;br /&gt;Até que encontrem Beckett, até que o ouçam dizer, estranho castigo, estranha falta, há de se seguir...&lt;br /&gt;Inserir na narrativa, dar formas às palavras, constituir-se em novela&lt;br /&gt;Construir a ponte entre o eu e o mundo, responder ao desajuste, ser indivíduo&lt;br /&gt;Responder a angustia que nos alicia e que quer de nós o evidente e resolver o estranhamento&lt;br /&gt;A inquietude que nos provém da imprevisibilidade do instante&lt;br /&gt;A agonia da possibilidade da morte, do fim inexorável e terreno da criação&lt;br /&gt;Do agora carregado do eterno viver no limiar do instante&lt;br /&gt;Ou da entrega à previsibilidade do futuro, a felicidade dos fins últimos&lt;br /&gt;Eis a dor do animal feito da falta, que constrói fora de si o para si&lt;br /&gt;Este saber que mora no quintal exposto aos perigos dos fantasmas&lt;br /&gt;Este ser desprotegido e indigente que lutamos para ser nosso aliado&lt;br /&gt;Que nos foge que não combina com nosso sonho, que nos faz de vigília&lt;br /&gt;Que nos aterroriza em nossos pesadelos quando o sonho abre a porta&lt;br /&gt;Quando estamos a mercê do não eu do ser carcomido pela fuga da sua imperfeição&lt;br /&gt;Eterna imperfeição como o navio que não consegue ancorar em seu porto&lt;br /&gt;Pois não há mais porto e era só uma miragem, &lt;br /&gt;Um alvo que não existe mais ou nunca houve mesmo, &lt;br /&gt;Coberto pela névoa das palavras que não quis me aquietar&lt;br /&gt;Este lugar obscuro que não consigo vislumbrar é miragem difusa&lt;br /&gt;Palavras que as faço minhas constroem mosaicos de verdades&lt;br /&gt;Instauram portos flutuantes que inflam bóias de ilusões e me salvam&lt;br /&gt;Ajudam-me a instalar um lugar para a âncora que ameniza meu desassossego&lt;br /&gt;É o  meu insuportável falatório às pedras que me ligam ao chão do cais&lt;br /&gt;Lanço-me ao mar na busca da terra: eis o meu paradoxo, eis meu terror&lt;br /&gt;Lanço-me na busca da fuga da insuportável certeza de que não existo&lt;br /&gt;Da certeza de que palavras, em contos e lendas formam o meu terror &lt;br /&gt;Que é saber de minha indigência que é a minha própria in-existência&lt;br /&gt;As palavras que Rousseau não quis acreditar que compunham sua infância&lt;br /&gt;Ancorar o eu descansar o ser, descansar o corpo confesso de Rousseau&lt;br /&gt;Colocá-lo no resguardo de tudo que o ameaça, assegurar sua identidade &lt;br /&gt;Garantir a todo custo como que fosse possível sua continuidade intacta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-7198998939721090146?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/7198998939721090146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=7198998939721090146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/7198998939721090146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/7198998939721090146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/02/o-ser-o-o-vazio.html' title='O SER O O VAZIO'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-295167268573997161</id><published>2010-02-28T11:29:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T11:37:11.375-08:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA DA AMÉRICA VIVA</title><content type='html'>HISTÓRIA DA AMÉRICA VIVA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HISTÓRIA AMÉRICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“. . . A mi solo me mataréis, pero mañana volveré y seré millones”&lt;br /&gt;Tupac Katari&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crise dos paradigmas e a história&lt;br /&gt;Devemos pensar um pouco na crise das relações dos homens com a terra em que estão destinados a viver e de suas necessidades, conseqüentemente, de constituí-la como mundo[2]. Pensar isso requer que pensemos as formas que foram encontradas para significação da terra em mundo. Em cada contingência histórica, cada qual à sua maneira, e, em cada espaço onde os homens e mulheres se reuniram em grupo, foram criadas formas de vivências. Para tanto foi necessária a utilização da linguagem como forma de construções dos sentidos de mundo que teve como conseqüências a formação de comunidades pensantes e formadoras de modalidades diferentes de comunicações no tempo e no espaço. Para sua rememoração e continuidade de uma identidade cultural foi preciso em cada uma dessas culturas manter uma forma de mensagem para que através de suas fabulações fosse passado o saber vigente para a formação de novas gerações e com isso a manutenção da reprodução cultural de cada grupo cultural. Devemos saber que o radical sage vem do latin que quer dizer fábula. Logo mensagem seria a forma de passar para a frente as fábulas do entendimento de vida de cada comunidade cultural. Então seria bom pensarmos se ainda existem essa forma comunitária e se postitivo, como elas devem estar sofrendo para manter viva a chama cultural de cada uma de suas comunidades. Ao mesmo tempo devemos pensar nos nossos meios de comunicação e antes de tudo atentarmos para o fato de que essa palavra provém do que é comum a todos, ou seja, a fábula que nos faz entender como vivente, como pertencentes a alguma forma cultural. Se é assim então deveríamos procurar problematizar o papel dos meios de comunicação e ver se eles estão cumprindo o papel de passar para as próximas gerações os saberes anteriores de forma que possam manter nossa identidade e nos intrumentalizarmos com eles para produzir o novo a partir desses saberes, ou dessas fábulas, dessas sages. Então mensagem passa a ser uma coisa mais importante do que imaginam os senhores proprietários da grande imprensa ocidental, ou seja, utilizar seus meios de comunicar para o bem dos seus comuns.&lt;br /&gt;Porém o mundo ocidental, ou seja, a forma cultural que prevaleceu na Europa provinda da cultura mediterrânica principalmente a cultura grega, nosso considerado “berço” cultural, tomou uma forma a partir do século IV que colocou em perigo a estabilidade das múltiplas formas de relações culturais existente, tanto internamente a essa cultura quanto às múltiplas formas de identidades culturais espalhadas pelo planeta. Obedecendo a uma forma unívoca e se inspirando em um ideal ascético, essa forma cultural teve no renascimento e depois no movimento ilustrado do século XVIII a produção de formas culturais que ao entrar no século XIX consolida-se com o movimento cientificista o total desarranjo cultural tanto internamente à Europa quanto sua proliferação desterradora por todo o recôndito da terra onde houvesse alguma forma cultural por mais tênue que pudesse ser.&lt;br /&gt;Vendo o quadro como atualmente se encontra o mundo e principalmente nosso continente podem notar o quanto é preciso colocar em discussão a situação cultural e como no nosso caso debater o papel da historiografia com relação a tudo isto. Começamos esse estudo mostrando algumas preocupações atuais quanto ao papel da escrita e as formas como a comunicação se distanciou do seu papel de mensageiro cultural de cada povo e cada qual com sua escrita. Não devemos nos esquecer que apesar do modelo ocidental tentar destruir todas as formas culturais e com elas suas formas mensageiras, não ofereceram em troca outras maneiras de enunciações que formassem discursos proliferadores de condições salutares a cada cultura, nem à sua própria forma cultural (vida a persistência em destruir outras formas culturais, como no Iraque por exemplo).&lt;br /&gt;O que vemos hoje são autocríticas do setor jornalístico de um lado e de outro lado vemos o ressurgimento de formas de luta dos povos de várias partes do mundo, juntando o que sobrou das suas culturas contaminadas com as formas culturais que foram obrigadas a se submeterem, que mesmo parecendo terem sido dizimadas, ou como queria a antropologia, entender que elas foram “aculturadas”, eis que aparecem como saberes um dia assujeitados e que atualmente surgem de forma insurrecionais. Com a crise do poder da escrita transcendental iluminista-platônica e de suas ramificações liberais e marxistas, o poder da escrita de cada cultura ressurge como que a busca de reencontro do mundo e quem sabe para todos nós.&lt;br /&gt;Tendo experimentado, desde os tempos da conquista e de sua colonização, toda forma de tentativas de subordinação, essas culturas sempre tiveram seus interesses subestimados e colocados abaixo dos interesses de minorias de origem européia. Com isso resultou um quadro de destruição física e cultural de todos aqueles que tinham suas escritas como formas de sentido de vida. No século XIX, esses povos sofreram a assalto de duas formas contrapostas de libertação. De um lado o modelo liberal e de outro o modelo marxista. Presos a formas transcendentais de busca da essência humana, esses movimentos deixaram pouco espaço para as formas plurais de cada povo que existia por todo planeta. Porém, como afirma Deleuze, as relações imanentes se contaminam e formam uma outra escrita, cada forma cultural foi tecendo uma nova escrita com o que ficou delas emaranhando-se com as formações discursivas que formaram de seu cruzamento com outras formas também submetidas ao saber europeu e aos próprios discursos dos europeus. Se podemos dizer que com a gradativa destituição de suas formas comunitárias cada uma dessas cultuaras tiveram que exercitar-se num labor infinito no intuito de manutenção de seus valores culturais, por outro lado foram vítimas de meios de comunicação que nada tinha que ajudasse para a continuidade das formas múltiplas de relação com a natureza de cada uma das culturas que sofreram sob sua senda jornalística destruidora dos valores milenarmente constituídos e mantidos. Hoje o que vemos é uma série de autocríticas de agentes desses meios de comunicação, tal qual observamos no artigo de Luiz Gonzaga Motta[3].&lt;br /&gt;Na sociedade ocidental contemporânea há uma hipertrofia da palavra, e o jornalismo é, pelo menos parcialmente, responsável por ela. O jornalismo vem continuamente se omitindo na denúncia do esvaziamento dos debates das grandes questões da sociedade e se modernizando pelo pior caminho, aquele do entretenimento vulgar. Jornais e revistas, tanto quanto o rádio e o telejornalismo, estão cada vez mais levianos, valorizando o banal, o prazer fácil e a superficialidade. Pior ainda, as reformas mais visíveis estimulam novas formas de imediatismo e de empirismo, que consolidam a incapacidade de nossa sociedade em expressar e debater em âmbitos mais coerentes e saudáveis as relações dos homens com outros homens e com a natureza.&lt;br /&gt;Como nos fala o crítico literário franco-americano George Steiner, é por meio da palavra que o homem se libertou do grande silêncio da matéria, e para exercer o ¨ofício de homem¨ e dar consistência à vida é preciso construir uma gramática da esperança que afaste a barbárie que nos rodeia. Ou ainda, como complementa o antropólogo catalão Lluís Duch, a cultura ocidental entrou em uma crise do significado que a levou a uma ruptura da aliança entre palavras e mundo. Entramos em um ¨tempo posterior¨ da palavra em que a linguagem é limitada, empobrecedora da realidade pluriforme, redutora à mera facticidade, expressando cada vez menos a imensa capacidade do homem de criar, de imaginar fantasias, desejos e utopias. Esta é a crise à qual nós, jornalistas e estudiosos da comunicação jornalística, devemos de fato nos preocupar. A grande crise do silêncio contemporâneo, por mais que expressemos banalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando o início de seu parágrafo, a afirmação de que “na sociedade ocidental contemporânea há uma hipertrofia da palavra”, poderíamos estar tendo a coragem de problematizarmos a forma historiográfica com que lidamos com o passado e tentar pensar se ela também não estaria hipertrofiando ou não a palavra que nos traz a memória do passado. Será que essa forma tradicional totalmente distanciada dos problemas atuais, não estaria causando hipertrofia nas formas de lidarmos com o presente e sua relação com o passado? Será que não estaríamos nos tornando obsoletos e inócuos como guardiões da memória e não seria isso o fato das crianças nas escolas não darem a mínima para o que o professor está ensinando em sala de aula? Será que a busca fora da escola de formas de entendimento do mundo, como é o exemplo do movimento Hip Hop, ou mesmo as escolas constituídas pelos movimentos indígenas na América espanhola, não resulta da distância entre as formas de vida que se colocam à frente de cada um e a forma tradicional de ensinar história? Fica para cada um mastigar esse insosso prato que a realidade nos oferece de forma amarga ou mesmo em nenhum prazer quanto a sabor. E por falar nisso a palavra saber provém da palavra sabor, como nos afirmou Roland Barthes. Então porque as palavras tomaram formas tão distantes da vida como forma de prazer e nos trouxeram formas violentas como resultado de suas características autoritárias e desencarnadas? É bom lembrar do texto de Antonin Artaud, de 1938, quando ele nos alerta para o seguinte:&lt;br /&gt;Se, falta enxofre à nossa vida, quer dizer, se lhe falta uma magia constante, é porque nos apraz contemplar nossos atos, e nos perdermos em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, ao invés de sermos impulsionados por eles. E esta é uma faculdade exclusivamente humana. Diria mesmo que é uma infecção do humano que nos estraga certas idéias que deveriam permanecer divinas, pois, longe de acreditar no sobrenatural, o divino inventado pelo homem, penso que foi a intervenção milenar do homem que acabou por nos corromper o divino. Todas nossas idéias sobre a vida têm de ser revistas numa época em que nada mais adere à vida. E esta penosa cisão é motivo para as coisas se vingarem, e a poesia não está mais entre nós e que quando não conseguimos encontrar mais nas coisas a vida, eis que ela reaparece, de repente, pelo lado mau das coisas; e nunca se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência em possuir a vida. [4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que isto não estaria acontecendo com nossa forma de trabalhar o conhecimento histórico. Será que o conhecimento é algo que já vem pronto ou ele deve ser fruto da construção de cada geração? Se é a primeira opção então devemos ficar preso a um mundo já inventado, no nosso caso, devemos passar o conteúdo da ementa sem estranhá-lo. Porém se acreditamos que devemos formar historiadores que produzam junto com seus estudantes conhecimentos que produzam vida na forma infinita do ser do instante precisamos por em questão os modelos que nos mostram conhecimento como se fossem as verdades absolutas e inquestionáveis. E olha que o referencial de tudo é a realidade triste que está se formando em termos de vida em nosso planeta. Uns morrem por não ter o que comer por terem sido impedidos de viverem em suas formas comunitárias anteriores e que ainda lutam para retomarem suas escritas, suas línguas, ou seja, o oceano de vida onde possam navegar, mergulhar e sentir uma salubridade de vida. Outros morrem tendo tudo dos outros na mão, mas se pegam como um pequeno rei Minos onde tudo que toca vira ouro e também morre da mesma maneira. O que presenciamos em nossos dias é a crise dos modelos ascéticos transcendentais e o ressurgimento de saberes que foram silenciados mas que não pararam de existir, mesmo em sua forma latente. Buscar o que nos foi colocado como conteúdo seria construir um caminho metodológico inspirado nos Annales, ou seja, fazer uma história problema. Problematizar o presente e aí sim ir ao passado. Não fazer do texto histórico um passado, mas sim uma construção, entre tantas, sobre o passado. Para isso propomos requisitar algumas dessas contingências históricas e fazer uma releitura da América a partir da experiências de cada uma das culturas escolhidas e de suas relações imanentes com os saberes dos colonizadores e procurar contribuir para uma discussão mais ampliada sobre a emergência de tantos nomes políticas ligados aos saberes indígenas ou fruto da condensação de tantas formas discursivas e da materialização do nosso tempo presente. Justifica-se esse procedimento pela preocupação em vermos esses acontecimentos serem rotulados por discursos que se proliferam por falta de análise mais séria ou por pura leviandade, como tem acontecido na grande imprensa, inclusive com rubrica de alguns de nossos queridos “historiadores” brasileiros. Ao trabalharem no limite do discurso do sujeito histórico, deixam de lembrar de ter mais cuidado em fazer uma leitura mais densa, como por exemplo o estudo dos movimentos sociais que já de experiência discursiva que foi e continua se montando e desmontando numa orquestração descontínua. Querer reduzir a análise ao discurso já desbotado tipo, “populista”, “esquerdista”, entre outros é colocar nossa profissão a serviço de destituição dos saberes assujeitados e pretensamente silenciados, pelo discurso da grande imprensa. Em nada contribui essas formas produzidas por historiadores de plantão com espaço na imprensa a serviço das elites que atrasam a livre autonomia dos povos.&lt;br /&gt;Para tanto gostaríamos de trabalhar nosso curso, buscando as formas de lutas com as quais estamos testemunhando no momento e a partir da pesquisa sobre alguns desses movimentos, colocar como essas culturas se defrontaram com as várias fases de dominação empregadas no passado. Com isso trabalharemos o “conteúdo”, mas de forma viva e a partir de onde a vida ainda pulsa. Ou como afirma Foucault, uma história que deixe emergir a frêmita vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do conteúdo programático e da busca do passado.&lt;br /&gt;Ao trabalhar com conteúdo do ementário, queremos dar a ele a dignidade de sua atualidade e logicamente dar um princípio que o coloque na problematização dos temas atuais da América. Portanto os três momentos importantes da América, ou seja, período da chegada dos europeus, da assim chamada “conquista” e da colonização, dos movimentos de independência, e das experiências das tentativas de consolidação da experiência republicana liberal e das tentativas da implantação da proposta referenciada nos modelos do marxismo-leninismo ou do maoismo. Para tanto nos apoiaremos nas atualizações, ou seja, na realidade do vácuo deixado por essas experiências anteriores e das apropriações do passado histórico pelos movimentos indígenas do tempo presente. Para isso o curso estará organizado da seguinte maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Odemar Leotti tem Mestrado em História pela UNICAMP. Atualmente é professor efetivo da UFMT-Rondonopolis-MT.&lt;br /&gt;Este curso pretende sair do lugar comum de uma história mecânica e obsoleta e deslocar-se para uma história onde o presente seja o foco para a problematização do passado. Portanto partirá da busca por nós (docente e acadêmicos), do estudo sobre os movimentos sociais emergentes na realidade presente da América. Faremos contato pela net com sites desses ou a serviço desses movimentos e tentaremos colocá-los a par de nossos estudos, procurando manter um elo entre nosso curso e os movimentos como troca de saberes. É uma experiência que busca inserir os acadêmicos a par da situação e quem sabe voltar os olhos para a realidade mais próxima deles e começar a fazer alguma coisa. Abraços e estarei mandando textos que produzirei durante o curso. Este texto que envio é o começo de um texto que se prolongará durante o curso e como resultado das leituras de textos e resultantes da pesquisa. Abraços e estamos na luta por uma história viva onde o sangue esteja pulsando. As veias da América não estão abertas, ela pulsam. Abraços do Odemar. Meu email é leotti.odemar@gmail.com em breve abriremos um blog do curso e enviarei o link para todos que queiram acompanhar a experiência.&lt;br /&gt;[2] Este aspecto é estudado por Gianne Vattimo, em sua obra O fim da modernidade.&lt;br /&gt;[3] Jornalista e professor de Comunicação da Universidade de Brasília, atualmente na Espanha para pós-doutorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] ARTAUD, Antonin. O teatro e seus duplos. São Paulo: Editora Max Limonad ltda, 1984.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-295167268573997161?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.incakolanews.blogspot.com' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/295167268573997161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=295167268573997161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/295167268573997161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/295167268573997161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2010/02/historia-da-america-viva.html' title='HISTÓRIA DA AMÉRICA VIVA'/><author><name>ODEMAR LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11566138685205335563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_sav4HW2L35Y/S9QtS3kRmWI/AAAAAAAAACw/61YyFH1L-vo/S220/dema+biblio+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6968201327870075394</id><published>2008-06-25T18:16:00.000-07:00</published><updated>2008-06-25T18:19:32.367-07:00</updated><title type='text'>EU E EU MESMO: E ENTRE PRAZER E DOR - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/SGLujJpALsI/AAAAAAAAAMQ/Nb3XR0aJdHM/s1600-h/ESVAINDO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215993606099185346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/SGLujJpALsI/AAAAAAAAAMQ/Nb3XR0aJdHM/s400/ESVAINDO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;“Oh! Pedaço de mim. Oh! Metade afastada de mim” – Chico Buarque.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como translada essas formas que emergem numa mistura de pensamento e ação, ou seja, pensamentação, pensamentalizage ou age pensando-sendo-e já é e já não é mais. Que já foi e é de novo, assim de eternidade em eternidade, como éter que se esvai nessa volatilidade sem sim: do bom ou do ruim, tudo vem e vai nesse misto de gozo e dor e gozo: goza e espanta e com os olhos estupefatos paga por isso, dependendo das grades contingenciais do ser: ser como sendo e se esvaindo como fumaça se vai e se busca como ar o ato de ser para que não caia no vazio do ser. Aqui ser é um estado ainda não realizado: sendo é o ato pensagimentação como jogo da criança: o que causa olhares sobressaltados, que deixa a vigília em eterno sobressalto: que se rala, se machuca e que salta e pensa no ar. No ar ar/quiteta e fica quites com a acontecimentalização. Pré-sentimento como pré-sente pré-senteando como quase um presente que ainda não o é: e quando é o é em gozo que já se esvai como um corisco e que já vem outro tempo e mais outro e outro. Saber como sabor: saboreante, saboreável, sapiens em seus nadifúndios cobertos de flores, em seus oceanos do nada a navegar em naves perfumadas cheias de sereias enquanto Ulisses bóia no mar do sonho da volta ao lar.Maturidade que acaba com esse estado agencial. Ao matar as imanências, cria normas para alistar a ação no sono eterno do linear, do longínquo: normas mornas da normalização e das modorrentas vidas certas e vazias de sabor. A supressão do múltiplo, do perigo, e a instituição de sendo como ser previdente, dentro de um bloco monolítico que não é possível ver (ver sem ser visto?), mas aparecendo como espaço de uma pluralidade no tempo e espaço simultâneo onde a reinstituição do ser cria um sendo redistribuído e tornando invisível o grande irmão, e a sensação das relações de força se digladiando. Onde acontece, onde se tece a posse do prazer. Quais são os preços a se pagar pela ousadia do desejo? Preparam um lugar que nos honra, que nos faz sem nosso corpo de um eu não eu mesmo. Eis aí o que me intriga e deixa tudo em completa inércia da vida.&lt;br /&gt;Foto: www.keepsake.blogger.com.br/RostoxC.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6968201327870075394?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6968201327870075394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6968201327870075394' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6968201327870075394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6968201327870075394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/06/eu-e-eu-mesmo-e-entre-prazer-e-dor.html' title='EU E EU MESMO: E ENTRE PRAZER E DOR - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/SGLujJpALsI/AAAAAAAAAMQ/Nb3XR0aJdHM/s72-c/ESVAINDO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-9190124655381111746</id><published>2008-04-06T19:53:00.000-07:00</published><updated>2008-04-06T19:56:23.002-07:00</updated><title type='text'>VOZES ESTERILIZADAS - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R_mNLjwVjZI/AAAAAAAAAMI/BMaxtHHTbTw/s1600-h/PHD0322_p.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186331675609894290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R_mNLjwVjZI/AAAAAAAAAMI/BMaxtHHTbTw/s400/PHD0322_p.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O equilíbrio é a morte do encanto da dúvida que possibilita o inesperado. O inesperado é o ponto de fuga do vazio monocórdio. A vida amorfa me persegue e faz do meu corpo um despojo. De tantas vozes, de tantos apelos, de tanto dizeres. Eu e meu corpo vivemos nos olhando por essas grades que determinam nosso jogo da sensualidade. Corpo demarcado, marcado, territorializado, onde me torno ser estrangeiro de mim mesmo. As mãos vivem na angústia da espera da ordem. De ato em ato, de gesto em gesto essa mesma mão já não diferencia o que é seu e o que são signos naturalizados. Passa a habitar em seus poros, se espalham sutilmente pela pele, pelos músculos e tem-me já como seu advogado e como seu propagador. Propaga a dor tornada vida normatizada. Eis o lugar que me honra. Eis meus espaços onde pode proliferar meus eternos começos: confessados, confiscados, esterelizados e analiticamente sistematizados. Tirado o poder absoluto de todos os signos em suas singularidades com tudo que tem cada um de estranho e perigoso, de seu tom ameaçador por seu poder ameaçador. Foi preciso domesticar, adestrar o que se pôde controlar na rede de saber e redistribuídos me faço homem neles, asséptico e livre de tudo que tinha de obstáculo à ordem, tornado útil a um saber totalizado e, portanto totalitário. A pele sofre de uma aridez do desafeto. Nada me impede fisicamente de relacionar-me com meus desejos, mas a grade invisível transpõe e prende meu espírito e comanda minha prisão, obsta meu ser, minha volúpia se desfaz, o rosto triste e desbotado se projeta para um além de não sabe onde. Um horizonte cinza se refaz e a embriaguez vai se enchendo de um remorso transbordante e perverso. Vozes, rostos, olhares e mais olhares desfilam perante um animal semi-abatido, proseado, portanto prostrado, situado no saber legalizado, solitário de si mesmo e à mercê de sua própria carência. Fuga de si, disfarce, máscara, eis o panorama de uma pele árida e ausente do húmus da vida em sua volúpia sensual. Esse exército de redistribuição do desejo começa a emergir e a tornar meu ser normalizado e útil. Inofensivo e adestrado a viver no deserto de si mesmo. Eis a imensidão existente num pequeno espaço chamado de um homem ali calado e com um olhar parecendo com a resignação, porém enfeitado com um sorriso igual de todos os dias.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:&lt;a href="http://www.imagecache2.allposters.com/images/pm/PHD0322_p.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;www.imagecache2.allposters.com/images/pm/PHD0322_p.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-9190124655381111746?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/9190124655381111746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=9190124655381111746' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9190124655381111746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9190124655381111746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/04/vozes-esterilizadas-odemar-leotti.html' title='VOZES ESTERILIZADAS - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R_mNLjwVjZI/AAAAAAAAAMI/BMaxtHHTbTw/s72-c/PHD0322_p.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4123968010736514604</id><published>2008-03-29T17:22:00.000-07:00</published><updated>2008-03-29T17:31:51.345-07:00</updated><title type='text'>NADA SENDO SEMPRE - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R-7eFjwVjYI/AAAAAAAAAMA/bRwVJEZANZ4/s1600-h/nada.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183324408228711810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R-7eFjwVjYI/AAAAAAAAAMA/bRwVJEZANZ4/s400/nada.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;Sou nada, por isso sou sempre. Sempre sendo no nada alguma coisa. Do nada ao tudo, ao múltiplo. Às lágrimas e aos sorrisos. No bar, na solidão do quarto, na rua sozinho escondendo as lágrimas da multidão que não me vê. Sorrindo pelas ruas ou gritando para ser ouvido no sonho quimérico de transformar o mundo. Sozinho me transformo em nada novamente. Sentado na calçada inerte vendo múltiplos passos. Uns apressados e outros lentos. E eu ali sem nada de novo.&lt;br /&gt;Nada esse oceano desértico de onde frutifica fluxos de vidas, vidas magras, vidas gordas. Ali naquele deserto a chuva cai e as palavras renascem, se miram umas nas outras e se fazem em sintaxes do que sobrou. Aquele corpo se apóia: um órgão em outro órgão. O pensamento anima o corpo. A mão se ergue e se apóia nos joelhos. O rosto faz uma miragem final na paisagem e os olhos aparecem em cena como que meio cético meio irônico. Balanço do que sobrou de mais uma nascividade morta. Nascer é o que resta disso tudo. Vai erguendo aquele corpo cada vez mais denso. Cada vez mais roto pelo tempo. Vai ele fazendo nós e pontilhados. Vai ele enfiando as linhas na agulha e cruzando pontos e enredando novos passos. Por enquanto quer sentir a respiração e dar passos e pensar no percurso. Vai lá o corpo que anda. Ainda anda...&lt;br /&gt;O nada se faz no caminho sem tempo de sentar solo. Novas territorialidades vão se formando. Elas nascem e são redirecionadas pelo oceano devastador da máquina do Estado. A máquina de guerra assopra-se em suas poeiras do tempo. Máquina de guerra dizimada pelo discurso plebeu. Ser bom era o que não queria. Se jogar na aventura. Algemas ou picaretas é o que sobrou. Aquebrantar a dor para melhor suportar o peso das pancadas nas pedras para ganhar o pão ou suportar a frieza do aço das algemas. Aços da enxada que não faz a terra devolver alimentos para ele ou sentir o tilintar duro da trava das algemas: eis o que restou ao homem que vive sob o peso, as abstrações que nunca se desvelaram em liberdade e inventou a prisão. O corpo anda assim mesmo.&lt;br /&gt;De nada sairá múltiplas coisas. O nada é o lugar do tudo. Tudo pode acontecer, estamos na era do nada. Da superação da incerteza plantamos o incerto direito de viver. Da tentativa de superação do medo transformamos o mesmo em mercadoria. Da tentativa de buscar a igualdade plantamos a uniformidade destruidora. Da tentativa de busca da fraternidade destruímos toda multiplicidade cultural que fazia o mundo com muitos sendos a pulsar. Agora o que nos resta? Homens desapegados de si mesmos. Homens sem qualidade a inventar formas de sobrevivências. Sem comunidades, individualizados, perdidos, emancipados e com os corações petrificados. Da busca da eternidade final ao homem sobrou a procrastinação eterna de um dia que nunca chegou. Consumindo de forma infatigável vai vivendo nessa quimera da felicidade líquida que se faz e desfaz e se transforma numa pilha de carnês. Entre uma solidão há um espaço do vazio monocórdio, a droga é a fuga. A fuga de um nada não criativo: eis o que restou.&lt;br /&gt;Fragmentos se formam como células desgarradas e vai dando pulsações como a batida do coração. São fluxos fragilizados, mas ainda fazendo valer um mínimo de fertilidade. Sintaxes mutiladas vão compondo novas escritas. Rizomas feitas como uma colcha de retalhos. Ali se juntam o que sobrou de tantos sonambulismos fantasmagóricos. Juntam-se a fábulas silenciadas, a subjetividades sufocadas. Novos enredos vão compondo uma canção que permite de novo a dança. O homem volta a dançar a canção de um outro tempo. O nada se fertiliza em mil coisas. Rizomas e canções constroem uma forma de pertencimento. Novas territorialidades despontam no ar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.segredosdemari.weblogger.terra.com.br/img/praia028.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;www.segredosdemari.weblogger.terra.com.br/img/praia028.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4123968010736514604?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4123968010736514604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4123968010736514604' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4123968010736514604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4123968010736514604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/03/nada-sendo-sempre-odemar-leotti.html' title='NADA SENDO SEMPRE - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R-7eFjwVjYI/AAAAAAAAAMA/bRwVJEZANZ4/s72-c/nada.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-1624407404988495889</id><published>2008-03-21T16:07:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T16:14:20.374-07:00</updated><title type='text'>AGUA RIZOMÁTICA -VIDA DESENCANADA - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R-RA5zwVjXI/AAAAAAAAAL4/yVEv3adUYzU/s1600-h/%C3%81GUA+RIZOM%C3%81TICA.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180336833272581490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R-RA5zwVjXI/AAAAAAAAAL4/yVEv3adUYzU/s400/%C3%81GUA+RIZOM%C3%81TICA.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Gostei da foto mais pelo enigma que me causou que pela frustração de tentar defini-la. Acho que ela já é em si uma poética. Lembrei de várias coisas lidas para lidar com ela. Mas esta continuou majestosa em seu poder fluxante. Fluxos foi o que vi ao lembrar Hölderlin que fala da vida como fluxos. Ele viveu na Alemanha, em fins do 18 e início do século 19, contemporâneo de Kant, Goethe, Schiller, Schelling. Viviam num percurso de tempo onde ainda o pensamento encanador, em sua versão neo-platônica, dos sentidos estava em estado magmático. Portanto ainda não se constituía na fortaleza encanadora do saber moderno. Foi um conselho de Nietzsche que levou-me a ler seu livrinho Hipérion, onde afirma coisas interessantes sobre conceito de vida. Essa água viva, ou água vida, se a tomarmos como metáfora, ora metáfora, ela é vida sim e devemos nos expressar pela sua força de potência. Portanto ela não segue o cano por sua vontade, logo o encanamento não encana sua vontade e sim as massas. Ou melhor, encana as duas coisas, mas a vontade permanece em estado de atitude de possibilidade de fuga da sua forma impossível de ser reduzida, ou seja, vida encanada. Por outro lado, nós homens não conseguimos proteger nossa vontade, ou ela foi implantada após uma redistribuição de seu funcionamento? É esse nosso elemento o alvo da implantação perversa que criou a modernidade. A água não fica indo atrás de sua origem, ela segue seu ciclo e explode quando sufocada. Talvez seja disso que surgiu o pensamento de que não são as águas que invadem as margens, são as margens que invadem a água. Portanto, não são as águas que estouram os canos, pelo contrário são os canos que engessam, ou tentam encanar a possibilidade de estendimento das águas.&lt;br /&gt;Segundo Bauman, a água pela sua propriedade líquida, tem como característica ser volátil ao tempo e conformadora ao espaço. Às tentativas de seu aprisionamento a um caminho se depara com sua volatilidade e sua conformação, porém com sua propriedade de se enfiar nas menores fendas e as arrebatarem produzindo por meio dessa potência aquilo que parecia uma condenação eterna. Assim podemos dizer que ela é volátil e se adapta a qualquer circunstância de formas, porém à primeira fragilidade do cano ela jorra alegremente para a vida. Ela passa então a se determinar por si mesma. E a vida, e o homem? O que determina o homem moderno na questão de sua liberdade e de seu limite? Quem é o homem, o que é o homem quando ele não mais se determina por nenhuma transcendência ma apenas por si mesmo? Aqui deparamos com uma confusão que se faz, quando ficamos entre o ser racional ou ser chamado de irracional. O homem tem necessidade de construir uma racionalidade única e definitiva ou nenhuma racionalidade. Tem que conviver com uma busca da essência ou nenhuma. Eis aí um ponto que gera conflito. Os que crêem numa via única da metafísica e chamam de irracional os seus detratores e os detratores que temem afirmar a necessidade da essência. Foucault nunca negou a necessidade da razão. O que ele condena veementemente é o sonambulismo histórico que criou esse vir a ser metafísico do século 18 e o materialismo dialético que se utiliza de uma criação literária que ser quer única e verdadeira e se coloca em oposição a tudo que seja humano. Para Deleuze não há esse binarismo de verdade e negação da verdade como espaço único de produção da vida. Para ele as duas formas pertencem a dois espaços. Logo, não são contraditórios e sim diferentes, e assim devem se auto tolerar. Portanto, precisamos sim de essência para viver. As coisas não se oferecem como coisa em si, e sim como necessidade de significação. Mas a distância entre a fabricação contingente de essencialidades, com suas diferenças espaciais e temporais são realidades. O que não se pode é dedicar nossa existência a uma estratégia metafísica transcendental monocórdia, única e que encana toda possibilidade de hastes criadoras de novas ramificações de vidas em suas multiplicidades morfológicas.&lt;br /&gt;Para Hölderlin "está em jogo a realização do homem como um aviar-se para a totalidade”.Abandonará a si mesmo como fruto de os pré-cursos para abandonar-se à 'terra incógnita' da totalidade. Esse sair do cano poderia ser referenciado a ‘esse sair de si a fim de abrir-se para a totalidade’ é que dimensiona a essência humana como 'a via excêntrica, aquela que o homem percorre, universal e particularmente'. O que a água quer garantir é o percurso e a possibilidade de realização de seus fluxos impulsionadores. O que esperaria o homem da vida? Uma origem e uma finalidade e a conformação a uma encanação transcendental que tem uma essência originária e sua busca nos tempos finais. Aí vale a pena ter os sentidos presos ao encanamento eterno rumo ao jorro na usina final? O que se quer colocar é que ao invés de haver uma vida como autodeterminação do percurso, das condições de cada um situar-se na terra incógnita e a possibilidade de criação para garantir a vida em seus fluxos o que vemos no discurso moderno? A educação no lugar da formação como apreensão do percurso. A via de formação dá lugar à educação como uma vida encanada na verdade metafísica iluminista-platônica. A vida requer a contínua formação para o percurso e não para o fim de uma estrada, de um leito de rio. Determinar o futuro requer a anulação da vida em seus fluxos, a paralisia de um percurso em suas peripécias. A água livre escolhe o caminho a seguir, enquanto quando é encanada fica presa a um destino, sendo anulada em sua possibilidade de vida com seus mistérios e acasos. Fica imune do perigo do obstáculo, mas é direcionada a um fim. O seu percurso fica restrito a um fim. Perde sua possibilidade de vida como percurso, como sendo aí a vida mesmo. Numa carta de 1794, Hölderlin afirma o seguinte: "Ademais acabo de voltar da região do abstrato na qual cheguei a me perder e a perder todo o meu ser". Para ele a profundidade está na superfície das coisas e não em um sistema de pensamento. Como a água está no cano sempre na possibilidade de jorrar para a vida, os homens estão no encanamento pronto a jorrar-se também em vida. O sistema tem suas instituições que ficam vigilantes consertando o encanamento para que não dê vazamento e possa impossibilitar o caminho dos homens rumo à usina final, ou como explicam: a um progresso humano. A água abre mão do caminho seguro para buscar o caminho venturoso. Unidade como ventura perdeu-se para nós, afirma Hölderlin. Segundo ele, "o ser, no único sentido da palavra, perdeu-se para nós e nós precisamos perdê-lo quando ambicionamos, quando combatemos". Viver seria um arrancar-se da totalidade na unidade, seria um arrancar-se de nós mesmos, seria uma liberdade dos instantes múltiplos e não uma liberdade dos tempos finais que encana a vida e a não quer mais para o presente como uma ventura, com seus perigos. Numa compreensão de Maria Cavalcante que prefacia sua obra, o aviar-se na conquista de nós mesmos se dá por uma via excêntrica, que é o pensamento vital para Hölderlin, nos coloca diante de uma existência nômade. Para ele o que justifica a apreensão nômade da existência, pergunta Cavalcante? "O Sedentário permanece nômade quando, para compreender, precisa caminhar. É na compreensão que o nomadismo excêntrico do homem se cumpre, mesmo num mundo incapaz de consagrar o passado e pressentir o futuro. O homem não nasce para cumprir uma via excêntrica somente, mas para se realizar no fazer constante e descontínuo dessa via. Ela se dá não a partir de um centro a procura de um norte e sim de um norte produzindo seus centros, assim falou Hypérion pela boca de Hölderlin. Um percurso onde precisamos compreender para construir e para no mundo habitar. Eis aí a venturosa vida. Um saber para o nada, para no nada se fazer em vida. No percurso dia a dia fazendo na via a criação do instante. Compreender como uma co-produção do mundo em sua via. Um co-criador do que existe em coisas. O homem como as águas precisam achar saídas para a vida, sem precisar de canos para a eternidade final. A libertação final rouba a liberdade que produz-se no caminho e não no fim. A vida é o agora do percurso e não o fim que só existe na abstração. É nessa terra incógnita que precisamos viver. Não a uma vida&lt;br /&gt;encanada.O verbo SER se dá no emaranhado do mundo e não fora dele. Não temos que aprender para onde vamos e sim onde estamos. O onde é no caminho, é um co-aprender para co-apreender. Nada fica completo, nada é completo e pronto, tudo é provisório em suas multiplicidades de instauração. A vida se dá nesses verbos ser ou não ser. Ou somos ou não somos. A vida se dá por fluxos como a água que jorra. Precisamos a compreensão para co-aprender e co-apreender a vida na riqueza de seus fluxos. “A vida se dá por fluxos e não por miséria”. A compreensão se dá em consonância com o emaranhado do mundo, esse rizoma e não em oposição ao mundo como quer os lógicos dialéticos. Inspirado em Hölderlin saiu isso há uns tempos passados: A beleza habita na sutileza da divindade poética. A aridez dá lugar ao maravilhamento. Os olhos ganham o encantamento. Faz-se vida. Vida como um sendo eterno. Uma eternidade da criança num fazer e desfazer-se pelo esquecimento. Hölderlin falando: "Muitas vezes, nos exaurimos sem poder encontrar a matéria para nela ancorar os pensamentos". Antes aconselha: “Oh! Não deixes que tua rosa empalideça, juventude vigorosa dos deuses! Não deixes que tua beleza envelheça nas misérias da terra. Essa é minha alegria, doce vida! Que resguardes, dentro de ti, o céu livre das preocupações. Não deves sofrer de indigência, não, não! Não deves ver em ti a pobreza do amor” (p.83). À vida não cabe a pré-ocupação. À vida cabe a ocupação. Não a reprodução e sim a produção. Não a representação, mas a presentificação. A vida é um sendo constante, um ser-no-mundo afirma Heidegger. Fala Hölderlin: "Tu não querias um ser-humano, queria um mundo. Recebeste a perda de todos os séculos áureos compactados em um único momento de felicidade, querias substituir o espírito de todos os espíritos de um tempo melhor, à força de todas as forças dos heróis em um único homem - Vê como és pobre e como és rico? Por que deves ser tão orgulhoso e tão abatido? Por que alegria e dor em ti se alternam de maneira tão assustadora?" (p.85).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Obs. Há muito mais a dizer. O jorro da água é mesmo rizoma. Portanto não explicável. O seu mistério é um poço sem fim. É nesses limites que construímos nosso ser. É nele de instante a instante: perante nós o nada e a vontade de viver. O cano e a metafísica tentam anular o instante no que ele tem de trágico e belo. Eis a necessidade do jorro, do jogar-se para poder jogar-se para fora de si, correr o perigo e possibilitar o ente do ser na vida. Vamos sendo. Não gostamos da casa que nos oferecem: ou vivemos nela ou vivemos. À primeira fenda brotamos em vida, vida em jorros!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Foto: Iziquiel Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-1624407404988495889?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/1624407404988495889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=1624407404988495889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/1624407404988495889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/1624407404988495889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/03/agua-rizomtica-vida-desencanada-odemar.html' title='AGUA RIZOMÁTICA -VIDA DESENCANADA - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R-RA5zwVjXI/AAAAAAAAAL4/yVEv3adUYzU/s72-c/%C3%81GUA+RIZOM%C3%81TICA.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-3802240430419391498</id><published>2008-02-21T18:44:00.000-08:00</published><updated>2008-02-21T18:52:00.725-08:00</updated><title type='text'>FAUSTÃO: A ternura e a garra do grande guerreiro - por ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R744Hy29iEI/AAAAAAAAAJE/ja8_ZeiodlM/s1600-h/ATgAAADzYy6KEoxrDj8XH7_nWujy7FCH3FG2LnaPiG1t4EQgP9Ddl8yU_AJoD0GXnvG0NsmjWvLjOBCNfiJySDqWFTQnAJtU9VASb4CX5R0glOYZTmhgpt7hSjg4GA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169631128830445634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R744Hy29iEI/AAAAAAAAAJE/ja8_ZeiodlM/s400/ATgAAADzYy6KEoxrDj8XH7_nWujy7FCH3FG2LnaPiG1t4EQgP9Ddl8yU_AJoD0GXnvG0NsmjWvLjOBCNfiJySDqWFTQnAJtU9VASb4CX5R0glOYZTmhgpt7hSjg4GA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Homenagem do Odemar pelos 60 anos do FAUSTÃO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Eu não poderei estar presente, mas deixo minhas homenagens ao meu grande companheiro de grandes jornadas: primeiro pelo seu aniversário e juntamente a isso, pela forma séria e dedicada ao povo de seu país, pelo qual colocou em risco sua integridade física e de sua família. Minha homenagem se estende á forma sadia com que se fez nessas seis décadas de vida. Lutamos muito, choramos, sorrimos, desanimamos e rapidamente a gente se levantava e continuava nossa jornada de luta.&lt;br /&gt;É esse Faustão que aí está sendo homenageado. Sinto-me maior de ter sido seu amigo e companheiro. Fui seu aprendiz. Foi com ele que aprendi boas partes de meus arremessos na vida. Foi com ele que aprendi o valor das leituras. Foi com sua biblioteca que me contaminei com as palavras. Era ele, juntamente com o grande poeta Leônidas Arruda, o Waltinho, e tantos outros companheiros. Ali na Gráfica Libertação, a gente se fazia pertencentes a um mundo e tentava refazê-lo, tendo nas cabeças os sonhos que nos alimentavam.Lembro-me do Fausto em sua dedicação total à sua vontade de ajudar nosso país a ter um espaço para uma vida decente. Tal como Guevara teve que se ausentar dos filhos tantas vezes, para atender às lágrimas de tantos outros seus filhos. Sabia se doer com a injustiça perante seus olhos. Com a mesma doçura que afagava um rosto de criança de rua se erguia como um animal bravio contra seus algozes. Sabia gritar com a mesma força que tinha de se render a uma fragilidade infantil quando precisa de uma palavra doce para aquietar sua dor provocada pelo desprezo da sociedade.&lt;br /&gt;Um médico do povo. Lembro-me, e nunca me esqueço, me arrepio ao pensar nessa memória bela: Fausto acariciava no rosto cada pessoa que encontrava. Andava no Bairro Goiá a alisar os rostos de crianças, velhos e todas aquelas pessoas que já imaginava a não existência da solidariedade. Faustão arrancava um sorriso de lágrimas secas daqueles rostos surrados pela indiferença com que foram tratados. Fico nostálgico quando me lembro de ter acordado várias vezes ouvindo aquela voz grave e altaneira na porta de casa: Aí Demão, vamos à luta companheiro. Ele entrava acariciava cada uma das crianças e lá íamos nós. Os caminheiros da luta por um Brasil sem tanta dor e que tivesse a escrita saída das entranhas do chão.&lt;br /&gt;Se não for inoportuno gostaria que fosse lida essa minha homenagem em seu aniversário e na sua posse. Não se torna obrigatório, mas seria o meu presente de aniversário ao meu companheiro que considero como meu irmão de luta. Abraços Fausto, parabéns e muito obrigado pelo homem que sou hoje. Muito de mim tem de seus enunciados, de seus entusiasmos, dessa vontade férrea que nos contaminou. Ti amo meu irmão. Utilizo-me de minha coluna no jornal dirigido por outro de nossos velhos guerreiros, o José Milbs, para colocá-lo no panteão dos guerreiros de nossa terra. Feliz aniversário e parabéns à sua família, principalmente a Anilzene minha companheira querida. Saudades de tempos em que o desejo de liberdade era nossa refeição diária. Feliz posse. Você, que fez o SER das coisas tornarem-se letras da vida, tenho certeza que levará a força e potência de suas palavras para essa instituição. Obrigado por tudo. Feliz aniversário.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Fausto Jaime é médico em Goiânia. Tem pós-graduação em doenças tropicais. É hoje o que se pode chamar de um grande pensador e tem um raio múltiplo de atuações em variadas áreas do saber e da intervenção política, cultural e social. Foi militante de esquerda durante os anos de chumbo do Brasil e continuou sua luta após o regime militar, ajudando a fundar o Partido dos Trabalhadores em Goiás. Além disso, participou da construção da organização sindical e de movimentos sociais urbanos. É escritor e ensaísta, com vários livros publicados. Vai assumir cadeira na Academia de Letras de Pirenópolis, município goiano que o viu nascer.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-3802240430419391498?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/3802240430419391498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=3802240430419391498' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/3802240430419391498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/3802240430419391498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/fausto-ternura-e-garra-do-grande_21.html' title='FAUSTÃO: A ternura e a garra do grande guerreiro - por ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R744Hy29iEI/AAAAAAAAAJE/ja8_ZeiodlM/s72-c/ATgAAADzYy6KEoxrDj8XH7_nWujy7FCH3FG2LnaPiG1t4EQgP9Ddl8yU_AJoD0GXnvG0NsmjWvLjOBCNfiJySDqWFTQnAJtU9VASb4CX5R0glOYZTmhgpt7hSjg4GA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-9179015115035455618</id><published>2008-02-16T17:32:00.000-08:00</published><updated>2008-02-16T18:52:58.266-08:00</updated><title type='text'>PIRATA  V I D A - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ed-i29iBI/AAAAAAAAAIo/NNV_lPVCzds/s1600-h/1159288873_overmundo_disco_pirata.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167772795265714194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ed-i29iBI/AAAAAAAAAIo/NNV_lPVCzds/s400/1159288873_overmundo_disco_pirata.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Mando-te um disco pirata. Um pirateado manda um pirata. Corsários do mar, piratas da rainha, serviçais dos reis, guardas dos portais. Eis-me aqui perante vós, além do espaço, além dos tempos. Pois resistem ao tempo, transformam-se. Tais como ilusionistas do tempo e do espaço, impelem-se contra nossos corações, confortando-os como se realmente os amassem. Mera ilusão, dilaceramento. Como hienas de carnes sobrepujadas por feras maiores, rasgam nossos despojos, arrastam nossas dilaceradas carnes pela poeira de uma terra violentada. Eis-me aqui Senhor dos tempos, Deus do altar das verdades. Salvem os propositores do saber das badaladas do nosso coração.&lt;br /&gt;Cá estamos piratas, flagelados, capengas, caolhos, mas caminhando por estradas não construídas por nós, pelas quais esfolamos nossas mãos e joelhos para conseguir garantir o direito de caminhar. Cá estamos, nos todos piratas. Vida pirata: criança pirata, filho de uma mãe pirata, que leva uma vida pirata, cronometrada por um relógio pirata, com sua roupa de ‘marca’ pirata, com um batom pirata, com uma comida pirata, com um sentimento pirata.&lt;br /&gt;Corsários do mar da rainha, não mais o mar de Deus. Caminha-nós os piratas, ouvindo nossos discos piratas, ouvindo nossos pais de santo. Esses considerados como psicólogos piratas, nossos curandeiros, nossas rezadeiras, nossas benzedeiras, pastores, todos os motivos de risos nas novelas, nas conversas de consultório de classe média, de bares dos eleitos da verdade original, para eles somos todos piratas. Mal sabem eles que estão embutidos em um corpo pirata, em um conceito de riqueza pirata.&lt;br /&gt;Piratas que curam crianças piratas, velhos piratas, mulheres piratas vendendo salgadinhos com condimentos piratas e como pagamento recebem passes de ônibus, serviçal como dinheiro pirata. Depois de tudo que um dia pirata me transtorna, vou ao bar beber em um cristal renegado pelo corrupto por ser pirata, e aí bebo um cálice pirata que vai entranhar meu fígado pirateado por invasões mil de comidas e bebidas piratas, carregadas de agrotóxicos.&lt;br /&gt;Piratas que matam a torto a direita a esquerda porque não puderam ter a oportunidade de entender por que um ministro economista não resolveu seu problema de saúde.&lt;br /&gt;Pausa para beber uma cerveja que não é pirata. Estou refeito do ódio, mas não refeito da indignação de ver tantos olhares tontos, tristes passando em seus caminhares incomodando com seus cheiros os olhares de almas dos que também não tiveram chance de escolher um caminho próprio. Filhos de ricos que um dia também foram crianças, e que não são maus e sim produtos de uma racionalidade que os fizeram piratas do rei, corsários da rainha. Não devemos odiá-los, e sim combatê-los como tais nos combatem.&lt;br /&gt;Que desconexo que virou a vida, que paradoxo, trocar o saber que pagamos para ter e não temos e quando temos é com desprezo, com desdém. Ouvir a felicidade de alguém que pagou o médico qualificado pela verdade que foi-nos negada, e que buscamos em nossos saberes longínquos e hoje tidos como pirata. Buscar as raízes hoje piratas, raízes de pau, da memória dos fragmentos que nos negam e que teimamos em manter. Clamamos ao oráculo de Delfos, conclamamos ás mães de santo, aos curandeiros, aos xamãs, aos conselheiros, às guardiãs das memórias: Vigília Eterna.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;Foto: www.overmundo.com.br/_overblog/img/1159288873_overmundo_disco_pirata.jpg&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-9179015115035455618?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/9179015115035455618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=9179015115035455618' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9179015115035455618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9179015115035455618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/pirata-vida-odemar-leotti.html' title='PIRATA  V I D A - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ed-i29iBI/AAAAAAAAAIo/NNV_lPVCzds/s72-c/1159288873_overmundo_disco_pirata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6300634368605743768</id><published>2008-02-16T10:37:00.000-08:00</published><updated>2008-02-16T14:22:43.775-08:00</updated><title type='text'>A GUERRA SILENCIOSA E OS GRITOS REBELDES - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7dh7C29h_I/AAAAAAAAAIY/G1T-EoS_rPY/s1600-h/o+grito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167706764438505458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7dh7C29h_I/AAAAAAAAAIY/G1T-EoS_rPY/s400/o%2Bgrito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“O passado pesa e oprime ‘como um pesadelo o cérebro dos vivos’ e que, sobretudo enquanto historiadores, deveríamos compreender o momento do acerto de contas e ‘alegremente’ despedirmos-nos do passado” Karl Marx.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Não sabemos o que de pior possa estar ferindo nossos olhos. Se, é a forma de violência com que a sociedade constrói quando alguns de seus “sócios”, resolvem não mais obedecer ao contrato social ou se é ficar a ouvir apelos morais que de nada adiantam. Apelos que ficam eivados de hipocrisia daqueles que não podem ultrapassar os limites de sua subserviência. Vivem como lacaios de uma minoria que lhe garante algumas benesses salariais e mais e mais vantagens colocando-os entre uma minoria de apaniguados da corte.&lt;br /&gt;O que nos interessa é que é esta crise dessa forma de poder que está instalada está construindo o anúncio de uma trágica sina. Caso não mude sua rota de colisão se tornará inevitavelmente uma bomba relógio que já está sendo detonada pouco a pouco. De nada adianta os discursos jornalísticos e suas arrancadas emocionais. O que precisamos fazer é ter coragem de arrancar a casca da ferida e parar com a hipocrisia.&lt;br /&gt;Até a pouco tempo o estudo da sociedade tem obedecido a paradigmas estruturalistas que não conseguem ultrapassar os limites do discurso de esquerda e direita. Nesse sentido estes estudos tiveram como predominância a economia. No século XIX, se construiu um sonho alimentado pelo projeto inicialmente nos parâmetros iluministas de busca de uma racionalidade absoluta. Servindo-se de um sistema de signos formado pelo discurso do século XVII, na Europa, apontava para uma onda de emancipação humana que constituiria a humanidade perfeita.&lt;br /&gt;Tanto o seu lado liberal como seu detrator marxista teve a economia como modelo de análise: o primeiro apontando para a promessa do desenvolvimento econômico que arrastaria com ele o desenvolvimento social. O segundo caso se caracterizava como de oposição a este projeto e apontava para a via socialista de economia. Após a Segunda Grande Guerra, o que observamos foi a frustração do modelo liberal de um lado que desembocou no fascismo, no nazismo etc. No lado socialista tivemos a decepção que foi a ditadura stalinista. Então devemos voltar nossas leituras para Michel Foucault que aponta nisto tudo um excesso de poder. A economia já não é suficiente para estar explicando a crise social de nossos tempos. Se o problema era o desenvolvimento econômico para suprimir as deficiências sociais, que apesar do exemplo triste do pós-guerra e de sua face totalitária, vemos com tristeza, a convivência da opulência lado a lado com a miséria.&lt;br /&gt;Para poder elaborar outro modelo de análise que não fique neste mesmismo que vemos nos discursos acadêmicos quanto no discurso jornalístico, precisamos deslocar o conceito de política e de poder. Se até agora partimos de modelos de economia e política próprias do discurso sistemático que fica preso ao modelo tradicional, devemos construir um deslocamento neste tipo de análise.&lt;br /&gt;Portanto, devemos voltar nossos olhos para a leitura de Foucault sobre poder e política. Invertendo o aforismo de Claussewitz que afirmava ser a guerra a continuidade da política por outros meios, aponta o contrário desse entendimento. Para ele, é a política sim a continuidade da guerra por outros meios. Uma guerra silenciosa que fez dos descendentes dos guerreiros subjugados filhos do apagamento de suas identidades memoriais. Criou-se todo um processo de formação educacional como mecanismo de silenciamento do discurso de raças, tanto na França como na Inglaterra.&lt;br /&gt;No Brasil a forma de conquista operada pode ser configurada como fator de conquista e dominação. O conceito de região nasce de sua origem latina regere (reger). Nesse caso obedece a uma função que é colonizar a serviço do poder régio, que cria com sua derivação as regras, os regimentos, os regimes. O termo Província no latim se escreve provincere, “pró-vencedor”. Assim vemos no caso do Brasil a instalação, durante o Segundo Império de instituições ao serviço da conquista como a Guarda Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, a Diretoria Geral dos Índios e a Lei da Terra, entre outras formas de instalação de uma nova forma de dominação: a política de dominação, essa guerra silenciosa.&lt;br /&gt;A Guarda Nacional exerceu no caso do Brasil e de Mato Grosso o papel de instalação de destacamentos e fortalezas que tinham como função expandir para freguesias e depois cidades a serviço do povoamento da fronteira oeste. A política indigenista instalou em cada província as Diretorias Gerais dos Índios, que tinham como função a redução indígena e a transformação de seus territórios em terras devolutas. A Guarda Nacional cumpria sua função de praticar invasões dos territórios indígenas e seqüestro de suas crianças para serem “educados”, nos moldes “civilzatórios”, no caso da Província de Mato Grosso no Arsenal, principalmente. Enquanto isso a fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil cumpria o papel de uma guerra que era a de construir uma memória do passado que apagasse a identidade guerreira das várias culturas indígenas do Brasil e implantasse uma história corretiva das culturas “errantes”. Tudo isso garantiria a promulgação da Lei da Terra, inventada durante um congresso de latifundiários em Taubaté, na Província de São Paulo, que transformava as terras tornadas devolutas pela lei instituída pela política indigenista, em mercadorias mercantilizadas. Devemos mostrar que o Brasil foi fruto das guerras militares. Depois consolidado o poder do vencedor com a instalação dessa guerra silenciosa que garantiu essa situação anômala de silenciamento da memória da cada uma dessas culturas. Mostrar que essas instituições fizeram com que os descendentes dessas culturas esquecessem a massa cinzenta do passado. Com isso fazê-los lembrar que a luta de raças transformou-se em luta de classes para fazer com que se sentissem pertencendo a uma nação.&lt;br /&gt;Hoje é preciso desconstruir essa forma jurídica com que teima em ensinar a história do passado. É preciso desconstruir essa memória para se construir uma forma guerreira com o que sobrou. Esse papel cabe unicamente a uma arqueologia do saber sobre o passado e uma genealogia das contingências históricas em que se implantou um saber que garantia o poder de uma minoria sobre os demais.&lt;br /&gt;A realidade está aí mostrando que a violência urbana nada mais é que fruto dessa guerra surda e silenciosa disfarçada de construção do progresso nacional. É hora de por fim a um discurso que fica preso às estruturas de pensamento que ainda sonha com esse modelo iluminista. A educação serve mais ao papel da dominação do que da formação de um povo que lute pelos seus direitos. Vejam a apatia dos educandos: isso é fruto desse comprometimento com um estado dominador. Hoje o Movimento Sem Terra e o a cultura HIP HOP são exemplos que as multiplicidades são substâncias concretas e se fazem na luta pela vida. Viva e verá a luta anunciada contra essa guerra silenciosa implantada de forma perversa contra as culturas subjugadas pela guerra militar. Essa memória cinzenta irá refazer-se como a ave fênix.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:portugal.blogalaxia.com/busca/planeta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6300634368605743768?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6300634368605743768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6300634368605743768' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6300634368605743768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6300634368605743768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/guerra-por-outros-meios.html' title='A GUERRA SILENCIOSA E OS GRITOS REBELDES - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7dh7C29h_I/AAAAAAAAAIY/G1T-EoS_rPY/s72-c/o%2Bgrito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6864912439750431956</id><published>2008-02-15T15:05:00.000-08:00</published><updated>2008-02-16T10:30:45.607-08:00</updated><title type='text'>O QUADRO ESTÁ SE ROMPENDO? - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7YbXS29h8I/AAAAAAAAAH8/qpy0dqx8dGw/s1600-h/DESEPERO.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167347709467527106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7YbXS29h8I/AAAAAAAAAH8/qpy0dqx8dGw/s400/DESEPERO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mãos espalmadas. Dedos maltratados como o de uma toupeira que acaba de emergir de um buraco das profundezas. Aqueles cinco dedos faziam parte de um cenário infinito que começa pelas unhas arrebentadas pela força de forçar a parede. Parece querer dar-se ao mundo que sufocou o seu corpo em seu desejo de ser em seu pulsar intenso. A parede que nos separa da vida, que encobre nossa porosidade e impede nossos impulsos de manifestarem-se. A parede vai sendo pouco a pouco rompida com aquelas mãos frágeis, mas que se tornava poderosa na ânsia de vazar essa separação que parecia irreparável.Olhando um pouco abaixo podemos ver a outra mão. Quase a outra mão. Três dedos como três irmãos de uma mão irmã da outra mão. Mal sentimos esse detalhe do corpo. Duas mãos: uma busca a saída enquanto a outra se apóia para segurar o corpo da força esmagadora da gravidade terrena. Parece que o peso da gravidade que prende o corpo ao chão se equivale ao peso da moral que o deserta da frêmita vida terrena e afasta o ser do emaranhado do mundo. Aqueles dedos parecem dar expansão à angústia do olhar na busca de romper a parede que separa o desejo da vontade de potência do corpo em seu pulsar dos desejos incontidos.À frente três dedos se agarram à parede nessa luta ininterrupta da vida, ou melhor, da sua falta, da sua intoxicação pelo discurso implacável de uma verdade sufocadora dos sentimentos impulsores. A parede parecendo os ensinamentos de tantos anos que tornam o corpo como uma cela dos desejos incontidos. Grades e mais grades, cimento e mais cimento, paredes e mais paredes dilaceram, sufocam, enterram em vida o ser do impulso, injeta nos sentimentos uma vontade que parede própria de não se realizar com a vida em seus instantes eternos comandado pelo perigo da vida como jogo.A história dos corpos parecendo ser como o ser de um presente fruto de um passado construído por uma história que vê a vida como uma falta e o tempo como um corrigir-se constante. Parece a história de um presente oferecido em holocausto ao futuro prescrito. Esse quadro moderno que rompe com o ser como fruto do emaranhado do mundo. Esse quadro moderno que faz com que as palavras desertem do mundo. Esse quadro que quer um ser fora do mundo. Um ser preso a uma verdade purificadora. O ser do mundo parece irromper querendo vazar essa parede. Essa parede constituída pelo discurso que fez do corpo seu próprio arquiteto, engenheiro e pedreiro. Passamos a vida a carregar a argamassa para construir nosso próprio calabouço. Esse quadro-prisão está sendo rompido?Olhando um pouco no sentido contrário do artista, vamos do mais próximo ao mais além. A parede inóspita e fria traz em suas marcas sinais dos tempos. Para que ela fora criada? Pastilhas que se queriam belas posam agora como jazigos de gentes. Marcas do tempo esculpiram nela marcas de atitudes: alegrias, tristezas, românticas dos namorados que insistem em dar eternidade ao eterno e no momento eterno marcam arvores, paredes, muros, areias da beira do mar. Marcam o momento da eternidade como que em desespero ou pleno prazer, que seja lá o que for. Marcam aquele momento como que implorando para que nunca mais se acabasse e como que não querendo voltar a um vazio árido da vida.Aquela parede agora marcava outra cena. Aparecia nela uma inversão do artista. Parece que havia algo a inverter-se. Parece que nascia ali um quadro em seu avesso. A obra sufocada invadindo o quadro e querendo sair dele. Seu gesto nos oferece em cena um corpo que se quer sair do espetáculo do corpo prometido. Parece não mais querer ser como o animal da promessa, da dívida eterna. Parece que se quer saindo de uma luz que escurece para buscar a luz do cotidiano: ali onde a vida, que se faz desregrada sob o peso do regime enquadrador. Como que no desespero tenta se livrar de outro quadro que o enquadra como corpo enjaulado na essência segregadora que separa a vida de sua rebeldia.Reparem a moldura. Esculpida com aquelas mãos frágeis e que se cria em força no desespero de sair das entranhas do quadro. Uma mão que parece abrir brechas para tentar gritar a alguém que o tirasse dali. Parece que se prende o corpo para conter seus desejos desenquadrados. Os quadros são pintados pelo artista que por sua vez é pintado pelo próprio artista. Seria como que o corpo representado passa a representar a si representando os outros. Um ser do conhecimento fora da vida que quer dar lugar ao invisível. O invisível, esse lugar onde a vida se embeleza. Esse lugar da liberdade da vida que não podemos nomear conceituar, colocar verdades definitivas. Parece que é aí que se quis implantar uma verdade. Uma verdade para o ser definitivo. Uma verdade como um dique para conter as formas múltiplas do desejo.Fica fora do quadro os corpos rebeldes que não se reduzem aos limites do atelier. Eis nosso quadro do avesso. Uma moldura irregular. Uma moldura esculpida pelo corpo jogado para dentro de calabouço para ficar fora do quadro. A inquietude que desmancha a harmonia fez com que saísse do enquadramento. Logo atrás vem a escuridão celular. Essa escuridão que o corpo quer sair. Parece isso. Ou seria esse espaço a própria pintura do quadro? Seria aí o calabouço dos infiéis ou o espaço reinventado para os corpos? Seria então a rebelião das subjetividades subordinadas? Onde estão esses corpos rebeldes? Não estariam dentro de nossos próprios corpos? Essa liberdade que nos ofereceram não seria a prisão de nossos desejos? Não seria uma prisão construída com a parede de uma liberdade prometida. Ou um corpo prometido que já nasce em dívida? Não seria a vida essa cela que queremos sair. Ali fora dela seria o cotidiano onde reina a frêmita vida? Quem está ali preso? Que corpo seria aquele? O seu? O meu? De quem seria esse corpo?O escuro seria a condenação dos que não aceitam o sol enquadrado pelo artista luminar? Parece isso. O que fazia a discórdia daquele espaço e o que contém de sombrio são os olhos brilhantes que fustigam o pequeno espaço esculpido pelas mãos arranhadas e sujas. Eis aí mais uma parte de um corpo que parecia uma única coisa. Dez unhas de dez dedos que fazem parte de duas mãos e de um corpo que se quer sentir e que é arremessado ao calabouço dos infiéis. Mas esse corpo quer voltar sempre. E quem está com a chave que prende o corpo a não ser nós mesmos? Sim! Eis o pior de tudo. Abrimos fendas em nós mesmos. E fechamos as fendas rapidamente. Fortaleza que mais parece prisão de nós mesmos. Os olhos como que pedindo a alguém que tirassem aquele corpo daquela solidão perversa. Aquele olhar parecia o último espaço onde ainda habitaria uma ínfima vontade do desejo. Mas não nos atemos unicamente ao olhar. As mãos, como guerreiras que fazem a frente da batalha tentam romper a escuridão e encontrar a luz de fora.Seria o romper do quadro de Velásquez? O pintar o quadro do contrário? Ou a ruína das tintas que deu volume à vida como representação? Emergir do fundo de um tempo clássico que pintou uma vida representativa? Destituir-se da carapaça de sua verdade luminosa que o século dezessete nos herdou? Descascar a máscara que o dezenove a fez mármore. Romper com uma positividade que quer corrigir o mundo, silenciar o que entenderam como corpo impuro fruto dos desvios. Ver emergir no século vinte a inquietude de um tempo enganoso que nos rouba a vida. Seria isso o que representaria aquele olhar? Colocar do avesso o quadro pintado na época clássica, repintado a partir do seu próprio desdobramento, onde os protagonistas tomam em vida e se fazem e fazem os outros. Fabricam invenções a partir de um lugar distanciado da vida frêmita do formigamento do instante eterno e profano.Eis aí o que esse olhar parece nos querer mostrar em sua angústia de um corpo preso às paredes do tempo: um tempo que busca uma origem verdadeira e essencial e que dedica ao corpo um ódio eterno que mata a sua eternidade do instante e o prende nas paredes da moral civilizadora e monocórdia. Parece que as paredes vão sendo rompidas. Parece que o quadro de Velásquez volta da emergência de seus protagonistas invisíveis. Parece que eles despontam de um lugar da luz dilaceradora do luminar da eternidade do instante ininterrupto. Parece que buscam a luz de fora. Ou a luz de dentro sufocada por uma pseudo-luz?O que podemos pensar dessa cena? O quadro rompido? O quadro se rompendo em suas entranhas onde habitamos? Somos essa parte do cenário escondido que vão sendo devassadas pelas mãos frágeis que tentam fazer emergir o forte impulso do desejo? Somos seres que não se enquadram? Agora é Foucault quem fala: “O homem se despedaça à frente de Deus”. Deus não está no singular. O geral nunca vai engolir o ínfimo e infinito espaço do desejo. O desejo é o lugar incontido. O desejo tem em suas entranhas incorrigíveis o efeito rizomático como nos falou Deleuze. O ser não se enquadra no definitivo. O ser é in - determinado. O ser é in-definitivo. O ser é in-devassável. O ser é in-do, é sendo no mundo a todo instante. O ser da vida não se enquadrou na linguagem que ofereceram a ele como última morada. Não se enquadrou na vida classificada, generalizada. Não se enquadrou no trabalho, na produção. O que é esse ser do corpo. Esse lugar intocável que não aceita a morada que lhe é oferecida? O sentir: esse lugar que não se acha e que nos acha...Nos fustiga, nos põe a romper paredes onde somos presos e carcereiros: esse lugar paradoxal em que somos corpo e alma ao mesmo tempo. A vida seria esse misturar de alma e corpo? Não há essa separação? O que é essa vontade de verdade que se opõe ao formigar do mundo em sua eroticidade? Ela está se arruinando? Enfim: o quadro está se rompendo?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:www.pensamente.wordpress.com/2006/05/06/desespero&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6864912439750431956?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6864912439750431956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6864912439750431956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6864912439750431956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6864912439750431956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/mos-espalmadas.html' title='O QUADRO ESTÁ SE ROMPENDO? - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R7YbXS29h8I/AAAAAAAAAH8/qpy0dqx8dGw/s72-c/DESEPERO.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-5451520198865172267</id><published>2008-02-09T14:43:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:12:02.136-08:00</updated><title type='text'>SEMENTARIA - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64t5i29h4I/AAAAAAAAAHE/Nzdblf68KKw/s1600-h/semente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165116289273661314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64t5i29h4I/AAAAAAAAAHE/Nzdblf68KKw/s400/semente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;HOMENAGEM AO POETA MISAEL.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Você fez-me maior em minha poesia. Semente, eis a grande chave. Elas são poderosas, resistem ao tempo à aridez, e os homens agora estão profanando sua misteriosidade. Ai homens, ai tagarelices humanas pobres e poderosas de destruição. Ai saber ocidental, fecha a porta dos&lt;/span&gt; seus mares. Observe minha amiga Cristiane. Essa soldada guerreira e suas lindas manifestações da poética que dilui a aridez dos homens que tem horror ao informal, mas nem sentem em suas veias o formol. Sim ali só corre formol. Tornam-se seres imortais, mas eles estão vivos? Vivem pregando o recrutamento das almas para a perfeição, mas não conseguem dizer quem são. Por isso gosto de você e da Cris, pois ela derruba generalizações, feitas pelos que crêem que as coisas têm sentido em sim mesmas. Enquanto isso, você trabalha o dia inteiro para nos tirar da dor da servidão. Você é o coringa no mundo do Bat Man. Bat do verbo bater, é isso que ele faz com seus murrões que alimentam nas crianças duas coisas terríveis. A moral da violência contra os anormais e a figura do herói que luta por nós pobres aleijados. MAN é o que ele é. Os outros não sabem o que são, nem precisam saber. Pois não existirão por si mesmos. Vivem pagando o preço de cruzar com um poder que os condenam e os excluem como exemplo. Portanto gosto mais de Coringa. Coringa é a carta do baralho que vale igual para todas as diferenças. Diferenças é a possibilidade da multiplicidade. Ela sofre a intervenção do bem, e se não concordar em ser cordeiro do rebanho ocidental, nós ensinamos as crianças a entenderem que se gostarem do Coringa vão levar murrão do Bat.&lt;br /&gt;Eu me despedaço à minha frente, não me acho, por isso não me encontro em mim mesmo a não ser em toda essa parafernália que me inventou e que deixou meu olhar opaco sobre meus desejos. Somos demais para as verdades FORMOLISADAS, sim demais... &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Foto:www.bodas.files.wordpress.com/2007/02/semente.jpg&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-5451520198865172267?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/5451520198865172267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=5451520198865172267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5451520198865172267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5451520198865172267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/sementaria-odemar-leotti.html' title='SEMENTARIA - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64t5i29h4I/AAAAAAAAAHE/Nzdblf68KKw/s72-c/semente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4966757410616209128</id><published>2008-02-09T13:43:00.000-08:00</published><updated>2008-02-10T05:02:56.227-08:00</updated><title type='text'>ENCANTOS DECANTADOS  - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R64vES29h5I/AAAAAAAAAHM/v9Ot59ztE0I/s1600-h/actual_hasta_el_infinito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165117573468882834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R64vES29h5I/AAAAAAAAAHM/v9Ot59ztE0I/s320/actual_hasta_el_infinito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;As coisas não têm o tamanho como me ensinaram os saberes classificadores. Os saberes que inventaram meus sábios. Nasci com um olhar panorâmico. Se meus olhos são como desses bebês maravilhadores, entendo que são de uma extensão infinita. Aliás, isso me faz entender porque existe a esfericidade das coisas. As pedras rolam, as coisas rolam, a vida rola, o mundo rola, tudo rola para que a pomba - rola possa voar. Maravilhar as dores do peso de vergarmos sempre perante o peso do fardo da vida. Porque o infinito nasce e finda em si. Finda no infinito nascente de tantos começos. A vida não consegue ser linear e se verga sob o peso da renascença indissolúvel.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:www.cristinaruiz.com.mx/tienda/images/actual_hasta_el_infinito.jpg&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4966757410616209128?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4966757410616209128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4966757410616209128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4966757410616209128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4966757410616209128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/encantos-decantados-odemar-leotti.html' title='ENCANTOS DECANTADOS  - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R64vES29h5I/AAAAAAAAAHM/v9Ot59ztE0I/s72-c/actual_hasta_el_infinito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4638764412566182255</id><published>2008-02-09T11:45:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:13:17.552-08:00</updated><title type='text'>PALAVRAS SÃO SENHAS - ODEMAR LEOTTI.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64FBi29h2I/AAAAAAAAAG0/4AK0v0Wdx5U/s1600-h/cadeado.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165071346735875938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64FBi29h2I/AAAAAAAAAG0/4AK0v0Wdx5U/s400/cadeado.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Há vezes ou às vezes? Não sei por onde começo esse texto. Ia começar assim: às vezes nos deparamos com alguma coisa à nossa frente que muda totalmente nosso objetivo anterior. Aí nos embocamos naquilo e esquecemos do que tínhamos propostos antes. Daí o tamanho do prazer que vai nascendo, achamos que até vale a pena não voltar mais para a tarefa anteriormente planejada. A que poder pertence o discurso que nos faz andar planejado? Por que então transgredimos esse itinerário e nos pomos a ‘vadiar’. Vadiar seria o mesmo que não estar dentro dos passos ordenados? A ordem seria um caminho que nos conduziria a um lugar ideal. O ideal seria um lugar supremo. Esse lugar onde viveríamos purificados para sempre. Ali nunca mais iríamos errar? Errar seria resultado dos desvios que seguimos e que nos impede de seguirmos o caminho correto? Sei lá. Quando abrimos páginas, seja ‘caminhando’ pelo computador, ou por uma agenda velha procurando alguma coisa sempre encontramos algo que nos seduz e nos rouba do itinerário. Ficamos parecidos com a criança que se deixa levar pela curiosidade e atrasa na missão entre sua casa e a padaria, ou o homem correto que ao beber uns goles esquece-se de voltar para casa, de cumprir sua missão. Eis aí a vida: sempre temos que seguir um trajeto pré-determinado. Esse trajeto nos ordena sempre uma volta para casa. Essa casa, esse trajeto: o que isso nos faz pensar sobre os ensinamentos que recebemos e não sabemos que isso acontece. Seria esse o efeito de sentido que faz com que não enxerguemos a forma inventiva com que nós somos colocados no quadro, passamos a fazer parte da obra do artista que ao dar volume à vida o faz de forma que não notemos que somos frutos de uma representação que nos rouba do emaranhado do ser da vida. Será que esses lugares do acaso que nos rouba do caminho seria a vida frêmita, essa vida do emaranhado semântico que se faz nos arrodilhamentos, nos meandros tortuosos que compõem o inventar da vida e que somos impedidos de nos deixar roubar por eles? Seria essa posse do desvio, obra somente das crianças em seus entorpecimentos produzidos pelo poder do silêncio que só a elas ainda pertence ou ao entorpecimento etílico que nos leva a se livrar da responsabilidade determinada pelo discurso. Somos arremessados para fora do quadro em que fomos pintados como protagonista de uma forma representada fora do formigar da vida?&lt;br /&gt;Pois é, onde a função correta era desesperadamente encontrar uma senha para abrir as portas de uma página da Internet, desvia-se para uma porta poética, esse desvio proibido pelo caminho ideal. Indo atrás de uma senha encontrei palavras que me foram senhas. Pois bem, ao abrir o ‘pc’ para encontrar um documento, me deparei com a vontade de abrir uma pasta que quase não uso para ver o que habitava ali dentro. E eis que ao vasculhá-la, nesses acasos premeditados (ou não?) me deparei com este pensamento solto numa página em branco, só ela lá a reinar. Mas, como um moleque perverso, a tirei de sua solidão e a coloquei pra rodar o mundo, junto com uma do Mario Quintana que estava em uma agenda de 2004. Olha, abri essa agenda para encontrar uma senha para entrar num site. Deveres a cumprir para me manter em boas relações de trabalho, ou seja, obedecer às normalidades funcionais. Para minha surpresa, tudo se deu fora do planejado e não a encontrei. Eis que aparece em meu caminho outra senha: era uma senha Quintanariana, e não resolveu o meu problema, que era abrir o site para atualizar meu cadastro. Responder perguntas: expor-me ao exame, ir ao confessionário moderno, oferecer-me ao foco do holofote do olhar panóptico dos que precisam controlar os “escravos”.&lt;br /&gt;Mesmo sob esse olhar sobre meu corpo, ao trabalhar para expor-me à luz, encontrei palavras reinando numa pasta e ao ato de ir atrás da senha dos que me querem controlar, como que por ironia da vida, achei as palavras de Quintana. Assim que juntei suas senhas com as de Foucault, levei-me a produzir com eles outros pensamentos. Não sei com certeza do todo, mas as palavras dele ecoavam mais ou menos assim: "O equilíbrio é a morte do encanto da dúvida que possibilita o inesperado. O inesperado é o ponto de fuga do vazio monocórdio". Esses ecos se emaranharam com essa senha que encontrei do Quintana. "Cada palavra escrita é uma borboleta morta espetada na página: por isso que não gosto da palavra escrita". Dei-me a pensar com isso que a palavra tem que ser como borboleta: voar, embelezar em sua efemeridade. Que tal? Esse poeta nos faz des-pensar e pensar como criança, como bêbados: soltos na perdição do instante. Palavras são soltas no ar ao léu da forma em que nós nos situamos para arremessá-las. Essas palavras às vezes se voltam contra a gente e nos faz pensar que as pessoas têm poder demais: é que elas ao serem maltratadas nos traem. Então pensei que o mundo que se quer da maneira que desejo deve estar sendo feito com palavras mortas, palavras distanciadas da vida e que seguem num sistema longe do ruir do cotidiano. Palavras que querem um mundo com as vozes emudecidas e paisagens que não seriam mais de pessoas gritando nas ruas e sim de pessoas espetadas nas leis que determinam seus destinos. Presos a um pensamento que faz da vida em vez de poética apenas reduzida a um quadro na parede com gente que agora não dependem mais das palavras e sim do querer de outros que pensam em seu lugar. Querem imobilizar as palavras em um livro, em uma constituição, ou a partir da coerção física, é o mesmo que matar as possibilidades da vida nascer. E quando a vida não nasce ela explode em violência dos que não podem mais alçar seus vôos de borboletas: mesmo na efemeridade dos seus prazeres, nos momentos inóspitos em que são impedidos de emergirem, engessados por um discurso monocórdio que se quer assim e não aceita a diferença. Pois é Quintana, você escreve torto por linhas que se querem retas e co-retas. Pois é Foucault, você trilhou em um mundo que se quer equilibrado onde nunca nasça a dúvida: ao fazer isso o desconcertou e causou vertigem nos iluminados. A liberdade da experiência como acontecimento efêmero, onde se sai transformado, fica assim sufocada pelo saber arrogante desse iluminismo, todo remendado em sua pobreza que se quer como verdade purificada. Como já dizia Mateus: “Remendo novo em pano velho, a rotura fica maior”. Profanemos suas verdades?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:ias.famema.br:7781/sigaestudante/imagens/cadeado.gif&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4638764412566182255?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4638764412566182255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4638764412566182255' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4638764412566182255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4638764412566182255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/palavras-so-senhas-odemar-leotti_09.html' title='PALAVRAS SÃO SENHAS - ODEMAR LEOTTI.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R64FBi29h2I/AAAAAAAAAG0/4AK0v0Wdx5U/s72-c/cadeado.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6825634358229374744</id><published>2008-02-04T05:39:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:13:59.548-08:00</updated><title type='text'>NATUREZA AUTOFÁGICA – ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R6cWofIV1TI/AAAAAAAAAGg/fya8mMxTK0w/s1600-h/passagem+na+mata.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163120382610625842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R6cWofIV1TI/AAAAAAAAAGg/fya8mMxTK0w/s400/passagem+na+mata.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Quando a primavera já não prima mais veras -verdades-, vem o outono, ele precisa se verter a si mesmo e alimentar-se de suas folhas em uma autofagia total. Ventos vêm para ajudar na ceifa das folhas que o sol secou e a falta d’água ressecou. Aí revigorada volta a ter primazia sobre si mesmo e as veras verás cada qual. É a prima verando vida, cores, odores. É o encantamento da vida. Abelhas, colibris, borboletas, essas gentes de vida curtinha, mas encantadoras, voam no entorno dessa magia. Fazendo, refazendo, auto-flagelando e realimentando de si próprio, eis o ciclo da vida. É assim que somos e não queremos em nosso anseio de uma origem de uma divindade mórbida e estéril que nos faz origem de nós mesmos. E em nossa soberba lamentamos uma unha cortada, um pedaço de pão doado. Esquecemos que a autofagia volta para nós mesmo em forma de flores. É a magia dada pela ciclagem da vida. Não temos mais nenhum lugar de onde buscar a continuidade a não ser abrindo mão da vida. Da vida, ora que paradoxo. A vida nunca termina, ela se vai e vem nesse ciclo mágico e belo da poética.&lt;br /&gt;Em tempo: um dia quando minha filha, estando comigo em um velório, ela pequenininha falou na frente de todos: porque eles estão chorando pai? Eu falei que era porque havia morrido um ente querido. E ela prontamente em sua leitura de criança retrucou: Ué pai as pessoas tem que morrer para dar lugar para as crianças nascerem! Todos ficaram perplexos e mudos. E aí nos fomos embora. A vida está aí é só abrir nossa janela.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto: Passagem na mata - Obra de Wander Melo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6825634358229374744?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6825634358229374744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6825634358229374744' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6825634358229374744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6825634358229374744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/natureza-autofgica-odemar-leotti.html' title='NATUREZA AUTOFÁGICA – ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R6cWofIV1TI/AAAAAAAAAGg/fya8mMxTK0w/s72-c/passagem+na+mata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-2216022069276029353</id><published>2008-02-01T17:29:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:14:27.398-08:00</updated><title type='text'>A MIRAGEM CAUSTICANTE - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R6PICPIV1RI/AAAAAAAAAGQ/Yr6im3ZCipo/s1600-h/sombra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162189538643531026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R6PICPIV1RI/AAAAAAAAAGQ/Yr6im3ZCipo/s400/sombra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Tantos súbditos se formam à nossa revelia. Vão e vem nesse formigamento que corrói nossa vontade domada. Desejos rondam nossa morada porosa e nos faz desesperados correndo de sua fustigação eterna. Como dói sentir e não poder dar vazão ao espaço sensível do ser pulsante. E a vida pulsa impiedosamente amante do ser. Um ser causticante e invisível nos comanda nas suas grades inóspitas de nós mesmos. Ao mesmo tempo prisioneiro e carcereiro. Não vemos quem nos retrata. Quem nos retrata não existe. É fruto do expectador que é o próprio artista da obra onde nós nos desfazemos e nos roubamos de nós mesmos. Sinto um triangulo nefasto criado em algum tempo e lugar. Sinto-me preso a esse espaço implacável que eu mesmo faço funcionar. O artista retratado retrata o modelo que o retrata. Parece uma repetição da santíssima trindade em sua forma moderna. O pai, o filho e o espírito santo. O espectador-modelo toma-se de arte purificada e iluminada por algo invisível e coloca seu filho, o artista enquadrado a falar em seu nome. Nada mais pode se expandir pelas profanas linguagens do mundo. Tudo agora está recolhido ao mundo pelas mãos do demiurgo que criou o artista iluminado pela ponta mágica de seu pincel. Esse artista engabelado vai dar volume ao mundo. Ele é filho, não mais do espírito santo, mas de uma razão delimitadora do ato de sua operação. As mãos não mais são tateantes na busca do sensível, a fala não mais se contamina com o emaranhado das línguas ao léu do mundo. A vida agora segue uma ordem que está fora do quadro. O expectador em seu lugar invisível dá volume aos artistas que aparecem como profetas não mais e sim como iluminados, não mais da alma suprema, mas de um saber supremo: o Deus conhecimento, que é puro e que se exilou do mundo e que volta para purificá-lo. Eis aí o espetáculo tomando volume. Eis uma miragem causticante. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:www.sir.k.tibete.blog.simplesnet.pt/archive/SIR-K-SOMBRA1.jpg&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-2216022069276029353?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/2216022069276029353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=2216022069276029353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2216022069276029353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2216022069276029353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/02/miragem-causticante-odemar-leotti.html' title='A MIRAGEM CAUSTICANTE - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R6PICPIV1RI/AAAAAAAAAGQ/Yr6im3ZCipo/s72-c/sombra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4060161575488443385</id><published>2008-01-27T14:58:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:17:12.729-08:00</updated><title type='text'>NEBULOSA - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ONwi29h6I/AAAAAAAAAHo/XCfGlQ-emUc/s1600-h/lie.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166629062654658466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ONwi29h6I/AAAAAAAAAHo/XCfGlQ-emUc/s320/lie.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R50OHvIV1QI/AAAAAAAAAGI/pClz_F0CBa8/s1600-h/desespero.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Nada havia à frente a não ser o que já estava instalado no manancial do saber. O olhar rodopiava como um radar melancólico em busca de um sinal de vida. Nada saia da aridez daquela paisagem, nada além do que se pudesse inventar. Invenção dura para uma alma cansada de inventar saídas. Essas paragens pareciam um túmulo a espera de seu corpo. Não conseguia mais parar. O bucólico foi se transformando em uma solidão impiedosa. A vontade de seguir a estrada rumo a alguma coisa era de certa forma algo que tomava conta da alma. Aquele olhar quase não mais piscava, não mexia as pálpebras. Parecia que a quantidade de arvores, águas e tantas coisas que fazia o coração pular com seu bucolismo irradiante ia se tornando pálida imagem que a lembrança e a saudade iam carcomendo. Nessa digestão perversa e mal digerida a alma ia sentindo a corrosão de sua jovialidade. Um exílio se quis e o que se via e sentia era uma necessidade infinita de buscar alguma coisa que nem se sabia se existia. Mal algo precisava existir. Não era possível manter o corpo e a alma em situação tão maltrapilha de sentidos. Os bares, onde estavam? As rodas de amigos, as festas, a vida, pois é a vida onde ela ainda se encontra? Onde está esse lugar incógnito que não paira à minha frente para que eu possa lançar-lhe a rede de meu desespero. Teria que ser tantas redes para tantas camadas de vida que ficaram para traz. Tantas territorialidades que talvez nem existam mais. Só no meu pensamento. Só no meu sonho moribundo de reconstruir parte por parte esses episódios em que me via em sorrisos largos. Eles não existem mais, eis o que não quero me fazer entender. Todos estão se procurando num vácuo que os engoliram. A cada instante refazemos um mundo, outro mundo. Camadas e mais camadas: no tempo de pedaço em pedaço esses habitantes do cérebro, essa matilha cruel que corrói meu pensamento e me joga num caminho de volta em busca de fragmentos de uma vida que parecia completa e que só existe no pensamento de um ser exilado de si mesmo. Pedaço a pedaço, vamos juntando os cacos na vã tentativa de remontar esse brinquedo que a vida se fez e nos fez seus herdeiros. O olhar já não é mais o de criança. Já não se contenta com lugares ínfimos. A solidão já passou a habitar nosso ser. Não conseguimos mais nos livrar do ecoar de passagens que nos atormentam e nos fazem como detritos dessa vida. A família, sua diáspora e os eternos e intermitentes jeitos de se refazer o quadro quebrado. Novas famílias, novas amizades e todas elas se esvaecem como líquidos das mãos alquebradas de nossos sentidos. Sempre se alojando em novos territórios vamos vivendo como viajantes de nossos sentidos subjugados por formas arruinadoras de nossas comuns vidas. Comungar a vida, comuna de gentes se fazendo como barcaças navegadoras do mar bravio do esvaziamento ininterrupto das formas viventes. Ah! E o mundo? O mundo ficou só na lembrança. Só nostalgia nos acompanha. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:www.atuleirus.weblog.com.pt/arquivo/lie.jpg&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4060161575488443385?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4060161575488443385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4060161575488443385' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4060161575488443385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4060161575488443385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/01/nebulosa-odemar-leotti.html' title='NEBULOSA - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R7ONwi29h6I/AAAAAAAAAHo/XCfGlQ-emUc/s72-c/lie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6480766596949697650</id><published>2008-01-26T14:57:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:16:42.993-08:00</updated><title type='text'>HOMEM INVISÍVEL - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R5vD0_IV1PI/AAAAAAAAAGA/nNax4hs1uB0/s1600-h/homem+invisivel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159933113150067954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R5vD0_IV1PI/AAAAAAAAAGA/nNax4hs1uB0/s320/homem+invisivel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Caminhava imerso em seu proceder. Ia, ia e ia... Parava, sentava, bebia. Parecia querer reencontrar a trilha que o levasse de volta ao passado. Coçava as rugosidades da pele, coçava a cabeça. Parecia querer forçá-la a voltar, a retornar. Não tinha mais a quem perguntar, bebia, bebia e bebia. Passava a costa da mão nos lábios com força. Rodava o olhar como se um radar fosse. Parecia procurar alguma fresta, algum cordão de sua Ariadne. Parece querer sair do labirinto. Baixava os olhos como que não encontrasse o fio que o conduziria para casa. Parecia um Ulisses de nossos tempos. Queria encontrar sua Penélope. Baixava os olhos e agarrava a garrafa de plástico. Quem era ele? Um infame da era do plástico. Ah! Que bom que é assim. A tecnologia facilitava seu trabalho. Bastava rodar a rosca, beber e rodar a rosca. E era isso que fazia. Rodava a rosca, abria a garrafa como se dali pudesse quem sabe sair um Aladim para realizar seus desejos. Seus desejos tão pequenos e tão distantes. Queria voltar para casa. Mas não mais existia casa. Queria voltar para os filhos. Mas não mais existiam filhos. Sua memória se atordoava... Parece. Coçava a frieira no vão do dedo do pé. O pé companheiro fiel que com paciência e dor aprendera a criar seus calos como seus próprios escudos. Pés calejados de andarilho. Andarilho ele era. Andava pra lá e pra cá. Porém às vezes parava para beber. Bebia de novo outro gole. Seus olhos arregalavam-se a procura do nada, nada existia além do que sonhava existir. Passava a mão pelo chão vermelho de sua grande morada. Esse chão que não era dele. Tinha que flutuar, porém não conseguia. Não podia habitar a terra. Ia beber outro gole. Ele precisa flutuar. Só no entorpecimento da mente ele se esvaia. Deste território desterritorializado, ele se ia, viajando no sabor do álcool e de seus efeitos, com seus devaneios desertores desta não sua mais vida. Cospe pra fora a cachaça com um empurrão. Alguém o enxotava. - vai trabalhar vagabundo! Flutuar não podia. Sonhava comprar um balão para morar flutuando... Mas não podia. Então se resignava, resmungava, juntava a tralha, rodava a rosca da tampa da garrafa de cachaça, apoiava a mão trêmula, com um gemido de ossos rangendo, avisando a fragilidade da carcaça, a instabilidade das pernas garantia o subir cambaleante. Seu ouvido já acostumado ouvia o de sempre daquele cristão: Some daqui seu pé de cana. Cambaleando saia como sempre, a procura de um outro canto. Ah! Já era quase meio dia. Precisava pedir a comida. Agüentar desaforos era agora a missão. Lá foi ele caminhando sem ter visto na tv que havia aumentado o PIB. Mal sabia ele que aumentou a taxa de desemprego. Só se lembra do aterro. Do aterro que encobriu seu barraco e enterrou sua família. Foi um dia de muita dor, muita gritaria. Ele também gritou. Gritou, gritou... Rosnava como uma fera, blasfemava e xingava sem parar. Quando não adiantava prostava-se de joelho e implorava a morte injusta que não levou todos quando estivesse em casa. Quando sentiu que já não adiantava voltou-se para o chão. Pegou a sua bolsa, tirou a marmita velha e amassada. Tirou depois a santinha, e apertou-a entre os dedos com força.Chorou, chorou, mais alto, mais alto, mais alto ainda, soluçou, abaixou a cabeça e chorou mais baixo, mais baixo, mais baixo, quase só se escutava soluços e choros roucos, quase um grunhido, vergava-se pela impotência de não mais reaver seus filhos, sua mulher. Com um misto de consolação e resignação parecia uma Pietá nos braços do nada, do nada, do nada... Enfiava a mão na sacola, mãos tremendo, tremendo, tremendo... Seria a hora mais cruel, parecia que as mãos não queriam sair da sacola. Seus olhos de novo inundavam de lágrimas, queriam chorar, chorar, chorar... Não havia mais lágrimas pra sair, mas mesmo assim soltava grunhidos roucos, bem baixo, quase um subterrâneo de coração. Soluços roucos e a coragem pulsaram e a mão saiu da sacola. Era um pacote com papel de presente, tinha sinos, desenho de pinheiro, folhas e muito dourado. Ele não se conteve, começou a xingar. Desgraça! Desgraça! Aiiiiiii meu Deus. Por que me desamparaste. Como que mais nada suas mãos tremendo esfregava o barro que continha no presente de Taninha: - Taninha .... Taninha ... Taninhaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!! Explodia em grito. Rasgou o pacote em ódio mortal, soluçava, alisava os cabelos. Gritava... - Ela tinha me pedido, ela tinha me pedido!!!!!!! Era só uma boneca do Paraguai, uma Barbye contrabandeada. Ela viu a americana, ele lhe daria a paraguaia. Gritava - Nem isso, nem isso. Ai meu Deus, nem isso? Soluçava... Baixinho como se ouvisse só uns grunhidos... Sóooooooo senhor? Só? Como que sem nada poder fazer encontrou um pequeno consolo. Rodando os olhos com o brilho reluzente das lágrimas incontidas viu uma pequena flagelada e falou: Toma filha eu não tenho mais Taninha. Numa fala chorosa e resignada soprava: Toma! Pega vai pega!Sem nada mais a fazer começou a andar sem rumo. Ir para onde. Não tinha mais lugar pra ficar, não há mais sair do serviço e voltar pra casa. Não há mais casa. Descia a encosta e caminhava. As ruas enlameadas, as casas enlameadas, as crianças enlameadas. O asfalto, a civilização a loja, a televisão, a notícia. Parou prestou atenção na mulher bonita que falava. E atenção para a última notícia. O governador reuniu-se com seu secretariado e declarou estado de calamidade pública. O número de mortos já passa de trinta. Várias casas foram soterradas. O governador esteve presente no local da tragédia. Amanhã viajará para Brasília em busca de mais verba para obras de contenção. Por hoje é só veja mais notícias no Jornal Nacional. Seu olhar parecia hipnotizado. Nem via a propaganda cheia de sinos anunciando a festa cristã. Para ele não existia mais Natal. Não existia para quem dar sua Barbye a não ser para outras crianças.Passava as mãos no rosto como que querendo limpar lágrimas. Elas não existiam mais. Bebe outro gole e segue. Precisava andar. Não podia flutuar. Andar e não parar. Mal podia parar e vinha alguém para lhe molestar. Sentou debaixo de uma árvore frondosa. Lá estava seu lar. Lá estavam os "pés inchados". Não sabiam se eram bichos ou se eram homens. O que é homem? O que é bicho?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Foto:&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.southalabama.edu/saric/tim/graphics/drama.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#000000;"&gt;www.southalabama.edu/saric/tim/graphics/drama.jpg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6480766596949697650?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6480766596949697650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6480766596949697650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6480766596949697650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6480766596949697650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/01/homem-invisvel-odemar-leotti.html' title='HOMEM INVISÍVEL - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R5vD0_IV1PI/AAAAAAAAAGA/nNax4hs1uB0/s72-c/homem+invisivel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-5912633798271935288</id><published>2008-01-26T12:19:00.000-08:00</published><updated>2008-01-26T16:58:13.233-08:00</updated><title type='text'>FLORES DA NOITE - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R5ut6fIV1OI/AAAAAAAAAF4/_2ZP9VFqaBg/s1600-h/x1pNWjjkHJ3o_zbG-K5mDurnsEixsM-2MA3DZ_nkbEpq4HHGZ0yovkl9eumtGSijhJSiOn5J-jWINJBYb5NI-NRoNzp7UybW9uIWwmjVH2H2fRlR90fZJb8evd20DMx9EZZTkrYngs1U1o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159909018383537378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R5ut6fIV1OI/AAAAAAAAAF4/_2ZP9VFqaBg/s400/x1pNWjjkHJ3o_zbG-K5mDurnsEixsM-2MA3DZ_nkbEpq4HHGZ0yovkl9eumtGSijhJSiOn5J-jWINJBYb5NI-NRoNzp7UybW9uIWwmjVH2H2fRlR90fZJb8evd20DMx9EZZTkrYngs1U1o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O mundo geme e se torna estridente. Abre-se em desarranjo aos desejos inconstantes e sem território. Seres indesejados e amados em suas irrupções incontroláveis. Esse que se faz nascer no escapar da malha capturadora. Mesmo por instante, na sombra da noite, a malha falha. Falhas, fendas, rachaduras fazem brotar flores com alma de borboleta. O mundo abre-se na ironia do trovador que ao aprovar dos risos vai rompendo o fardo do dia. As primeiras mostras de chamas aparecem lentas e tímidas, porém ameaçadoras. Como uma gargalhada despojada, despeja ironia numa noite ardente que se desfazia de seu fogo.&lt;br /&gt;Num lugar qualquer de tantos lugares quaisquer. Nesses espaços desfeitos com seus tempos, seus espaços, seus desejos que pareciam jazer a tempos. Eis que eles reaparecem na voz dos menestréis. Tavernas, vinhos, cachaças, cervejas, gargalhadas na noite. Silvos de vozes quase descabidas e que ainda teimam em se colar em papeis esgarçados de tessituras pisoteadas: massas cinzentas que teimam irromper. Ingredientes de busca das caçadas, das caças cansadas que se deleitam durante o sono do caçador. Aproveitando do silenciar da noite para se abrirem, como flores em flor com o néctar do luar. Esse luar que parece ser o sol dos que o perderam e que teimam em aquecer a alma onde o corpo jaz sem o calor do dia.&lt;br /&gt;A um silêncio e abrem-se em sorrisos etílicos, estilizando-se torpes e se crendo em seus embelezamentos. Sem pernas se aconchegam na ínfima fenda que pode vir morar com o corpo. Palavras que voltam pelo coração e equilibram nos corações que se agarram numa canção de ninar demônios. Estridências de seres desviantes em busca de realimentação de desejos demarcados. Fugas, reterritorializações, transbordamentos por sobre o vazio entediante da razão em sua arrogância totalizante. Fuga da sufocante, da causticante harmonia. Fuga regida por um uivo que abre o silêncio dos normais: as flores da noite se abrem com o riso, liberando desejos contidos e sujeitados. O riso desterritorializando o fardo do açoite do dia para dar lugar aos que não se acoitaram nos braços da essência prometida. Se negando a ficar preso a fundos e se espraiando nos lugares malditos se vingam com suas gargalhadas, deixando à mostra essa boca a todo instante calada. Os olhos, se antes estupefatos com os absurdos do dia, se fecham para dar lugar à voz estonteante, inaudível pelo discurso intolerante da implantação moral perversa.&lt;br /&gt;Parecem que está ali como eles as palavras dos poetas que se fazem em fendas para atrair com beleza as coisas nesse mundo onde a palavra está tão longe da vida. Em meio a tanto discurso do progresso, ali naquele pequeno espaço buscam a felicidade: parece. Mesmo que fugaz se fazem dentro de seus ínfimos recônditos do pouco que sobrou desse “si mesmo”, desse “ser” que se fazia no emaranhado do mundo e que agora era forma que nada valia ao olhar do sábio. Como que aniquilados por formas de ser não condizentes com o corpo, que geme na aridez da distância das palavras. Essas palavras que nos abandonaram para morar no céu da razão e nunca mais voltaram. Essas palavras que deixaram de habitar o mundo e roçar seus poros. Foram morar na pureza e quedou o mundo profano tirando-lhe a propriedade do território de seus desejos.&lt;br /&gt;Fuga dessa armadilha da verdade enfiada mansamente nas cantigas doces de fazer dormir. Ferramentas enfiadas nas falas doces da mãe bem intencionada. Na boca do professor que se achava iluminado, do pastor, do padre, do vizinho: essa coerção feliz fazendo do corpo moribundo e estrangeiro em si mesmo. Lá se foi a verdade inodora, incolor e não tateante. Inoculada goela abaixo moldando o sentimento, reconstruindo a memória. Véus sobre a chama do corpo carcomido.&lt;br /&gt;Desviando do caminho em seus sorrisos no deserto da cidade. O gole abafa o triste fato: não há nada atrás da máscara. Não há outra verdade. O ato deu lugar ao fato inventado como o real. Quando nada mais aconchegava, veio a carência e restou o entorpecimento. Com ele se podia vislumbrar o vazio e o sonho por sobre o vazio. O nada vertiginoso e o pelejante: eis que pequenos instantes de vida, mesmo em sua intermitência, entre o dia e a noite pequenos fragmentos do que se pode chamar de vida se insurge na gargalhada. Esse gargalhar ressoa como se no afã da vida nomeasse o mundo. Como que agarrando ao entremeio da aparência desbotada e nada mais. Nada mais.&lt;br /&gt;Esses rostos parecidos não ser dos escolhidos, seriam dos anjos decaídos. Anjos da noite que rompem com o silencio ensurdecedor dos que teimam dormir. São vigílias da vida que não cansam de teimar em nomear seus querubins. São risos. Durval Muniz diz que são risos do disparate da discórdia. Seriam guerreiros feridos pelo embate duro e surdo de uma guerra sutil que dão o nome de política? Harmonia impossível com nome de paz. Essa guerra que tenta ensarilhar as armas dos guerreiros. Essa paz instituída tem contra ela o sorriso incontido dos que não querem se entregar ao sono dos conformados. Se não lutam, também não dormem: se refazem nas gargalhadas da noite. Gargalhadas contra o domínio de verdades aniquiladoras. O que é são elas: como podemos saber. “Amor, humor, terror”, poetiza Durval. Flores da noite! Seria?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Foto:sarasvati29.spaces.live.com&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-5912633798271935288?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/5912633798271935288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=5912633798271935288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5912633798271935288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5912633798271935288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2008/01/flores-da-noite-odemar-leotti.html' title='FLORES DA NOITE - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R5ut6fIV1OI/AAAAAAAAAF4/_2ZP9VFqaBg/s72-c/x1pNWjjkHJ3o_zbG-K5mDurnsEixsM-2MA3DZ_nkbEpq4HHGZ0yovkl9eumtGSijhJSiOn5J-jWINJBYb5NI-NRoNzp7UybW9uIWwmjVH2H2fRlR90fZJb8evd20DMx9EZZTkrYngs1U1o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-2722632371914840517</id><published>2007-12-28T16:08:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T15:51:55.448-08:00</updated><title type='text'>O que é a vida? – por Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R3WQyHK2lkI/AAAAAAAAADo/ovy_4ZjJ89Y/s1600-h/Angustia.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149180939560457794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R3WQyHK2lkI/AAAAAAAAADo/ovy_4ZjJ89Y/s400/Angustia.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Este texto foi inspirado no tema do poder que em tantos formatos se instituiu como funcionamento social. Hoje vemos que os saberes não devem ser valorizados por uma escala aristotélica taxonômica, classificatória que constrói o ser como espécie padronizada como uma natureza dos que são civilizados e, portanto com direito à opulência, tal como se apropriaram dessa forma temática da vida e de outro lado os considerados seres inferiores, sem poder intelectual e determinados a somente obedecerem e padecerem sem direito a um lugar no espaço dos escolhidos. Os saberes não se dão em forma hierarquizada como quis o filósofo grego, nem na forma mais radical da anulação como quis Platão. Os saberes se criam em espaços diferentes, nem melhor nem pior. Faz-se em matérias significantes e sentem a necessidade de metamorfosear-se em vida. E quando a vida não vem através das significações salutares que empreendemos sobre a natureza das coisas, essa natureza se volta contra nós como um tsunami das almas mutiladas e sem jeito de alçar nem mesmo um vôo de borboleta. E assim sendo se voltam como kamikazes da vida e todos nós entramos em uma paranóia que nós mesmos criamos. Se quisermos uma forma saudável na terra precisamos produzir condições de criações de mundo onde todos possam usufruir o que ela nos oferece sem nada cobrar sem dizer que é para alguns e para outros não. Portanto quando não significamos as coisas de forma que todos usufruam suas benesses, todos significam violências e morte, contra a morte que sobre eles construíram os pensamentos mesquinhos e insólitos. Será que não deveríamos pensar nisso antes de nos instalarmos em julgamentos apressados e outros em seus cargos fazendo coisas nada confiáveis, ou se utilizando da sua função para aquisição para os seus, sua família, traindo uma maioria que tanto via nele seu representante?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foto:www.siriri.blogger.com.br/Angustia.GIF&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-2722632371914840517?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/2722632371914840517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=2722632371914840517' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2722632371914840517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2722632371914840517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/o-que-vida-por-odemar-leotti.html' title='O que é a vida? – por Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R3WQyHK2lkI/AAAAAAAAADo/ovy_4ZjJ89Y/s72-c/Angustia.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4940989765190514683</id><published>2007-12-20T16:07:00.000-08:00</published><updated>2007-12-27T16:51:21.116-08:00</updated><title type='text'>OI EU! TUDO BEM? - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RIaHK2liI/AAAAAAAAADY/auE8xFL6QCE/s1600-h/oespelhodaestalagem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148819887429686818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RIaHK2liI/AAAAAAAAADY/auE8xFL6QCE/s320/oespelhodaestalagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R2sEd3K2lhI/AAAAAAAAADQ/9D2QMDkaRfw/s1600-h/oespelhodaestalagem.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Os lábios mudos ainda beijam o rosto pálido. Vergado pela gravidade, mas ainda macio. Gestos de sonhar em busca de poesia. Frestas acochadas pela parede que impede a saída. O espelho não me conta de meu ser: quem é, se é isso que penso? Não... Não é o espelho. A marca que fustiga meu estar comigo, meu ato de trazer o meu ente para morar comigo, está em outro lugar. Está em lugar que não o de meu corpo e do espelho.&lt;br /&gt;Uma verdade arremessou esse corpo para bem longe de mim. Nem o espelho, nem eu. Uma parafernália de vozes me sufoca, impelindo esse corpo para sua negação. O saber sobre ele já não mais lhe pertence. Já não saem mais dos meus recônditos, as minhas formas de ter o meu ser. Lugares confiscados por um uma busca essencial para os sentidos de meu ser. E eu? Fico aqui esperando outra forma futura? E a criança infantilizada e postergada? E a adolescência onde me deixaram entre os brinquedos e Deus? E as ameaças caso não desfizesse de meu mundo lúdico?&lt;br /&gt;Mandaram-me para frente de trabalho. Meus desejos viraram energia para a grande marcha. Penhoraram minha vida em troca de salário! Toda essa perversidade implantada em minh’alma! E o que vejo agora? Rugas. Pálpebras escuras. Bolsas sob os olhos. Como posso refazer o que foi desfeito? O que o meu eu opõe ao espelho? A discursividade avassaladora que inventou meu viver? E ainda me pedem para me consolar? Vozes a me dizer o lugar?&lt;br /&gt;Classificar-me? De novo me oferecer um lugar? Números novamente? Primeira idade confiscada, interditada? Segunda idade recrutada? Terceira idade segregada? É isto que estão me oferecendo? Ainda querem me dizer para onde ir? Como diz Régio, o poeta: eu vou é por aí! Eu quero um pouco do que me restou. Preciso garantir o silêncio que me restitua formas de liberdade. Devolver-me à minha desmedida. Eu para meu corpo. Para um saber que não me ensine para onde vou. Fazer com que eu me encontre.&lt;br /&gt;Eu, o espelho, sem reflexos. Espelho sem reflexos, palavras de volta à sua profanidade. Eu e o eu espelhado sem medidas, sem adjetivos, sem substantivos. Verbo dever colocado sob suspeita. Soltidão? Quem sabe essa palavra será inventada! Quem sou não há mais, fico sendo, mesmo que seja por efêmeros instantes. Como era não é mais. Como serei? Si serei? Não sei. Sendo na desmessura do ser, livre de marcas aferradas em brasa, pelo discurso implacável. Eu, meu corpo, e o silêncio que me alforria. Nem as palavras me machucam, nem as coisas me negam a vida, elas escaparam de mim, no ricocheteio do discurso perene: discurso nos tempos a violentar o espaço-corpo da minha existência: classificado, medido, especificado, particularizado, por uma ordem que se quer universal. Rechaçado em toda sua heterotopia jovial, em troca de uma iluminada utopia.&lt;br /&gt;Palavras que serviam para a vida traduziram-se em morte. Se a vida se dá por fluxos, a ela foi parcimonizada, esterilizada, tornada raridade. Silêncio: eis o que me resta. Silêncio de criança e o eu voltando para sua antiga morada. Alegria das suas porosidades inibidas. Uma moral causticante que tornou árido o desejo sensorial. O filho pródigo volta ao seu antigo lar. Eu, o espelho e nada mais. Oi eu! Tudo bem? &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Foto:www.contosdeterror.com.br/oespelhodaestalagem.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4940989765190514683?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4940989765190514683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4940989765190514683' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4940989765190514683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4940989765190514683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/oi-eu-tudo-bem-odemar-leotti.html' title='OI EU! TUDO BEM? - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RIaHK2liI/AAAAAAAAADY/auE8xFL6QCE/s72-c/oespelhodaestalagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-6307064640254775336</id><published>2007-12-19T17:48:00.000-08:00</published><updated>2007-12-27T16:54:28.508-08:00</updated><title type='text'>VERTIGEM - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RJLnK2ljI/AAAAAAAAADg/69FZtOoHLzY/s1600-h/zonzo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148820737833211442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RJLnK2ljI/AAAAAAAAADg/69FZtOoHLzY/s400/zonzo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R2nLVXK2lgI/AAAAAAAAADI/7qMEB0lKSFg/s1600-h/zonzo.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Ponho-me a entender que o momento frágil de nossa identidade faz com que nos sintamos em uma vertigem. De tão rápido às vezes nos proporciona uma sensação de fascinação e terror. Esse momento é algo que vive a espreitar nossas vidas, tal e qual quando nos sentimos envoltos no vulto ameaçador de alguém desconhecido que numa situação noturna e apavorante ronda nossa morada, pondo em incerteza, terror e alucinação as possibilidades que formatavam até aí nosso firmamento. Algo assim que costumamos entender como pertencimento, que faz nos identificar como um ente desse mundo. Mas inesperadamente, toda nossa estrutura parece desabar sobre nossos sentidos. Por mais ínfimo que este espaço a nós seja reduzido, ainda assim, lutamos por uma pequena fenda que nos salve. Esse corpo ameaçador é para nós apenas uma silhueta, e isto nos apavora. Idêntico a um ser que nos quer engolir a alma: é isto que traduzimos pela silhueta. Mas se não ouvirmos sua confissão, ou melhor, sem a posse de suas palavras não o discernirmos como uma não ameaça, nos pomos a capturá-lo para afirmação da pulsão da alma, da sua afirmação. É assim que construímos para nós, ou melhor: nos - é construído o que chamam de nossa morada. Então, conhecem de onde nasceram essas poucas palavras, ou essa confissão? Foi de uma epígrafe de Foucault que é assim: Qual é então esse momento tão frágil do qual não podemos separar nossa identidade e que a levará com ele? Viver é aceitar o preço de viver sob um fio de navalha, é viver entre a razão e a loucura, entre a vida e a morte, entre o sorriso e a lágrima, entre a suavidade e o susto.” É nesse espaço prenhe de fragilidade, escorregadio que tentamos segundo a segundo reinstituir o corpo para tentarmos colocá-lo de pé. Esse animal indigente que precisa inventar a vida, para não ser engolido pelo vazio. Fugir da vertigem do vazio: eis o motor da vida, eis o nosso cajado. Peguemos e carreguemos, ele é o nosso fardo. Somos esse animal imperfeito e vertiginoso à procura de um sorriso em meio à tempestade.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Foto:bp1.blogger.com/.../7i_mJEzQqQg/s320/zonzo.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-6307064640254775336?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/6307064640254775336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=6307064640254775336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6307064640254775336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/6307064640254775336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/vertigem-odemar-leotti.html' title='VERTIGEM - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/R3RJLnK2ljI/AAAAAAAAADg/69FZtOoHLzY/s72-c/zonzo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-5301382511092793591</id><published>2007-12-14T16:11:00.000-08:00</published><updated>2007-12-18T18:06:28.438-08:00</updated><title type='text'>IN-PULSÕES - por Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R2h8bHK2lfI/AAAAAAAAADA/TU6pHgBR1gA/s1600-h/tempo_de_viver.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145499379493672434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R2h8bHK2lfI/AAAAAAAAADA/TU6pHgBR1gA/s400/tempo_de_viver.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R2MlKXK2leI/AAAAAAAAAC4/didvADVpoNw/s1600-h/fast_snail_id86636_size350.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Foi um lapso, um instante, uma fenda. Tudo se abriu e eu pude me ver em toda a minha infinitude, em toda a minha inconclusa forma, em toda indeterminação de minha vivência. Ali, naquele não-lugar me encontrei com meu não-ser, minha inexatidão, minha deriva de anos de acumulação, de diretrizes, de discurso moral. Esse ser conectado, ali estava exposto àquele ser em toda sua nudez moral, incompletamente nu, se envolvendo em linguagens soturnas que nos invadem em nossos sonhos e nos pegam fora de nossa vigília diurna: essa vigília moral, à qual somos serviçais, e que faz-nos prestar serviços como verdadeiros guardiões nessa armadura implantada ao molde de nosso corpo ou moldando nosso corpo. Implantação perversa e sutil à qual, vamos aos poucos nos inserindo, e com ela a tentativa cruel de conter nossos impulsos. Seres castrados e alegres, honrados com o lugar de sua aparição, e com a lente da miragem alimentadora. Esse culto ao nada e a sua miopia proximal. Encoleirados e esterilizados, somos soltos por aí, instituídos em toda nossa licitude permitida, limitada e feliz. Então agora, a escola, em a sua força constituidora, interrompe as pulsões, para aí nascer uma porosidade aniquiladora. Uma porosidade bloqueada e não mais do menino deitado sem compromisso com o depois. Lá ficava a olhar para o telhado que desabava sobre seus sonhos instáveis. Essa instabilidade que aos poucos sofreria a intervenção moral em suas sondagens sutis. Fendas não se abrem mais. O olhar desavisado e sem pressa dá lugar ao uniforme da escola. Agora a vida é uniforme. Agora o comum não vale mais. Agora o Universo é escolar, é uniformizado. O mundo agora é o arquétipo espacial das luzes filosóficas. Agora não existem mais fendas nos telhados. Agora o céu está sistematizado e desvelado. Não há mais mistério no céu. As forças absolutas não mais moram nas coisas. O menino não pode mais sonhar. As nuvens estão emudecidas. Seus poros readquiridos passam a drenar energias para a grande marcha do sonambulismo moderno. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Foto:www.i3.photobucket.com/albums/y66/Marota/tempo_de_viver.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-5301382511092793591?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/5301382511092793591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=5301382511092793591' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5301382511092793591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/5301382511092793591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/in-pulses-por-odemar-leotti.html' title='IN-PULSÕES - por Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/R2h8bHK2lfI/AAAAAAAAADA/TU6pHgBR1gA/s72-c/tempo_de_viver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4805956296768742217</id><published>2007-12-14T11:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T18:47:28.491-08:00</updated><title type='text'>AS ESTRELAS E OS ANIMAIS DES-ALADOS - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R2LhgXK2lcI/AAAAAAAAACo/qMGo8OYTCys/s1600-h/starry9ng.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143921670502127042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R2LhgXK2lcI/AAAAAAAAACo/qMGo8OYTCys/s400/starry9ng.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;As estrelas nunca deixam de brilhar. O que existe é só um impedimento aos olhares. O mais lindo é a imagem de sua existência que fica no nosso pensar e que nos dá fé à volta de seus brilhos. O mais triste são os que não olham para o céu. Para eles é indiferente se estão, ou não, lá. Elas sorriem para quem as olham. Já observou uma criança olhando para elas? Dá uma inveja da capacidade de absorção de seu olhar. Sempre mostro as estrelas para a minha Fernandinha, e quando olha, ela não mais me vê. Fico com vontade de chorar de tanta graça que vejo naquele olhar. Às vezes assusto com essa entrega. É uma entrega total ao olhar. Fico pasmo com a o maravilhamento naquele olhar. Não sorri. Não fica falando... Oh! que linda. Não tenta contar para ninguém, não fica falando que curte as estrelas. Não fala mal de quem não olha. Não tenta escrever nada sobe o que viu. Absorve-a em seu mistério. Toma-se em seu desejo, e vai-se da gente. Parece que só a imagem ficou ali. Parece, ao nosso pobre olhar, que ela tem já pronto uma interatividade, um saber já existente com aquele lugar. É com a lua e com as estrelas. Para aquele olhar nem essa diferenciação existe. Isso é coisa da sistematização da natureza. Ela só sabe que é lua ou estrela quando nomeamos para ela esse espaço. Seu olhar é absorto, totalmente entregue a uma contemplação silenciosa, por isso não silenciada. Para seu olhar, esse lugar não é céu, não tem Deus, não tem morada futura. O que parece a uma leitura miúda é que ela morava lá e olha com olhar de uma saudade de quem só pode voltar com o olhar. Um silêncio que para o latido dos cachorros. É algo inexplicável pela divindade desse olhar. Ele ainda não está feito pela implantação perversa do saber clerical. Esse saber, que junto com o racionalismo nos rouba a vontade de olhar as estrelas. E quando a fazemos é sem uma entrega. Não temos garantido o silêncio do olhar. Ele fica carregado de intencionalidade presa ao sistema que determina o olhar. Não se joga e pensa no salto como a criança. Esse saber não mais deixa esfolar a pele, simplesmente a higieniza e inibe o desejo. Daí, uma vez o desejo reinstituído pelo pensamento sistemático, determinador e árido. Sem asas próprias, nosso olhar vai como uma encomenda maldita que não nos desliga das ligações com as verdades transcendentais. O valor que absolutizava as coisas agora requer delas uma ordem que anula seus mistérios e os mistérios de nossos olhares. Não há mais lugar para o nascedouro da vida. Andemos e trabalhemos: essa maravilha é das crianças, enquanto nós cortamos as possibilidades de terem asas. As implantações dessas verdades nos cortam as asas e nos impedem de voar. O pior disso tudo é que implantação não é repressão. É pior, ela rouba a vontade do desejo de voar e nos ensinam a cortar as asas das crianças para que também não mais possam voar. A cada dia a gente arranca uma peninha das asas de nossas crianças. E fazemos com uma eficácia preventiva que elas nem notam que iriam ter asas. Aquelas que não foram impedidas de serem animais alados, são apedrejadas em seu voar e ficam como passarinhos machucados. Os olhos não mais ficam arregalados do maravilhamento, mas de estupor por estar à mercê das pedradas ou da gaiola que as esperam. Anjos matando anjos para que ninguém consiga voar. Voar passa a ser uma loucura. Somente os loucos voam, e os normais esses animais dês-alados, desabados, andam capengando a esmo impossibilitados de ver as estrelas. E quando olham para o chão não vêem mais que um chão sem sentido, não conseguem ver as formiguinhas que se massacram sob o peso dos seus pés... Olhar para o chão e para o céu deu lugar a um olhar para frente. A frente, alvo da marcha contra o agora, à mansidão, o corpo totalizado em seu prazer. Só a frente tem vida. Só lá, e nunca aqui. Essa proliferação maldita rouba de nós o prazer do estar aqui, e sempre queremos estar em outro lugar. Estamos num rio contando que conhece um rio melhor, num bar falando de um bar melhor, invejando o passeio de outro lugar. Enfim não nos encontramos com o agora nunca, pois fomos implantados animais não alados, e por isso somos de um exército de um só, uniformizado. Não voamos e nem queremos voar. Somos muitos, mas não sabemos voar. Não olhamos as estrelas. Que estrelas? Existem tantas estrelas! Como disse Nietzsche: “O quão longe estamos de nós mesmos!” Somos roubados de nós mesmos sem nem ser preciso arrombar as portas. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Foto:www.img281.imageshack.us/img281/5290/starry9ng.jpg&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4805956296768742217?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4805956296768742217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4805956296768742217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4805956296768742217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4805956296768742217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/as-estrelas-e-os-animais-des-alados.html' title='AS ESTRELAS E OS ANIMAIS DES-ALADOS - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R2LhgXK2lcI/AAAAAAAAACo/qMGo8OYTCys/s72-c/starry9ng.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4217951945246861690</id><published>2007-12-05T17:28:00.000-08:00</published><updated>2008-01-06T09:01:10.367-08:00</updated><title type='text'>O ALEATÓRIO E O SISTEMÁTICO - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R1dR_NFiEgI/AAAAAAAAACg/KpVfmJOjxlc/s1600-h/Aleatorio.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140667645953184258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R1dR_NFiEgI/AAAAAAAAACg/KpVfmJOjxlc/s400/Aleatorio.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O aleatório é o pensamento expressado e exprimido que brota no resvalar das fendas e vai alimentando o complexo cotidiano do viver. Entre um engolir constante e a ânsia de um respirar da alma, o pensamento vai formando no aleatório do viver uma pequena chama da existência.&lt;br /&gt;Como um redemoinho tudo vai se desfazendo nesse jogo de guerra entre o desejo de pertencimento e a constante e infatigável necessidade de refazimento da vida.&lt;br /&gt;Como um tecelão incansável, vamos tecendo novas formas onde possamos espraiar nossa vivencia no solo como um louco desvairado se transfigurando em um navegador na busca de seu porto.&lt;br /&gt;Surge o desconhecido, surge o incapturável e a vida é posta no jogo da vertigem, o solo se desfaz de sua solidez e equilíbrio. Nessa hora cruel rogamos às verdades que nos protejam e nos reafirmem no solo para depois a desprezar e tentar não lhe render tributos castradores do ser.&lt;br /&gt;De queda em queda vamos alheando a verdade causticante, o redemoinho engolidor com seu palato incansável de devorar vidas para que outras brotem em seus lugares.&lt;br /&gt;Sentimos-nos então nesse oceano que somos nós, quase, todos. O oceano sobre o qual nos devoramos em busca do flutuar constante se mistura como a água que quase no todo somos como se elas ao quererem se libertar do corpo queira nos trair com as irmãs oceânicas e queira nos imolar nos jogando à mercê de sua forma horripilante como quer nos engolir.&lt;br /&gt;Como bolhas passamos a viver nas espumas flutuantes como resto do mar a ser jogado nas praias junto a uma garrafa para noticiar quem é.&lt;br /&gt;Vertigem no pensar, vertigem no olhar, vertigem é o que sentimos quando perdemos nosso firmamento, nosso solo que inventamos para viver. É essa a nossa sina, é esse nosso fardo. Pega joga na costa esse peso da voz do mundo, do nosso norte, da nossa sorte, desse destino com um milhão de curvas ordenadas por uma reta implacável e perversa.&lt;br /&gt;Assombrados pelo silvar dos ventos vamos apoiando no ar nesse moinho de vento que se constrói no nada uma totalidade tênue e efêmera que nos contentamos para podermos estar aqui nessa nossa pátria, nessa nossa língua morada dos indigentes que se fazem para não se desfazerem perenemente. Essa forma intermitente do viver, esse cajado que recebemos para apoiar nosso ser limite que se desmessura para viver.&lt;br /&gt;Como uma queda abismal no Niágara, vivemos na terra do inferno, na busca do tempo nobre. Como uma queda, nos despedimos a todo instante e nos agarramos ao pequeno arbusto da esperança. Para não quedar, para não esborrachar vamos levantando as mãos tremulas, as mãos ansiosas e inseguras que tentam arrastar o peso do corpo e o desejo da alma.&lt;br /&gt;Queremos a todo custo de volta o topo da fusão. Fundirmos de novo ao aço que nos inteira. Somos ovelhas desgarradas, frágeis e trêmulas que se quedam ao tentar se distanciar do rebanho e que volta ofegante abismo acima na busca de um acalanto do viver, mesmo que seja no colo aconchegante dos que nos querem destruir.&lt;br /&gt;O X da vida, essa incógnita terra. Esse infinito insondável, inclassificável que de forma paradoxal precisamos manter para nos assegurar do novo e da reoxigenação da vida.&lt;br /&gt;Firmação e vertigem. Quando pensamos estar seguros em nosso porto eis que somos arremessados ao desconhecido, ao incógnito que fogem à captura e tornam impotentes nossos signos e com eles nosso entendimento, nossa identidade e volta a ameaçar nossa morada.&lt;br /&gt;E sentindo-se como uma partícula perdida na areia de uma praia gigante, nos sentimos arrastado pelas ondas do oceano profundo querendo nos engolir de novo, na força terrível que faz para nos levar para suas profundezas insondáveis.&lt;br /&gt;Como um moinho que nasce no coração, vamos-nos tornando uma partícula giratória e vamos constituindo um redemoinho da vida, um quadro onde nos chamamos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: www:frasesaleatorias.files.wordpress.com/desenho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4217951945246861690?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4217951945246861690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4217951945246861690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4217951945246861690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4217951945246861690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/o-aleatrio-e-o-sistemtico-odemar-leotti.html' title='O ALEATÓRIO E O SISTEMÁTICO - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rFFJamEp118/R1dR_NFiEgI/AAAAAAAAACg/KpVfmJOjxlc/s72-c/Aleatorio.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-4920936683513376086</id><published>2007-12-01T10:18:00.000-08:00</published><updated>2007-12-05T17:07:41.944-08:00</updated><title type='text'>A trama e o drama - por Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R1Gq_z4vUZI/AAAAAAAAACQ/XfGDzL0F7UQ/s1600-R/img_menino.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139076663043117458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R1Gq_z4vUZI/AAAAAAAAACQ/YndXDE1ro0c/s400/img_menino.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Eis a nossa herança. Pisamos barro pra amassar o nosso pão. E o desejo de viver nunca pode nem existir. Ele já nasce aprendido que é dever de todos servir a nação. Já nasce massacrado nosso desejo de viver. De acontecer. As nossas criançadas são assassinadas num montão de lugares. Na barriga da mãe, nas maternidades de pobre que é o barracão. Na escola de pobre que ensina a escravidão. Na porta da escola que faz dela mula da perdição. No emprego que não dão e quando dão é a preço de escravidão. É meu irmão. É isso ai meu irmão. Nós já nascemos nesse drama por não participar da trama. Essa trama que nas mãos dos que tem a grana transforma o sonho de nossas crianças em drama. Quando fica grande só é homem se for escravo ou tiver muita grana. Não me engana com sua trama. Vamos lá irmãos fazer nossa trama porque a dos grandes não me engana. Vamos lá meus manos virar guerreiros de fé. Não tem lugar pra nós na trama que nos engana que vira somente drama. Vê se não se engana mano, veja lá você. Chega de sofrer, chega de esperar a conversa do político. Agora o político tem que ser você, tem que ser a mãe que consola o filho de barriga vazia que não consegue dormir de tanta fome. Somos o público da política. O público tem que mandar na política. Para isso tem que construir sua escrita. Fazer política é direito do público. Não vou viver da trama de quem não me ama.&lt;br /&gt;Todo mundo viu o menino quando ele já estava lá. Roubando uma quirera. Ninguém quis ver quando chorava no berço como criança que não mama. Sua mamadeira estava na conta bancária do bacana, do ladrão considerado e abraçado que vive nos enfiando sua trama. Quando morria de fome no morro ninguém ligava, ninguém reclamava segurança pra ele poder viver. Agora que ele desceu o morro atrás de grama, da marca de tênis mostrada na televisão ou no pé do playboy ou de quem se vendeu pra droga. Ah! Todo mundo reclama. Mas quando chega à loja não tem grana e ninguém nem lhe atende, e só chama a cana. Chama o segurança e fala: espalha menino! Cai fora! Se não chamo a polícia! É isso o que acontece. Ninguém vai tecer seu viver se não participar da trama. O tecido é nossa cama se vier de nossa trama. Na trama do bacana nada fica de sério, só tece buraco no cemitério. Tem muita lama. Segunda feira está chegando e é aí o nosso dia. Dia de fazer esse país enriquecer e esquecer que nós fazemos parte do trabalho e não da ceia. Que coisa feia. Mas que adianta. Ninguém se levanta! Com essa trama que ensina a escravidão, faz da escola fábrica de otário do bacana. Nas igrejas, nas cantigas de ninar. Desde pequeno a criança aprende o refrão da escravidão. Servidão, obrigação, honestidade sem ter direito à dignidade. Ensina ele a servir, a ter dever, mas nunca ninguém divide com ele o prazer. Prazer que nunca tem e nunca terá. Prazer de Angra, de Cabo Frio, de Ipanema, da Barra da Tijuca e nunca ninguém convida ele pra curtir fim de semana em Búzios. Que malvadeza, que nada, nós é que damos moleza. Aperta o cerco. Façamos a guerra, façamos nossa trama. Aí mano. Ninguém nos engana, pois a frase não mais será uma sentença, como a lorota da escola. Antes de aprender a vírgula aprendi o verbo servir. Agora o verbo vai se chamar libertação: da enganação, da enrolação de uma trama de bacana que nos escraviza e nos joga na lama. Por isso mano. Na nossa trama você se chama, pois vai ter nome, não de bacana, mas de quem te ama. Com nome ocupa um lugar nesse espaço roubado de nosso viver por uma trama de gente que não gosta da gente e nos enrola em sua trama. Vamos nos mancar, vamos nos aclamar. Queremos ter nossa trama e não a trama dos bacanas. Chega professor de fazer de conta que não vê a coisa indo para a lama. Esquece essa gramática que não cabe nossa língua. Ela só faz a criança entrar no cano da escravidão do pensamento usado pelo bacana. Vamos irmão construir a trama! Vamos ligeiro antes de nós todos morrermos nesse drama. A vida é boa, mas tem que ser pra todo mundo viver. Na nossa trama ninguém se engana. Chega de drama.&lt;br /&gt;Foto:www.esgotoevida.org.br/images/img_menino.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-4920936683513376086?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/4920936683513376086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=4920936683513376086' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4920936683513376086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/4920936683513376086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/12/trama-e-o-drama-por-odemar-leotti.html' title='A trama e o drama - por Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R1Gq_z4vUZI/AAAAAAAAACQ/YndXDE1ro0c/s72-c/img_menino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-9040741621527106081</id><published>2007-11-25T10:41:00.000-08:00</published><updated>2007-12-28T16:21:38.891-08:00</updated><title type='text'>VERDADES? - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R0nGl-hjdPI/AAAAAAAAAB4/Rf8gGMgZ7_o/s1600-h/cerebro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136855205733954802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R0nGl-hjdPI/AAAAAAAAAB4/Rf8gGMgZ7_o/s400/cerebro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:arial;" &gt;Que mecanismos produzem uma linguagem ao mesmo tempo soberana e discreta? Quando falamos de linguagem e discrição do que estaríamos falando? Não seria esses dois funcionamentos que produzem efeitos de poder por sua modalidade inventora, por positivações, de subjetividades? Eis o que me causa espanto. Para Foucault, as palavras tornam-se soberanas por “receberem a tarefa e o poder de ‘representar o pensamento’”. Mas representar sofre aqui um deslocamento do sentido de tradução para fabricação de “um duplo material que possa, na vertente externa do corpo, reproduzir o pensamento em sua exatidão”. Com linguagem clássica o valor absoluto das coisas passa no século XVII a somente ter sentido dentro de um sistema geral. As formas absolutas das existências singulares passam a somente ter existência como dados a serem conectadas a uma totalidade sufocante. Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber que: “o mundo não se abre com facas... Desaprender oito horas por dia ensina os princípios...” (Manoel de Barros-O livro das ignorãças). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;strong&gt;As verdades se esgotam em si mesmas, em suas inexistências emergidas por sonambulismos. As coisas vão re-existindo-se, lambendo-se as feridas deixadas por sentido que se bastam em seus limites e aniquilam a experiência implantada perversamente que devoram a terra e faz do mundo um espaço da servidão a uma soberania discreta.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:arial;" &gt;Foto: www.arrastao.weblog.com.pt/cerebro.JPG&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-9040741621527106081?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/9040741621527106081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=9040741621527106081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9040741621527106081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/9040741621527106081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/11/verdades-odemar-leotti.html' title='VERDADES? - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/R0nGl-hjdPI/AAAAAAAAAB4/Rf8gGMgZ7_o/s72-c/cerebro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-1400992590868491987</id><published>2007-11-05T15:13:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T15:45:26.199-08:00</updated><title type='text'>ESCREVENDO COM OS RECOLHIMENTOS SONOROS DO MANÉ DE BARROS - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-lNt01L8I/AAAAAAAAABM/V6MLWIBjDDo/s1600-h/formiga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129500155656351682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-lNt01L8I/AAAAAAAAABM/V6MLWIBjDDo/s320/formiga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Voar fora da asa, chover no futuro, molhar o que não se podia, molhar meu conforto, buscar uma rolha pra fechar o céu, dar passos leves ou canoar ligeiro na enchente, viver no meio dessas águas que não tem lado de lá, só o céu e água o dia inteiro. Dias e mais dias ficou isso na vida de um canoeiro. Cagada de urubu me faz pensar fora da chuva, ou ver as árvores por cima, já é algum consolo que aumente a estima toda molhada por dentro e por fora. Ver o pacu virando pássaro e comendo carandá nas copas da mata.&lt;br /&gt;O nome me nasceu junto com a unha, pois na hora do sacramento só o principal da festa não entende nada. Mas meu vulto é seu adejunto, pois o mundo não respeita sacramentos e vai enfiando o dedo aonde não é chamado. Vira cabo adjunto e lá se vai os nomes e só fica as unhas que não para de crescer e ficar com pretume denunciador. E não falta olho pra nos mandar cortar ou limpar. Não esquecemos nossa origem, pois não fui fabricado em pé, diz o Mané, que assim falou o Apuleio, que se tornou o passado obscuro dessas águas...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Foto: www.lippin.files.wordpress.com/2007/06/formiga.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-1400992590868491987?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/1400992590868491987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=1400992590868491987' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/1400992590868491987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/1400992590868491987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/11/escrevendo-com-os-recolhimentos-sonoros.html' title='ESCREVENDO COM OS RECOLHIMENTOS SONOROS DO MANÉ DE BARROS - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-lNt01L8I/AAAAAAAAABM/V6MLWIBjDDo/s72-c/formiga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-620822699280726881</id><published>2007-06-24T19:59:00.000-07:00</published><updated>2007-11-06T17:19:02.467-08:00</updated><title type='text'>ARTAUD, NIETZSCHE E A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn8xCoPbhEI/AAAAAAAAABE/_VOdvjvqkiU/s1600-h/teia+da+vida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079832825928844354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn8xCoPbhEI/AAAAAAAAABE/_VOdvjvqkiU/s320/teia+da+vida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;"Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página: por isso a palavra escrita é muito triste. Mario Quintana".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Cuidemos de tudo que decida nossa vida. Nossa vida, não a temos pronta. A temos sempre sendo, sempre sendo e sempre tecida no dia a dia. Esse fazer constante da vida pelas palavras, através das palavras tornadas signos encadeados. Feita de palavras, mas antes de tudo dentro de um espaço político. Político entendido como um campo de guerra de todos contra todos. É nessa interface entre as palavras e as coisas que se dá o teatro político. Entendendo nesse caso política como continuidade da guerra por outros meios em uma terra conquista e usurpada pela força. A vida como “lugar da improvisação e da rigorosidade matemática, como no teatro. As coisas estão por aí, devemos buscá-las procurando, como”Artaud procura uma linguagem através dos signos, de gestos e objetos, com a ‘importância dos sonhos’”. Para ele, a reunião que cada qual faz da palavra obedece a leis, diria a regras de sua aparição, segundo Foucault. Leis e regras são coisas dos homens e o mundo nasce das semelhanças das palavras. A diferença surge das analogias que tomam assento em novas territorialidades violentando-as e tornando-as contaminada de novas territorialidades da ocupação de seu espaço. Esse espaço das palavras sofre com essas capitulações, novas analogias de sua formação e é dentro dele que os corpos se movem e é aí que as relações que emanam de cada imanência se cruzam, se resvalam, se contaminam e formam novas territorialidades diferidas no espaço e no tempo. Novas palavras, novas violações da natureza das coisas. Ideogramas da China, hieróglifos egípcios como afirma Artaud. Eu acrescentaria que para nós as formas das escritas Astecas, Incas, da infinitude dos mistérios das múltiplas culturas das sociedades aqui existentes antes do ato de conquista. Estas formas de vida forram submetidas pela guerra de conquista e depois essa guerra tomou forma em guerra dos sentidos. Tudo se tornou um emaranhado de sentidos, mas predominou como saber dominador, o do invasor em sua tentativa de supressão do espaço das multiplicidades, tanto das culturas quanto de sua transmigração para o interior de cada um. O que podemos dizer que primeiro foi a guerra depois a política como sua continuidade.&lt;br /&gt;Não podemos generalizar a vitória de um lado, pois as contaminações se dão de todos os lados no embate dos sentidos e de suas apropriações infinitas no tempo e no espaço. Foram contaminados pelos europeus, mas estes se contaminaram com os saberes e podemos dizer inclusive fizeram uso dessas culturas em situações complicadas que trazem e trarão grandes problemas, tais como o uso de drogas adquiridas com essas culturas. Portanto antes de a eles se “submeterem” os submeterem a novas analogias misturadas e disfarçadas pelas simulações, porém mesmo não sendo intencional, podemos dizer que o próprio ato de apropriação se dá com cada forma do estabelecimento das leituras e das condições de sua produção e não unicamente como quer um tipo de historiografia. É nesse palco improvisado e rigoroso em suas formas análogas das palavras e dos símbolos que nos sentimos sendo, nesta terra mundializada em tantos mundos e em suas digladiações simbólicas.&lt;br /&gt;"O Pesa nervos", “a vida é queimar perguntas”, o que deve reportar a Pedro Abelardo, [30 nota] dando um passo além de Descartes: a dúvida não deve ser apenas metódica até alcançar a evidência, mas a atividade mental deve ser levada a um tal ponto de interrogar-se que chegue à "destruição da evidência".&lt;br /&gt;Pode-se observar nisto tudo a palavra dançando na linguagem, tirando dela toda a sua solidez e, mostrando toda sua bela imperfeição. Instauro-me no nada, no solo inseguro da linguagem que me desmonta, me destitui e me faz ser um eterno guerreiro da vigília do entendimento do mundo. Mundo foi feito para ser feitura constante onde eu seja seu protagonista da feitura. E isso não para de ser assim. Se não fazemos de forma salutar as coisas nos vêm de forma perversa e destruidora. Como nos afirma Hölderlin, as palavras servem para fazer a vida e para enunciar a morte. Vivemos nessa vertigem constante. Não podemos entregar sua feitura a outrem. O estanhar do mundo é uma constância luta em torno dos sentidos. O que nos oferecem como forma pronta pode ser nossa destruição naquilo que nos caracteriza como ser pensante. Portanto a evidência deve ser usada e descartada ou nem mesmo usada, porém o importante é que não aceitemos nada com evidência definitiva, e devemos sim perseguir a resposta e massacrá-la com novas perguntas. Os sentidos são como uma teia de aranha: é frágil a ponto de se desmanchar a um leve toque de dedo, porém tem a consistência e a solidez ao enfrentar a mais forte tempestade. Ao encontrarmos uma teia em um ramo de árvore e o a tocarmos se desmancha facilmente, porém se quebrarmos essa galha e a jogarmos a um mar enfurecido, a teia flutuará e se condicionará no relevo de suas ondas e sairá intacta. Essa metáfora da teia, nos presenteada por Nietzsche, serve para entendermos que a vida é feita de signos, de sentidos produzidos na linguagem, e, portanto tem a fragilidade de se desmanchar a um pequeno toque e a consistência de suportar as mais terríveis avalanches. A vida é produto de nossa eterna vigília e tessituras infinitas. É isso a vida: o nada e o ser-no-mundo, sendo feito e refeito, onde somos artistas de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Foto:www.jomasipe.no.sapo.pt/web_roda_da_vida.jpg &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-620822699280726881?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/620822699280726881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=620822699280726881' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/620822699280726881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/620822699280726881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/06/artaud-nietzsche-e-fragilidade-e.html' title='ARTAUD, NIETZSCHE E A FRAGILIDADE E CONSISTÊNCIA DAS PALAVRAS - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn8xCoPbhEI/AAAAAAAAABE/_VOdvjvqkiU/s72-c/teia+da+vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-2936856142104587205</id><published>2007-06-23T15:34:00.000-07:00</published><updated>2007-06-23T16:03:26.523-07:00</updated><title type='text'>Revisões “Angelicais Augustas dos Anjos” - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn2hJIPbg_I/AAAAAAAAAAc/2BQOYbMvfvk/s1600-h/coropo+preso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079393132946883570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn2hJIPbg_I/AAAAAAAAAAc/2BQOYbMvfvk/s320/coropo+preso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt; “Augusto” é o pensar mais próximo da pele. Da pele é onde tão distante ficamos. Na nossa sina de engendramentos malditos que nos fazem distantes de nós mesmos. Sem repressão, sem proibição alguma; eis aí o que há de mais terrificante. Somos redistribuídos em nossos desejos. Somos incitados a exercer nossos desejos. Engendrados nas fórmulas da busca da pureza. Onde moraria esse ser longínquo da busca. Esterilidades das formas nos fizeram seres anômalos, tristes e longe de nós; porosidades corrompidas, ardiladas; enfeitadas com cerejas da morte do ser, e o mais ilógico raia como um sol. As fendas deixadas pela imperfeição postam tênues clarões de luz dos anjos do “augusto” sufocado. Escarrar quando não mais se beija! Beijar quando não se precisa escarrar! Apedrejar quando nos faltam as pernas dilaceradas, mutiladas por uma mentira que nos roubou de nós mesmos. Apedrejar a quimera má, na busca de nossa última quimera... Feito de sonho de retorno a nós mesmos a fazer uso de nossa pele, nossos poros... O ensejo das carícias redivinizadas. A mão como “anjo” acaricia às custas dos apedrejamentos da moral causticante que não aceitava devolver-me ao meu corpo como minha última quimera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Foto:www.blogdapalavra.blogs.sapo.pt/arquivo/valeria.conflitos.jpg&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-2936856142104587205?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/2936856142104587205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=2936856142104587205' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2936856142104587205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/2936856142104587205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2007/06/revises-angelicais-augustas-dos-anjos.html' title='Revisões “Angelicais Augustas dos Anjos” - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rFFJamEp118/Rn2hJIPbg_I/AAAAAAAAAAc/2BQOYbMvfvk/s72-c/coropo+preso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-116061332288511687</id><published>2006-10-11T17:22:00.000-07:00</published><updated>2007-03-02T18:24:33.368-08:00</updated><title type='text'>O NOBRE E O POBRE - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Rejbl1xsgnI/AAAAAAAAAAM/MZDBbZCjj6U/s1600-h/favela-2-.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037517626351059570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Rejbl1xsgnI/AAAAAAAAAAM/MZDBbZCjj6U/s320/favela-2-.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que é o ato de nascer a não ser tomar posse de um mundo infindo e belo.Porém quando nascemos não escolhemos o lugar desse ato e nem mesmo a forma de nos apossarmos deste mundo. Nascemos em um mundo já pronto e criado à medida dos homens. Tanto faz, um como outro homem nasce cada qual no lugar a ele reservado. Uns nascem na fartura material e por ironia do destino vive na miséria artística que faz com que sua vida seja abundante de comida, de roupa, de conforto. Porém sabemos de tantas notícias do paradoxo que não se quer falar. O paradoxo é que em dado momento da vida se pudéssemos radiografar os sentimentos de cada um veríamos alguém sorrindo em um barraco de favela, ou mesmo doando ao vizinho um copo de arroz, café ou dividindo o dinheirinho para o outro comprar um remédio, ou ainda plantando em latas jogadas fora pela cidade plantas para ‘curar’ dor de barriga, ‘cheiro verde’ para temperar a vida, boldo para aliviar a ressaca ou mesmo a dor do fígado do vizinho. Simultaneamente, veríamos em bairros de luxo, em condomínios pessoas de olhares sem vida, freqüentando sessões de análise, veríamos assassinatos de filhos pelos pais e de pais pelos filhos: por dinheiro, por ciúme ou por mesquinharia na disputa pelo espólio de um morto que mal esfriou o corpo. Então nos perguntamos quem é nobre e quem é pobre?&lt;br /&gt;Sou um paulista, saí de lá ainda menino, por não poder sobreviver em minha terra. Segui a família em sua sina de busca de lugares melhores e um dia tive que voltar à minha terra paulista. Lá uma família de nordestinos me ajudou a iniciar minha sobrevivência. Sim, uma família de nordestinos! Misturei meu sangue de paulista com sangue de nordestino e meus filhos (primeiro casamento) são herdeiros desta mistura, e tantos e tantos em São Paulo também o são. Além do mais, São Paulo foi construída pelas mãos de mineiros, nordestinos e de tantos paulistas que não fizeram parte da herança da riqueza produzida por seu venerado estado. Portanto, podemos dizer que São Paulo é fruto de tantas subjetividades que o fazem às vezes belo e aconchegante, e às vezes racista e hostil. Mas o que é mesmo São Paulo? Ele podemos dizer é fruto de pensamento pobre e pensamento nobre. Então voltamos ao começo: o que é nobre e o que é pobre? Será que ser pobre é ser esse povo belo que trabalha sem parar para construir a cidade grande e majestosa, e depois morar fora dela, na periferia da favela? Então, o que é ser nobre e ser pobre? Nobre seria nascer em berços de ouro e crescer sem assentar nenhum tijolo, e mesmo assim, ter tudo na mão fruto do suor dos pobres? Pobre seria assentar tijolo para si e para o outro e de troco não guardar rancor e construir suas alegrias, suas músicas, suas danças? E o que é ser nobre? É construir teatros que pobre não entra? É construir cinemas que pobre não entra? É construir conservatórios musicais onde pobre não aprende?&lt;br /&gt;Então o que é ser pobre? É ficar fora do teatro e construir sua representação pelas avenidas carnavalescas e ser visto pelo mundo? É ficar barrado no conservatório musical e fazer sambas famosos e gostosos pela riqueza poética? É produzir músicos de ouvido como Pixinguinha, Cartola, Jamelão, Adoniran Barbosa e etc e etc e etcétera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é ser nobre? É poder freqüentar escolas pagas e confortáveis e depois dizer que está pronto para resolver os problemas dos pobres? É ter papai e mamãe bancando os estudos para serem médicos, engenheiros, e depois estar ‘pronto’ para governar o povo? O que é ser nobre? É ter uma vida vazia por ser educado desde a mais tenra idade para vencer na vida? Para superar seu amiguinho? Para não brincar na rua com pobre? Ser nobre depois de formado é cheirar cocaína, fumar maconha, beber whisky, freqüentar sadomasoquismo, pagar para ser chibatado, pois precisa gozar um pouquinho? Ou ser nobre é agüentar uma família conservadora que o consumirá e o fará ser corrupto para que suas mulheres vazias possam gastar em lojas de luxo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então pergunto o que é ser pobre? É construir a teia de Penélope. É postergar o desejo incontido dos iluminados que querem salvá-los, ou dos liberais que lhe prometem o progresso e depois os deixam sós, tendo miséria física como excesso? Ser pobre é acertar as contas devagarzinho? É esperar a hora certa de ter seu lugar de pensar? É ter astúcia pra inventar a vida onde quase nada sobra para ele? É apesar da mesquinhez do que se quer nobre, o pobre ainda inventa música para o nobre cantar pra fugir do vazio que só ele sabe produzir para si? É apesar de nada ficar para ele, ainda ter a arte de inventar a dança pra ele e para dividir com o nobre que teve o teatro, mas não criou a dança, não criou a arte de vida? Ser pobre é não ter para ele conservatório, mas consegue assim mesmo fazer música para alegrar a vida da nobreza que freqüenta a escola, mas não tem musicalidade ligada á vida? Ser pobre é fazer a música que faz dançar a fremência da vida enquanto o nobre vai ouvir música para fugir de si mesmo? O que é ser pobre e o que é ser nobre? Nobre é rico e pobre é o que? Será que não está tudo invertido? Se deslocarmos o sentido de riqueza como tesouro do coração não estaríamos entendendo que o que é chamado de pobre não seria o que mais se aproximou do que falou o Mestre de que: “onde estiver teu tesouro lá estará seu coração”? Será que ser pobre não seria estar mais próximo do que o Mestre falou de que: “riqueza boa é aquela que quanto mais a dividimos mais ela se multiplica”? Então se entendermos riqueza pensando junto com Jesus o pobre é o rico e o rico é o pobre? Então o que é rico e o que é pobre? Hoje vemos uma minoria querendo produzir bastante riqueza e uma maioria querendo dividir pobreza. O país está dividido entre o que então? Entre rico pobre e pobre rico? E nós o que somos? Pobres ricos ou ricos pobres? Eis a questão das palavras. As mais inocentes são as mais perigosas. Palavras como disse Hölderlin, “as palavras são como parábolas, servem para fazer viver e servem para matar”. Portanto, usemos com cuidado as palavras. Então, como você se considera depois de tudo que polemizamos? Você quer empobrecer sua alma para ficar rico e viver num mundo de lágrimas, hipocrisia e violência ou quer enriquecer a vida e viver nesse oceano de sorrisos? Pois é! Nesta eleição está em disputa um menino de origem nobre e um menino de origem pobre. A escolha é sua. O Brasil está em suas mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.arkesta.org/imagens/favela-2-.jpg&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-116061332288511687?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/116061332288511687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=116061332288511687' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/116061332288511687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/116061332288511687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/10/o-nobre-e-o-pobre-odemar-leotti_11.html' title='O NOBRE E O POBRE - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Rejbl1xsgnI/AAAAAAAAAAM/MZDBbZCjj6U/s72-c/favela-2-.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-115895907196061863</id><published>2006-09-22T13:39:00.000-07:00</published><updated>2007-11-06T15:42:08.258-08:00</updated><title type='text'>O TEXTO ESTÁ TECENDO O NOSSO AMANHECER - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-sut01L9I/AAAAAAAAABU/n7g1wtBVx3Y/s1600-h/tecer_economia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129508419173429202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-sut01L9I/AAAAAAAAABU/n7g1wtBVx3Y/s400/tecer_economia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu gostaria de falar de tantas coisas, mas meu coração está ' parado,' perplexo, perante tanta infâmia. Parece ressoar a voz de Castro Alves quando lamentava a tripudiação dos hipócritas perante a frente dos incautos, dos trabalhadores, de tanta gente que nascem nesse país. Parece que estamos condenados a uma desgraça eterna. Uma escuridão sem fim. Parece que os senhores não abrem mão do mando do país, custe o que custar. São os desvairados que acham que são donos do país. Este país é de todos e o queremos pela democracia política. Aquela que os gregos inventaram para se livrarem do poder palaciano. Construir uma escrita que possa ser nosso texto. O texto onde não existe o grito triste das crianças, o gemer dos velhos perambulando pelas ruas e vielas apoiando-se nos cantos destas cidades, estas mesmas cidades que ajudaram a construir e que não podem habitá-la e quando podem lhes faltam o respeito e a dignidade humana que lhes proporcionem uma vida bela. Nosso texto não terá mães chorando na porta dos presídios por ver seus filhos sendo presos da miséria. Da miséria filosófica, da miséria religiosa hipócrita e perversa que não tem escrúpulos em embolsar o parco dinheiro dos pobres. Em nosso texto não haverá rios se perdendo na podridão que lhes transformam, tornando-os esgotos. No nosso texto a vida poderá sorrir ao amanhecer e repousar ao anoitecer. Anoitecer a tecer cada minuto do descanso da mente para que seu filho repouse e acorde sabendo que irá produzir para todos e não para uma minoria sedenta de lucros para suas mulheres devassas e vazias. Nosso texto não trará consigo os dias cinzentos em que a elite falida e cartorial necessita criar para sobreviver em sua pobreza de espírito. Criminosos que produzem outros criminosos. Em nosso texto não haverá espaço para filas de hospitais. As crianças poderão sorrir nas ruas e não vão precisar vender chicletes. Nem seus coleguinhas serão assaltados. Em nosso texto haverá somente a poesia. Nele as coisas aparecem por magia e a magia se concretiza pelo fluir constante das coisas significadas e que estarão a serviço do prazer da vida. As coisas quando não são buscadas pela poesia da vida volta com sede de vingança e molesta todos aqueles que não as respeitarem. As coisas boas haverão de brotar neste país. Nem que custe o nosso sangue o preço de seu brotar de frutos. E quando um povo diz que prefere morrer que aceitar a injustiça aí começará a grande revolução. Foi assim no Irã: linchamento daqueles que humilharam o povo sofrido. Será assim em todos os lugares em que não deixam brotar a flor do fluxo da vida. O que será que quer a nossa elite parasitária? Será que querem ver um país em chamas? Será que somente assim cederão o direito de via aos brasileiros? Só sei de uma coisa. O texto está sendo tecido de muitos textos. Da humilhação da criança que é humilhada. Do discurso da elite que chama todos os trabalhadores e inclusive nosso presidente de "vagabundo". Deixe estar, tudo isso são fios que se entrelaçam e formarão o tecido, ou seja, o texto da libertação. Não libertação transcendental. Mas será ressuscitado o texto de Heráclito. O jogo de AION. O texto de Parmênides será esgarçado em farras públicas. Veremos o povo em gritos e sorrisos rasgando e esgarçando o texto que fecha o mundo. Estará nascendo então o texto do jogo da criança. Do jogo de uma liberdade que nunca poderá ser apropriado por nenhuma forma de explicação. Uma liberdade que será o próprio texto se abrindo para o mundo e rompendo as entranhas da alma coletiva e estatelando o mundo duro e fechado. Aí os homens voltarão como o filho pródigo para o berço de si mesmo. Nunca mais estará sob o véu do discurso transcendental em toda sua hediondez hipócrita fabricadora da ilusão platônica e kantiana. Nascerá o novo dia do novo texto. A Escrita do povo está tecendo. O ovo da serpente está chocando. O texto da vida nascerá um dia. Ele já está frutificando nos votos firmes que o LULA está recebendo. Ele já dá 'as caras' ainda adolescente, mas que não quer mais se misturar com o texto da podridão feito com as garras de homens asquerosos, abutres da nação. Uma elite que tem uma história que nunca deverá ser contada para as crianças. O texto está nascendo da dor da lama da periferia. Ele dança a dança do rap. Ele entoa na voz do funk que brinca com uma sexualidade roubada e mutilada, e por isso, cria o pudor dos que não gosta, mas a periferia gosta. O texto está nascendo na cantiga de ninar da mãe lacrimosa que nina a criança de barriga vazia. O texto está nascendo no choro da criança que não pode escapar de morrer soterrada. O texto nasce no canto dos que não tem mais com quem contar a não ser inventando de novo a vida. Uma vida que nascerá do seu próprio texto. Aí teremos nossa própria língua. Nossa própria escrita. Escrita que não é presa à cópia de uma origem certa por ser presa a um centro e que dá direito aos risos dos idiotas que acham que existe uma essência inicial. Da vida do 'nóis vai' está nascendo o texto. Como diz Carlos Valter, é melhor dizer 'nóis vai' e saber aonde ir do que dizer nós vamos e não saber para onde ir. Por isso é em tudo que existe de soluços, das cantigas, de cochichos transgressores, de fofocas demolidoras da origem das ordens do centro que se quer emanador de verdades das elites parasitárias. É das fendas, da lama do dia a dia. Do pó preto que temos que respirar. Da dor sufocada que temos que agüentar. Do barraco pequeno que a gente tem que morar. É aí que a nossa gente vai se afirmar. O beabá aberto e livre irá dar a tônica do nosso enredo. Os tambores irão rufar, as portas irão se abrir e o povo irá se encontrar para gritar que está nascendo a criança. Aí entenderão que o texto do povo, a escrita dos humilhados, a grande escrita da liberdade estará estrondando em grandes raios de vida. A praça irá se encher de gente, e a canção ressoará o canto que enxugará os olhos das mães sofridas, apoiará os velhos maltratados, carregará e cantará o ninar das crianças sem comida. É o texto que vai nascer um dia. O texto que será a escrita do poder do povo. É a escrita nascida de vários fragmentos de sangue, de lama de barranco. É o texto sujo de chão. Será a filosofia das margens a sufocar o centro castrador. E avisemos aos incrédulos que o texto está tecendo o nosso amanhecer. O texto ungido pela dor do povo. O texto está nascendo. A escrita do povo. A escrita de um novo poder. Ele não se localizará, não nunca. Ele será o alimentador do discurso do poder do povo. A nossa escrita está nascendo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.tratosculturais.com.br/qf/Capas/Abertura_...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-115895907196061863?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/115895907196061863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=115895907196061863' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115895907196061863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115895907196061863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/09/o-texto-est-tecendo-o-nosso-amanhecer.html' title='O TEXTO ESTÁ TECENDO O NOSSO AMANHECER - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry-sut01L9I/AAAAAAAAABU/n7g1wtBVx3Y/s72-c/tecer_economia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-115760023613310498</id><published>2006-09-06T19:42:00.000-07:00</published><updated>2007-11-06T15:46:51.286-08:00</updated><title type='text'>POSSIBILIDADES HUMANAS OCULTAS - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry_HU901L_I/AAAAAAAAABk/ZqKyWCmcCRM/s1600-h/103_macau_conchas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129537663605747698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry_HU901L_I/AAAAAAAAABk/ZqKyWCmcCRM/s400/103_macau_conchas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;As dimensões humanas são espaços que não devem ser colocados de lado em nossas buscas do entendimento quanto ao que nos coloca o documentário (QUEM SOMOS NÓS?) sobre o intangível da produção. A relação dos homens com o mistério tal e qual nos oferece as coisas como forma de atingirmos um sentido que nos faça pertencentes ao mundo, pode ser deslocada da busca das objetivações para as formas literárias através das quais as ciências humanas se utilizam para construírem suas linguagens de nominações das coisas. As coisas não têm sentido por si, e sim pela descoberta que lhes fazemos pela poética produzida pela escrita que utilizamos para tal procedimento. Existem possibilidades humanas ocultas que se desenvolvem em uma produção infinitesimal. O poema e seus versos são de uma elasticidade sem fim. O verso, o versar sempre estão à espera do ser. Versões constroem saberes-vida. Com os versos nós versamos nossos desejos e construímos para eles, um lugar que nos entendemos como habitantes deste mundo. Poder pensar formas desejantes, participar de uma instituição é inscrevê-la. Escrever e inscrever-se numa escrita que foi feita pelos seus usuários. Esta escrita tem de estar cumpliciada com seu tempo e com seus protagonistas do dia a dia de dores e alegrias em suas experiências de cada tempo. Portanto, aí saímos do conceito de dialética como forma de entendimento do sentido humano. Neste sentido a evolução humana se dá pela luta dos contrários numa renhida disputa de superação até se encontrar um final feliz do vencedor. Neste caso atualização tem um sentido de superaração e refutação. Por outro lado, entendemos, com Foucault que existe um conjunto de regras que garante um modelo e não outro de discurso sobre evolução.&lt;br /&gt;É no domínio da escrita e não das leis da natureza que se dá a possibilidade de nos apropriarmos da possibilidade de participarmos da trama da construção do dizer sobre a vida.&lt;br /&gt;Para que possamos nos inscrever, portanto deve haver um acesso à escrita e com isso a possibilidade de participação na trama de constituição de nossa própria forma escrituraria da vida. Nossa forma de pensar o mundo. Precisamos então romper com um conhecimento que está separado da vida. Um conhecimento que se institui distanciado do mundo de nossas sensibilidades, do mundo do sensível. Como disse Artaud,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Nunca, quando é a própria vida que nos foge, se falou tanto em civilização e cultura. E existe um estranho paralelismo entre esse esboroamento generalizado da vida que está na base da desmoralização atual e a preocupação com uma cultura que nunca coincidiu com a vida e que é feita para dirigir a vida. (Antonin Artaud: O teatro e seus duplos)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Este saber que nos quis feliz fora de nosso tempo presente, que nos quis como ovelhas sacrificadas, agrilhoadas que ficamos a uma metalinguagem que nega as formas como produzidas pela linguagem em seu cotidiano, que nega formas criadoras a seus protagonistas desse cotidiano, negando a linguagem mundana.&lt;br /&gt;As pessoas não precisam de uma linguagem presa a um centro que aprisiona a interpretação modificadora. Elas precisam de ferramentas instrumentalizadoras, de ferramentas da linguagem para a construção que abra o mundo. Não é preciso uma linguagem que decalca um centro como cópia da perfeição. Não deve haver um saber que feche o mundo. Ler é dar-se a abertura do mundo através da nominação das coisas com uma escrita de um saber em que haja a participação em suas tramas. Ler é abrir o mundo, é fazê-lo emergir cheio de beleza. Escrever é firmá-lo, é inscrevê-lo como realidade livre de uma escrita descarnada estéril de vida fremente. Escrever é pensar para o nada, garantindo sobre o ocaso um sentido ocasional e não definitivo. A informação deve ser cria de seus protagonistas. A potência humana se dá a impulsionar o corpo desejante diante de algo ainda inexistente. O objeto não está pronto e com determinação enquadradora. As palavras podem transformar um corpo para o bem e para a dor, como nos mostra o documentário. Como afirma Hölderlin, pensador alemão do início do século XIX, as palavras são como parábolas, servem para fazer viver e servem para a morte. O termo possibilidade pode ser desconstruído como sendo o caminho da posse da vida precisando da aquisição da posse da habilidade para sua apropriação. Portanto, o ser humano é o único animal que necessita das palavras em suas ilhas de linguagens para se apossar de sentidos construindo-os ou não, para que se tome de sentido e para se afirmar como pertencendo ao seu mundo. Portanto, o pensamento não pode ser ignorado no que tange a virtualização como concretização do real. A memória encobre visões ou um conjunto de regras e leis fazem com que nos localizemos pelo saber que nos apague o sentido que seria eficaz a nosso viver. Isso se dá por não sermos, muitas vezes partícipes da trama de sua construção. Somos enredados por narrativas que nos distanciam de nós mesmos.&lt;br /&gt;Experiência é coisa íntima, tal qual liberdade foi feita para ser instrumento de libertação da experienciação, não com saber cientificado e garantidor de segurança, nem como saber que entende experiência como acumulação de saberes para serem utilizados nos tempos finais da vida. Experiência é forma de dar vazão aos impulsos do corpo, garantindo sua infinitude de fluxos que se produzem graças ao infinito do mistério. É assim que se manifestam as realidades. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Rondonópolis - 06 de Setembro 2006 - 23h.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Foto:www.setur.rn.gov.br/fotos/103.macau.conchas.jpg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-115760023613310498?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/115760023613310498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=115760023613310498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115760023613310498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115760023613310498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/09/possibilidades-humanas-ocultas-odemar.html' title='POSSIBILIDADES HUMANAS OCULTAS - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rFFJamEp118/Ry_HU901L_I/AAAAAAAAABk/ZqKyWCmcCRM/s72-c/103_macau_conchas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-115474653216192041</id><published>2006-08-04T19:49:00.000-07:00</published><updated>2006-08-07T17:03:34.263-07:00</updated><title type='text'>UMA HOMENAGEM A ARTAUD - Odemar Leotti.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As “falas” do Professor Odemar convidando e agradecendo ao Professor Universitário, Produtor Cultural, Ator, Poeta...Gilberto Shmutz Gouma em relação a nosso Blog, e a solicitação do mesmo para “trocar idéias” sobre Artaud mostra toda a satisfação do mestre Odemar em partilhar seus conhecimentos.Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PODER E ESCRITA: As formas como poder e vida. Uma homenagem a Artaud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto, fiquei muito feliz com sua aparição. Fico esperando aparecer em meu e-mail alguma pulsação conectada com a minha. A vida da forma que tento entendê-la é uma grande Ágora dispersa pelo mundo e que a Net deu espaço para se materializar. Eu estou escrevendo isto a partir de alguns textos interessantes de Artaud quando ele nos informa que devemos extrair da cultura o que ela tem de ‘fome’. Não seria a ‘fome da alma e do corpo que se proliferou no mundo a partir da separação entre pensamento e vida? Quanto a isto volto a leituras anteriores e ao prefácio de Artaud de seu "O TEATRO E SEUS DUPLOS". Foi neste texto que inspirei - me para escrever sobre cultura brasileira, o qual, será usado em um curso que estou ministrando – Biblioteconomia, UFMT de Rondonópolis – MT. Onde sou prof. efetivo desde 2004. As leituras anteriores foram de Michel Foucault, e foi daí que saiu a vontade de conhecer textos de Artaud, pois Foucault falava nele várias vezes. Depois lendo a obra de Jean Pierre Vernant, pude entender o que Foucault tenta nos esclarecer sobre a angústia de Nietzsche quando escreve sua Genealogia da Moral. Devemos buscar uma genealogia do saber ocidental, mas não para entender a objetividade, mas para buscar nas formas da linguagem o lócus de poder. Ele nos mostra como em 1400 anos a.C o domínio da escrita era privativo do Palácio, e seu exercício era privilégio dos Escribas. Da privatização da escrita resultava a privatização do poder, entendendo que escrita é poder. A partir de 800 a.C o poder passa a ser democratizado, pois o ANAX texto que angariava poder para o soberano foi sendo deixado de lado e foi-se construindo uma outra escrita das mãos do demos, e assim a escrita deixa de ser privada e a serviço do Palácio, e passa a ser de domínio público. Daí em diante as casas se organizavam em torno da praça, a ÁGORA, e não mais em torno do Palácio, e a muralha não mais era em torno do Palácio, e sim em volta da Pólis. Assim a política está inaugurada com a escrita sendo de domínio público e o poder como conseqüência um domínio público. Com a crise da Pólis grega emerge a figura dos filósofos e inaugura o ideal ascético, com ele a exclusão da escrita como a essência humana e torna-se mera aparência constituindo o saber puro, ideal, original, essencial fora da praça. O domínio público foi exilado junto com o poder da linguagem. E agora meu amigo a sua mensagem deu-me este alento de estarmos pensando a partir dos textos de Artaud, como extrair da cultura o que ela tem de ‘fome’. Abraços do Odemar. Espero resposta em breve. meu e-mail é: &lt;a href="mailto:odemarleotti@bol.com.br"&gt;odemarleotti@bol.com.br&lt;/a&gt; e o blog onde colocamos nossas idéias é &lt;a href="http://www.deferenti.blogspot.com/" target="_blank"&gt;http://www.deferenti.blogspot.com/&lt;/a&gt; gostaríamos que participasse desse nosso espaço. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-115474653216192041?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/115474653216192041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=115474653216192041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115474653216192041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115474653216192041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/08/uma-homenagem-artaud-odemar-leotti.html' title='UMA HOMENAGEM A ARTAUD - Odemar Leotti.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-115006949093976434</id><published>2006-06-11T16:12:00.000-07:00</published><updated>2006-06-30T18:02:51.263-07:00</updated><title type='text'>UM NADA E UM NÃO - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;"Gostaria de começar meu livro com um sim. A vida começa com um sim. Uma célula diz sim a outra célula.E assim dá-se inicio à vida. Em seguida vem o não e a vida se esvai. Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; "&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com um nada e um não. Do nada surgiu Deus, de Deus surgiu o homem. Da transgressão surgiu o não. Do não ressurge o nada do homem e a necessidade do sim. Pelo sim se instaura como ser-no-mundo. Lispector inicia sua obra colocando o sim como início. Eu coloco-o como re-início. Fugir do pavor do vazio, do caos, da indigência é um eterno retornar. Fazer norte a partir do erro. Do erro ao não, do não ao sim, do sim à fuga da indigência. Aludindo a Marllamé, o verbo se fez carne, a carne se sensualizou, uma carne com outra carne, o Eros e a expulsão, a carne se fez verbo, diz sim para si.&lt;br /&gt;Assim, acontece o que se quer os sentimentos enredados. Por mais que se queira algo perto de si esse algo se distancia de nosso controle, pois não temos o que imaginamos Ter em mãos. Temos sim uma construção que fazemos das coisas e quando essa aquisição construída vai se desfazendo em nosso mundo feito pela imperfeição das palavras nós como loucos desamparamo-nos e novamente sentimo-nos lançados em nossa indigência. A angústia toma posse de nosso ser e abre caminho para fermentações mil. Aí o medo se apodera de nosso ser. É a batalha de palavras que tem início. Nós como loucos somos lançados numa arena de indefesos, impotentes, pois acreditávamos estar de posse da verdade das coisas. Ao diluirem-se aos poucos nesse vendaval de palavras instáveis nos detemos em nossos limites. Aí é o compasso do tempo a molestar-nos e o medo da dor do corpo e do medo do corpo de nosso ente ser punido pelo poder das palavras que expelem verdades que se tornam os emaranhados políticos que definem os destinos dos corpos rebeldes. Alice caminhava pelo atordoamento de uma estrada desenhada pela linguagem que compunha seu enredo. Por mais que a quiséssemos perto, mais longe ela ia. Como desesperado gesto tentamos prender o corpo que já não era mais nosso, mas da narrativa que lhe cantava cantos de liberdade. Viver o ostracismo de não aceitar o imposto eis o que restava aqueles que se põem a caminho da sua vontade construída à mercê de sua vontade. Ela era apenas uma espectadora de seu enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Este texto foi a partir de lembrança da obra A hora da estrela. Não há certeza de ter saído na íntegra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-115006949093976434?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/115006949093976434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=115006949093976434' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115006949093976434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/115006949093976434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/06/um-nada-e-um-no-odemar-leotti_11.html' title='UM NADA E UM NÃO - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114893199737354485</id><published>2006-05-29T11:13:00.000-07:00</published><updated>2006-05-31T12:21:19.053-07:00</updated><title type='text'>AÇÃO E LINGUAGEM COMO ABERTURA DO MUNDO:Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/rumual%20ekssia.4.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/400/rumual%20ekssia.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/rumual%20ekssia.3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Tem gente que diz “nós vamos” E não sabe para onde vai. Tem gente que diz “nóis vai” E sabe para onde ir. Carlos Valter Porto &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tentativa, mesmo, de reescrever o mesmo, da mesma forma que a anterior, num período que garanta um lapso de tempo, pode parecer sem modificações, porém eles não soarão a mesma coisa. Como diz Borges, quando escreve “Pierre Menard, autor de Quixote”, segundo Manuel Costa Pinto, em Informe de Borges (Revista Cult, agosto de 1999). Para Borges, as duas escritas de Quixote “são absolutamente iguais, mas sugere – absolutamente diferentes, pois o momento da escrita cervantina e da leitura e reescritura por Menard diferem totalmente, cada palavra é modificada pelo contexto irredutível de sua recepção e, sendo assim, de sua recodificação. Portanto, as palavras se tornam ferramentas imperfeitas para aqueles que se auto - intitulam descobridores de verdades e seus mantenedores em sua, pretensa, rigidez cadavérica. Cada apropriação submete o texto a uma leitura anacrônica, fora do espaço e do tempo. Uma mesma forma contaminada pelo tempo e seus construtos contextuais em toda sua cumplicidade imanente”.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assim, a indicação de que, ainda que seja de uma única oração, entra em jogo todo um complexo processo de percepção da totalidade, estabelecendo-se, deste modo, uma tensa relação com a particularidade. E esta tensão não se dá apenas em termos espaciais, isto é, no modo de organização especificamente gramatical dos termos da oração, mas temporais, de tal maneira que a compreensão termina por solicitar o envolvimento, num só ato de leitura, de cronologias diversas de uma única organização psicológica pela qual se perfila o leitor.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O sonhar com algo tem a necessidade de se apropriar do que é o oferecido no mercado dos fundamentos. O aparelho perceptivo não recebe tratamento de forma eqüitativa como modelo padrão de percepção. Isto não diminui a qualidade de uso do bem adquirido pelo simples fato de cada aparelho receptivo se utilizar de ferramenta criada na dificuldade de uso de um modelo genérico e considerado, isto sim, de forma infeliz, como forma certa de escrita. Entendendo como uma transcrição da fala, a primeira e mais sensata forma de escrita é a que acompanha ao pé da letra o som de sua forma oral. Esta forma prática de aquisição da escrita é feita a partir dos instrumentos que cada usuário obtém no mercado da educação. Se ele parasse de agir pelo fato de não ter as ferramentas próprias para se utilizar para o uso da escrita, ficaria impedido de realizar seu desejo de exercício de sua homenagem, no caso que ora evidenciamos, à seleção. Ao me apoiar em Jorge Luis Borges, em um literato de renome como João Alexandre Barbosa, o faço para partir em defesa do autor do quadro pintado na parede sem reboco, que quis com isto constituir o espaço de festa da copa do mundo.&lt;br /&gt;Diria que ele não foi infeliz, ou feliz, porque sou um homem em toda sua limitada sabedoria. Dizer que ele é infeliz poderia sim ser de uma infelicidade sem tamanho. Quem somos para adivinhar o que passava no seu pensamento quando escreveu sua homenagem à seleção? Golo Man, filho do famoso escritor, prêmio Nobel de Literatura Thomaz Man, ao afirmar que estava estudando cartas e diários de alguns personagens durante um certo período do passado, foi interpelado para responder se estava estudando o pensamento destes personagens. Respondeu afirmando que o máximo que conseguiria era estudar suas cartas e não seu pensamento, haja vista, a impossibilidade de um humanóide ter estas pretensões. Portanto, fica descartado saber o grau de felicidade desse autor da escrita diferente da norma que se quer fixa. Não posso esquecer que parece que a intenção do texto foi colocar infeliz como uma forma jocosa, pejorativa, como que aludindo ser uma desgraça escrever conforme fala.&lt;br /&gt;Isto nos remete ao estudo do sistema de pensamento ocidental e de sua prisão a uma essência verdadeira. Seria de bom tamanho o estudo da obra de Jean Pierre Vernant, A história do pensamento grego. Nesta obra o autor mostra a escrita como forma de exercício de poder. Logo foi graças à libertação de uma escrita presa aos escribas do período micênico. Nesta fase do pensamento ocidental, a escrita era de ordem privada. Ficava restrita aos escribas que a aplicava a serviço do soberano. Ficou patenteado por arqueólogos que ao ser encontradas duas placas lineares em tempo e espaço diferentes, com um lapso de 150 anos, notou-se que não houvera nenhuma modificação na escrita. Só com o passar de mais de 600 anos é que a escrita foi sofrendo modificações pelo fato dela ser cada vez mais utilizada. Ou seja, com a crise da soberania, a escrita foi sendo utilizada pelos ex-vassalos do soberano em conjunção tensa com os aldeões. Gradativamente constituiu-se uma forma mais democrática de seu uso, como forma de definir e determinar o destino de seus usuários. Estávamos no período de apogeu da pólis. Portanto fica entendido que a abertura da escrita garantiu a abertura das decisões sobre o destino das pessoas através de uma escrita que abriu o mundo, suas perspectivas e com elas a libertação de um mundo micênico que impedia a liberdade da escrita. Estávamos no período entre 700 a 600 anos antes de Cristo. Com a crise da pólis, surge um tipo de saber dos filósofos que procura destituir a escrita do seu lugar de construtor da poética de embelezamento da vida. Começa a nascer no ocidente algo que vai alimentar todas estas pseudo-felicidades, de que o certo é, o preso a uma estrutura e o errado é o que tenta utilizar das coisas de acordo com suas ações. Estávamos em uma transição do período em que a escrita estava a serviço da vida, do seu serviço como constituidora, como fertilizadora do terreno em que se fluiria a vida. Em seu lugar começa a nascer à idéia de que a palavra representa a imagem do real e não o real. Começa a busca desesperada de manutenção de uma origem verdadeira e da luta e vigilância para que nada se degenere. Estava nascendo um tempo em que nos iniciávamos em um exercício de subordinação à verdade essencial e original. Passamos então de uma escrita a serviço da vida para uma vida a serviço da escrita. Mal percebemos que em nossa pressa de agirmos em defesa desta origem não vimos que o mais importante é a vida, a alegria, a comemoração e não o impedimento de qualquer um utilizar-se da escrita de acordo com suas posses das ferramentas, que não são as mesmas para quem desde novo foi usado para lutar para a sobrevivência de sua família nesta selva eivada de egoísmo e preconceito. Mas sabíamos também que o que caracteriza o ser é sua propriedade interpretativa e criativa. Portanto o que vai diferir entre um higienizado e bem polidinho “RUMO AO HEXA, de um tido como infeliz cidadão, que escreveu no muro dele e de ninguém outro, RUMUAL ÉKISA, será a forma de apropriação do espaço para a sua festa. Se nos basearmos num mundo platônico do errado/certo, do falso/verdadeiro, do essência/aparência da virtude/pecado e de tanta moral definidora da vida, deixaremos de ver o ato de coragem de alguém que não escreveu com a ferramenta dada pelo sistema educacional e sim com as ferramentas de sua comunidade. Em tempo, são estas pessoas que não adquiriram o saber dos iluminados que fazem músicas tipo As rosas não falam. São estas comunidade que fazem surgir poetas admirados e respeitados com Adoniran Barbosa que faz a intelectualidade alcoólatra e boêmia cantarolar nas madrugadas dos bares algum assassinato da língua tipo assim “nóis vortemos cuma baita duma reiva, da outra veiz nóis num vai mais,nóis num semos tatu. Outro dia encontremo com o arnesto que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos” Pois é, talvez se esta comunidade fosse educada nos estabelecimentos de ensino considerados como o lugar dos saberes lapidados pela ciência, eles não conseguiriam produzir as poéticas que nos dão algum sentimento de ser brasileiro. Isto acontece muito mais quando ouvimos um repique de tambores do que quando sentamos a bunda num banco escolar ou num destes lugares em que a comunidade não entra. Em tempo, ontem houve um suicídio de um professor de gramática. Que pena!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114893199737354485?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114893199737354485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114893199737354485' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114893199737354485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114893199737354485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/ao-e-linguagem-como-abertura-do.html' title='AÇÃO E LINGUAGEM COMO ABERTURA DO MUNDO:Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114792016895620593</id><published>2006-05-17T19:33:00.000-07:00</published><updated>2006-06-06T10:29:14.426-07:00</updated><title type='text'>O QUE SIGNIFICAM OS IDEAIS ASCÉTICOS?(1) Sobre os dramas do destino da alma - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/angustia%20dema.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/angustia%20dema.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há um fato fundamental da vontade humana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Esse fato fundamental da vontade humana consiste em seu horror ao vácuo: ela sempre tem necessidade de uma meta – por isso, prefere antes querer o nada, a não querer.” Nietzsche. p.54&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estranhando e (des)construindo a frase&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ficar no impasse entre colocar frase ou parágrafo, como o que queria desconstruir, lembrei que no meu tempo de criança-educando, a professora, com seu jeito meigo proferia o seguinte enunciado: peguem lápis e caderno e vamos escrever uma sentença! Hoje quando da discussão com um interlocutor sobre este assunto. Lembrei que quando criança, falava-se mais em sentença que em frase. Com isso liguei a palavra sentença, da sua pseudo-inocência com tudo que ela tinha de perigosa. Isto foi me levando a lembrar de outros mestres que servem-me para que eu possa pensar junto com eles. Lembrei de Holderlin, pensador da virada do século XVIII para o XIX. Ele afirmava que as palavras são como parábolas: servem para viver e servem para matar. Lembrei-me de Deleuze que afirma em sua obra Capitalismo e Esquizofrenia, que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A máquina do ensino obrigatório não comunica informações, mas impõe à criança coordenadas semióticas com todas as bases duais da gramática (masculino-feminino, singular-plural, substantivo-verbo, sujeito do enunciado-sujeito de enunciação etc). A unidade elementar da linguagem – o enunciado – é a palavra de ordem. Mais do que o senso comum, faculdade que centralizaria as informações, é preciso definir uma faculdade abominável que consiste em emitir, receber e transmitir as palavras de ordem. A linguagem não é mesmo feita para que se acredite nela, mas para obedecer e fazer obedecer. DELEUZE (1995).&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=24738162&amp;postID=114792016895620593#_edn1" name="_ednref1"&gt;&lt;em&gt;[i]&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estamos analisando neste texto, é a força que as palavras, após serem conceitos que esqueceram que o foram, e se tornam como algo natural, como ferramenta de comunicação, passam na verdade a funcionar como uma ordem. Deleuze, lembra de Spengler, que entende as formas fundamentais da fala não são o enunciado de um juízo nem a expressão de um sentimento, mas ‘o comando, o testemunho de obediência, a asserção, a pergunta, a afirmação ou a negação”&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=24738162&amp;amp;postID=114792016895620593#_edn2" name="_ednref2"&gt;[II]&lt;/a&gt;. Para Deleuze, nossa vida é comandada por frases muito curtas, que mesmo parecendo estar a nosso serviço, são inseparáveis dos empreendimentos ou das grandes realizações: “Pronto”, “Sim”, “Vamos”. O que tratamos neste texto é como que obedecemos a conceitos, como se natural fossem e como são carregados de uma força que faz funcionar nossos desejos. Fazem-nos trocar o impulso pelo empuxo. Já nos dizia Foucault: fazemos com os outros com o que fizeram coma a gente. A educação perde seu sentido altruísta e passa a partir desta análise do sistema de pensamento, como uma forma de sentencia-la, de aplicar-lhes uma ordenação e entrega-lo em honradas solenidades ao sistema para cumprir sua sentença. Vejamos o que nos cita Deleuze:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As palavras não são ferramentas; mas damos ás crianças linguagem, canetas e cadernos, assim como damos pás e picaretas aos operários. Uma regra de gramática é um marcador de poder, antes de ser um marcador sintático. A ordem não se relaciona com significações prévias, nem com uma organização prévia de unidades distintivas, mas sim o inverso. A informação é apenas o mínimo estritamente necessário para a emissão, transmissão e observação das ordens consideradas como comandos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este grande pensador, busca em Parain o entendimento da suposição ou do pressuposto na linguagem, relacionados a essas ordens dadas à vida. Mas Parain, segundo Deleuze, ele vê, nestas, menos um poder no sentido político do que um dever no sentido moral.Podemos entender então que a construção da vida como uma história de uma dívida que se possa traduzir um dever, produzida por uma falta, como diria Foucault. Ao nascermos sob o paradigma de um não-lugar da perfeição e de que precisamos entregar nossa vida como forma de pagamento por esta sentença, passamos a entender a linguagem como a ferramenta que nos forma, que forma nossa memória no sentido de que a vida é uma dívida para com uma verdade, uma moral, diria Nietzsche. Portanto é importante entendermos junto com Parain e Deleuze de que: A linguagem não é a vida, ela dá ordens à vida; a vida não fala, ela escuta e aguarda. Podemos pensar junto com Deleuze e Parain de que toda palavra de ordem, mesmo de um pai a seu filho, há uma pequena sentença de morte – um Veredicto, dizia Kafka. Poderíamos alongar mais neste estudo maravilhoso de Deleuze, mas o usamos o suficiente para nos entendermos nos estudos dos ideais ascéticos e, de tudo que proliferou depois dele e com ele e que dourou as falas de tantas arrogâncias ingênuas e sonâmbulas. Estudemos e estranhemos as palavras, elas foram feitas para serem explicadas e não para explicar. Elas não explicam nada. Elas dão ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fatos&lt;br /&gt;Os fatos não é algo primordial que tenha sido instituído como força extra-humana, que já estaria inscrito no mundo, ou na terra de onde extrairíamos a verdade que serviria de parâmetros para nos guiarmos como seres viventes. Os fatos, como nos afirma um espírito livre, é sempre algo produzido pelos homens, portanto nada é natural, torna-se com aparência natural após se tomar de positividade e passar a servir como referencial para nossa vida. Usamos estas palavras, ou melhor, estes conceitos como se fossem o mundo, a verdade e esquecemos que emergiram a custo de guerra e sangue num outro tempo, numa outra contingência histórico espacial. Portanto, aludindo ao espírito livre de Paul Veyne, fatos não existem, o que existem são interpretações que, ao tomarem positividade, se tornam fatos, e são usados como moedas gastas, que não se lêem mais a efígie, são utilizadas apenas como moedas de troca no mercado das relações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundamentos&lt;br /&gt;Para que possamos crer que existam fundamentos é preciso vê-los por dois âmbitos: como fruto de uma lócus identitário, próprio de uma multiplicidade cultural que serve como uma ferramenta de coesão cultural e que pode ser constantemente modificado entendendo-o não como algo absoluta e primordial mas como dispositivo humano-cultural que pode ser modificado de acordo com a circunstância histórica. Neste caso, o que é tido como elemento mais importante é a vida. Assim pensado a cultura teria como papel estar a serviço da vida e não a vida a serviço da cultura. Entendendo melhor, uma sociedade assim não colocaria valores absolutos em fundamentos. Com isto tentam manter em inconstância as ferramentas para a vida. O que dever ser colocado como prioridade é a vivência saudável dos seres integrantes de tal cultura. O sentimento de pertencimento, neste caso, deve ser zelado por todos de forma que a vida garanta as diferenças e mantenha a convivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo caso, os fundamentos são colocados como via única e devem ser intocáveis. Tudo o que no primeiro caso é considerado como diferença e que deve ter uma cultura que cultive estas formas de emergências humanas, garantindo uma forma saudável desta convivência no caso segundo, os fundamentos são considerados como primordiais, imutáveis e tudo o que tentar modificar sua originalidade deverá ser considerado como errado, falso, aparência imperfeita, etc. Neste caso, por incrível que pareça, estar seguro é cultuar uma forma original de vida, e ajudar a castigar tudo aquilo que possa modificar sua estrutura rígida. Portanto, para começo de conversa, já estranhamos duas palavras da frase inicial. Vamos ver mais alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato fundamental&lt;br /&gt;Bem, neste caso já foi feita uma junção dos dois conceitos. Fato + fundamento: unidos já em si formam um enunciado mais forte e se nos (des) atentarmos formam uma verdade. Se fato é interpretação e não algo primordial, ou seja, como se fosse uma Qualitas Oculta, que já existia, e que foi posta para indicar, de forma absoluta, para que bastasse aos homens a elas se ater e ter fé e nunca duvidar. Este termo Qualidade oculta é, explicado por Nietzsche, como se já existisse antes dos homens um mundo de qualidades indubitáveis, que não pudéssemos jamais duvidar ou deixar de nos aproximar, para que pudéssemos alcançar para termos uma vida perfeita. Vemos que a historiografia tem buscado isto o tempo todo, e que isto tornou-se de uma positividade tão absoluta, que transformou-se em manuais de nossa educação. Portanto, não há nada de excepcional quando cremos em algo como alma suprema, Idéia superior, Deus, Razão, etc. Assim, nossa forma de ser no mundo fica restrito a esse obedecer. Por que isto acontece? Será que esta forma tem a ver com o texto anterior que entende a vida como uma dívida? Será que crendo na existência de um fato fundamental que antecede à vida humana. Portanto, se entendermos os fatos como interpretação histórica e não como algo primordial, podemos entender os fundamentos como algo fruto da interpretação humana e, se isto está entendido assim, podemos dizer que os fundamentos não passam de interpretação feita pelos homens em suas contingências históricas. Querer tratá-las como algo absoluto servindo para todo o sempre é o mesmo que oferecer as vivências posteriores em holocausto a um fundamento. O que está acontecendo com nossa educação a não ser ficar presa a fundamentos esquecendo que é a vida que produz cultura e não cultura que produz vida, numa forma única e imutável. Neste caso, o que é lastimável é o fato de tentar a manutenção de uma forma impostora e despótica de cultura, que coloca como formas erradas, os surgimentos das diferenças como possibilidades de sua modificação. No caso da historiografia, somos testemunhas de quanto fomos utilizados e, nos utilizamos de conceitos tidos como primordiais e o quanto os impusemos aos nossos alunos. Ainda hoje há um desconforto quando tentamos dizer aos nossos “intelectuais iluminados”, que não podemos ficar reféns de uma história fundamentalista. Ainda é caso de reprovação, de impedimento de vagas em pós-graduações. O sonambulismo intelectual ainda impera em nossos meios, impondo ementas tidas como a história verdadeira. A história econômica, a história estruturalista, ou seja, a história de vínculo marxista, habitou e ainda habita nossos meios acadêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I-DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. . Rio de Janeiro: ed. 34,&lt;br /&gt;1995.&lt;br /&gt;II-idem. P. 12. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;www.marxists.org/subject/art/visual_arts/painting/muralists/angustia.jpg&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=24738162&amp;amp;postID=114792016895620593#_ednref1" name="_edn1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114792016895620593?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114792016895620593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114792016895620593' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114792016895620593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114792016895620593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/o-que-significam-os-ideais-ascticos1.html' title='O QUE SIGNIFICAM OS IDEAIS ASCÉTICOS?(1) Sobre os dramas do destino da alma - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114756891844369556</id><published>2006-05-13T17:53:00.000-07:00</published><updated>2006-05-14T13:46:05.940-07:00</updated><title type='text'>A “MÁ CONSCIÊNCIA” E O SENTIDO HISTÓRICO ALIMENTADOR DA DÍVIDA HUMANA - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sobre a diferença entre o devedor e o culpado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A proposta de Giacóia Junior, ao produzir sua interpretação da Genealogia da Moral de Nietzsche, em sua obra Para uma genealogia da moral, é a de “reconstituir a gênese da consciência moral”, que nós acostumamos a entender como Consciência? Coma foi produzido esse conceito?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memóri&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/angustia_top.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/angustia_top.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a, dívida e promessa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Mesmo essas pessoas, enquanto sujeitos de direito, são também um produto da pré-história da humanidade, o resultado de um longo e penoso processo de auto-conformação. Para que uma determinada espécie do gênero animal pudesse desenvolver a capacidade pressuposta por toda obrigação – a saber, a capacidade de prometer e manter a palavra empenhada – foi primeiro necessário que se constituísse nela uma faculdade sem a qual a capacidade de prometer seria impossível:a faculdade da memória”. [grifo meu]. P. 39.1.&lt;br /&gt;Neste caso, “prometer e manter a palavra empenhada” seria comparado com o que Bauman (2001) entende como uma característica da modernidade líquida. É o que chama de procrastinação. Buscando a raiz desta palavra Cras é entendido como adiamento. É inventar um espaço inexistente, ou seja, o espaço do amanhã como lugar da efetivação dos desejos. Portanto procrastinar seria o mesmo que adiar, prometer uma vida efetiva fora do espaço vivido, e re-colocada num espaço-tempo não existente. Este seria o motor do funcionamento deste animal que promete e mantém a palavra empenhada. Com isso alimenta uma ritmização do tempo, de forma artificial, que secularizado toma uma tal positividade que parece já pertencer de forma natural em nosso funcionamento do desejo. Ao esquecimento desta implantação que se dá ao longo da história humana, garante uma funcionalidade do ser como busca de um espaço-tempo fora do agora. Para a conquista deste espaço-realização é preciso abdicar de si em busca de um “eu perfeito”, estável superando toda dúvida, toda incerteza. É a busca de um ideal ascético, ou seja, um ideal fora daqui, que não seja mais cético quanto ao futuro. Para isto torna-se preciso constituir o futuro de uma auto-estrada pavimentada e segura. O esquecimento passa a produzir a ilusão dessa caminhada e garante o dispositivo de funcionamento da vontade de busca de um futuro melhor, como força da assimilação anímica. A constituição da faculdade da memória garantiu o processo de civilização do homem produzindo nele “a transição do hominídeo instintivo ao animal social: criar um animal ao qual seja lícito fazer promessas”. 9p. 38.4. “criar uma memória da vontade que pudesse ter mantido em suspenso a potência do esquecimento ativo”. 40.1.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imprimir algo no entendimento do instante:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Imprimir algo nesse entendimento do instante, entendimento em parte obtuso, em parte aturdido, nessa vivente capacidade de esquecimento, de tal maneira que permaneça presente?”. Segundo Giacóia Junior “talvez não haja em toda a pré-história do homem nada mais sinistro e terrível que sua mnemotécnica. Grava-se algo a fogo, para que fique na memória: somente o que não cessa de causar dor permanece na memória – este é um axioma da mais antiga (por desgraça, também da mais prolongada) psicologia que existiu sobre a terra.” 40.2..&lt;br /&gt;A criação da técnica mnemônica ou a própria memória: não de desejo como impulso, mas como empuxo.&lt;br /&gt;Não devemos entender como já existindo naturalmente uma memória à qual seria inscrito “preceitos particulares numa memória já desenvolvida ou mesmo existente em estado de latência”. O que mais de grave existe em tudo isto, segundo G. Junior “é o da criação de uma técnica mnemônica, por meio da qual se desenvolva no homem a própria memória” 40.3 .&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A dor como o mais poderoso auxiliar da mnemotécnica. 40.4&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O crédito e o débito como forma de obtenção dos padrões mais elementares da memória. O querer e o fazer que “estão na base de toda promessa e da vida em sociedade. (...) mantendo-os na memória, permitiram ao homem primitivo tornar-se um animal político. Cumprir obrigações constitui, portanto, o pressuposto básico da vida em comum sob a forma da sociedade e da paz.” 41.1.&lt;br /&gt;Dever é estar em falta com um conhecimento que nos dá significados, que corresponderiam à formação do ser, construção de sua consciência. Para isso é preciso se ver numa história que nos faça nos entender como um animal que é feito de promessas de um vir-a-ser. Ao invés de ser, nos vemos num serei. No lugar do presente, do agora, do fazer, nos produzimos numa procrastinação do tempo, num amanhã como espaço abstrato onde depositamos nossos desejos. Num farei um dia. Num serei um dia. Num se Deus quizer, num o que será quando crescer, progredir, desenvolver, evoluir, melhorar, etc. são essas noções que impregnam nossas narrativas, constituindo-nos como ser de um conhecimento que nos inteira, nos completa. Do nada ao ser sempre com a noção de uma falta, como num sentido de dívida com o credor. Estar em falta é estar à mercê de uma penalização.&lt;br /&gt;Daí a instituição da vida como uma pena a ser cumprida até o pagamento da dívida, próprio de quem nasce com um pecado já na origem, ou da tentativa de ruptura com este saber e da ingenuidade metafísica que cobra a consciência histórica como objetivo do ser. Ser consciente é a forma de pagar a falta de conhecimento “verdadeiro”. Por isso foi criado a ciência do homem, o lugar com autoridade de fala, para exercer a descoberta do conhecimento “verdadeiro”. Sendo assim provada sua essência primordial, original, pura deve ser esta essência a prova de que é o “conhecimento” que deve ser considerado como científico e que deve funcionar como norma e tornar-se parâmetro da condução humana. Estabelecem-se, após esta comprovação, instituições para cuidar de sua implantação.&lt;br /&gt;Como este mecanismo não conseguiu se livrar de sua narrativa da falta, da relação credor-devedor estamos nós mais uma vez vendo-nos numa encruzilhada dos sentidos de vida. Temos uma modernidade totalmente sem destino, um barco à deriva e uma crise sem precedentes. O que nos responde os que viveram todos estes tempos, mergulhados em seu sono dogmático da busca de uma vida perfeita? O que andam fazendo aqueles que prometeram uma Canaã se esta ao invés disso ser uma verdadeira cena de tragédia, miséria, fome, devastação, degeneração ética.&lt;br /&gt;A modernidade foi instaurada dentro do que Foucault entende como um sistema de penitência. A educação exerceu o papel de formar nos sentidos das pessoas, desde tenra infância, a noção de que deve suportar a carga de deveres, a partir de uma disciplinarização. Como que já nascessem em falta, ou seja, faltando um conhecimento verdadeiro, que lhe dêem um lugar de autorização de ser, de funcionar legalmente na sociedade. A aqueles que não conseguem se entender nesta falta sobra-lhe a punição, o castigo como forma de restauração para garantir seu espaço social. Segundo Giacóia:&lt;br /&gt;“A restauração se dá pelo castigo. [...] O devedor tem de padecer porque não cumpriu a palavra, porque rompeu um pacto e ainda não entra aqui em cogitação por ter agido de outra maneira. [...] Ele deve ser castigado para aprender, mais ou menos da mesma maneira como alguns pais, até hoje, ainda castigam seus filhos.” 41.2.&lt;br /&gt;Não devemos nos limitar a entender o castigo como sendo usado somente com o reeducando, e sim aquele que nasce, já o faz com falta, já nasce em falta. Para entender isto, não podemos ficar presos a leituras já dentro deste sistema de pensamento, a unidades literárias tidas como disciplina. É preciso voltar ao século IV antes de Cristo e ver a crise da pólis, e logicamente do que lhe garantiu emergência, ou seja, a palavra tornada pública. A palavra no instante de sua crise toma forma, pelas mãos dos Sábios filósofos ascéticos, de mera aparência. Estar no mundo das palavras seria o mesmo que estar no mundo falso, da aparência. Para Parmênides e Platão, o mundo das opiniões, ou do uso da palavra como forma de interpretação e criação dos sentidos de vida, em sua forma poética, não passava de imaginação. Entendiam que esse mundo faltava, para sua perfeição, uma busca da sua Idéia verdadeira, uma Alma Suprema, com afirma Nietzsche, parece que os filósofos acreditavam na existência de uma Qualitas Oculta, ou seja, parece que existia uma qualidade primordial perfeita, que foi degenerada pelo uso coletivo da palavra, e que sua pluralização interpretativa levou o mundo ateniense à sua crise e à derrocada da pólis. Urgia, para estes filósofos, o bater em retirada deste mundo em que a palavra exerça tanto poder. Elas eram, segundo os filósofos, apenas empecilhos à busca da Luz verdadeira. Inicia-se com este ato, o stilo de vida que configurará o que entendemos como pensamento moderno. É por isso que Foucault afirma em sua obra A ordem do discurso, que se quizermos entender a ruptura do pensamento ocidental temos que sair desse costume que fomos ensinados de que eles estão no Renascimento. Se quizermos entender a ruptura do pensamento ocidental, devemos ir ao século IV, no exato momento em que as formas culturais são banidas como forma de construção de saber e em seu lugar surge o Ideal ascético. Ou seja, o homem nasce em falta. Já nascemos com falta e se quizermos existir temos que nos penitenciar rumo ao conhecimento verdadeiro, original que nos fará completo e perfeito. O que as chamadas Ciências Humanas fizeram a não ser nos educar para a busca da perfeição? É a constante vigília da correção, do exame, da prova, da disciplinarização do corpo. É enfim toda esta parafernália dos estabelecimentos escolares a serviço deste ideal ascético em suas colorações várias e numa única permanência: a busca da verdade primordial. Em lugar da criação a descoberta. Em lugar da fertilidade plural a imposição de um saber único e transcendental. Eis aí o pensamento moderno. É a obrigação instituída. Como afirma Giacóia Junior:&lt;br /&gt;“O obligatio por uma palavra empenhada. (...) O ser sujeito de uma vontade própria, superior às forças da natureza, ser capaz de autodomínio; de poder manter intacta a cadeia da vontade, isto é, o nexo causal entre um ‘eu quero’ e um correspondente ‘eu farei’ (...) sem que se rompa a cadeia causal do querer e do continuar querendo”. (p,42)&lt;br /&gt;A dívida é o preço de um tal poder e uma tal liberdade. “e de modo algum, consciência de culpa. Ela é o privilégio distintivo do indivíduo soberano, da autarquia consistente no domínio da vontade.” 42 . Toma positividade uma forma de ser que coloca a originalidade perfeita como que cobrando as aventuras do homem como conduta irresponsável e que deve ser penalizada. Ao mesmo tempo deve preparar os que nascem para suportar o farso de sua falta. “Espiritualizando, de modo completo, a figura do credor, como forma de fazer sofrer o próprio devedor”. Este poder instituído numa originalidade essencial, suprema e perfeita, cria a partir de uma moral que institui um animal devedor e que se promete em holocausto à busca de sua forma perfeita e de sua abdicação da forma imperfeita por faltar a essência verdadeira que deverá dedicar sua vida para busca-la. Isto não foi privilégio unicamente do cristianismo e sim de todo conhecimento moderno. Para o autor.&lt;br /&gt;“No âmbito da interpretação moral da consciência do dever, o credor deixa de ser considerado como o ancestral poderoso, que tem a mesma natureza do devedor, passando a figurar como o seu oposto, como um ideal inatingível pelo devedor.” P. 49.2.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do impulso ao empuxo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A inversão da direção dos impulsos hostis e a canalização desses impulsos contra si próprio: “a via substitutiva por excelência vai consistir em fazer sofrer o próprio devedor. Dessa maneira os maus instintos podem se exercer em impedimento”.49.1. Nesse aspecto da falta é importante ressaltar como comporá o discurso iluminista e subseqüentemente o pensamento moderno em suas versões liberal e marxista, onde coloca o homem, como o não pensante de forma verdadeira. Assumindo-se como falta, institui o ideal ascético como forma de busca das formas ideais de pensar. Vejamos como Giacóia Junior nos informa sobre a falta:&lt;br /&gt;“Esse nível de espiritualização também é obtido com base numa reinterpretação, em que a antítese entre Deus e o homem é enquadrada na relação débito-crédito: só que, nesse deslocamento, a existência do devedor passa a ser vivenciada como falta, porque reconhece sua natureza própria como inverso da perfeição, como sublevação contra a lei do credor ideal. Isso implica uma transformação na pessoa do poderoso ancestral dos tempos primitivos. Agora, o próprio antepassado é visto sob a ótica do negativo, já que é o responsável pela existência culpada do devedor”.&lt;br /&gt;Aqui podemos vislumbrar a questão do pecado original. Entendendo a ancestralidade como uma falta para como o credor ideal, ou seja, a perfeição perdida, degenerada, própria do sentido de tempo como decadência e da necessidade de uma retomada da busca do aperfeiçoamento da vida, leva à instituição de um modelo moral ideal que serve de parâmetro para se medir a sentido de falta de cada indivíduo em relação à completude ideal. A busca desta forma ideal garantiu este sentido de procrastinação, através da criação de um animal da promessa. Quem não atendesse à busca desta forma de animal completo ou em dia com o ideal da busca, feito pelo coletivo social da civilitate, ou seja, da cidade, da pólis, estaria em falta com este tipo de fazer da vida, da prática deste tipo de saber, portanto deste tipo de poder. Estaria em falta com o poder político, em falta com o coletivo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Natureza como culpada sob e o estigma da negatividade.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alias, a natureza em geral recebe o estigma da negatividade. Podemos pensar aqui no exemplo de Adão e na doutrina do pecado original, bem como nas diversas formas historicamente conhecidas de demonização da natureza. 49/50&lt;br /&gt;O que nos apresenta como verdade é esta redução do estado-natureza à negatividade da falta. Falta neste sentido seria o da natureza que necessita do conhecimento idealizado como a supremacia do ser, a alma suprema platônica que seria a finalidade de busca. Ao ato da aquisição desta forma de saber compreenderia o ser estendido ao Estado da Razão em toda sua pureza que outrora fora perdido, graças à degeneração produzida pelo mundo da opinião. Este entendimento foi produzido no momento de crise da palavra como de domínio público, próprio da formação das pólis gregas. Saindo do domínio dos escribas que tornavam a escrita e seu uso como privativo do soberano e ao seu serviço. Com a crise do modelo soberano, do antigo reino micênico surge num efeito discursivo que se estendeu por 700 anos (1400 aC. a 800 aC.) e, se materializa com a instituição das cidades-estados gregas. A publicização das palavras como força de construção da poética do mundo.&lt;br /&gt;Espiritualização da ancestralidade. P. 50.1De algo natural a algo idealizado abstratamente. Algo espiritualizado. O dever passa a ser assimilado, a partir de uma memória perversa a se instituir na subjetividade humana como dívida, até a auto inserção de si como um sujeito da culpa, do sentir-se culpado pelo não cumprimento do dever. Para Giacóia, um ser da falta, da dívida, “(...) inteiramente convergido para o interior da consciência do devedor, o sentimento de dever começa a cavar abismos, adquirindo a profundidade da culpa”.(P. 50). Para este autor, estamos cavando em nossa alma estes labirintos que nos fará sentir em cena como mártires de nossa culpa. Aturdido pelo opressivo sentimento de uma falta que tem raiz em sua própria natureza, a esse movimento vivo em que se converteu o devedor-culpado só resta agora o suplício, já que sua existência é falta a ser expiada. O sentimento de falta ao auto-flagelo à construção da via da emergência do remorso (a mordedura na alma produzida pela moral da culpa). “É desse tormento de auto-flagelo que se nutre o remorso, envenenando a alma do devedor”. 50.3. Uma forma de sentimento é reassentada na alma do ser. O ressentimento. O remorso é nos instituído, como produto da falta para com a origem pura, como definidor do termo nietzschiano: ressentimento. Nesse ressentimento, tem origem a idéia de uma dívida eterna para com a Idéia, para com a Alma Suprema, para com Deus, para com a Luz, para com a Razão verdadeira, para com a Consciência Histórica, que o devedor transforma em instrumento de tortura, encontrando assim um miserável subterfúgio para aliviar a carga dos impulsos hostis. O impulso dever ser expulso do ser, a vontade do corpo deve ser controlada. Deve ser construída e implantada uma nova forma de sentir. É a isso que podemos entender a nova forma da sensibilidade. Uma sensibilidade redistribuída que nega o impulso e re-constrói a vontade num novo sentir, num ressentimento. Após esta implantação perversa, de uma memória instituidora da subjetividade humana, o homem ressentido pode dar um sentido ao sofrimento causado pela repressão inelutável. &lt;a href="mailto:oleotti@bol.com.br"&gt;oleotti@bol.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.maricibross.com/angustia_top.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114756891844369556?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114756891844369556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114756891844369556' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114756891844369556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114756891844369556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/m-conscincia-e-o-sentido-histrico.html' title='A “MÁ CONSCIÊNCIA” E O SENTIDO HISTÓRICO ALIMENTADOR DA DÍVIDA HUMANA - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114731554038067243</id><published>2006-05-10T19:38:00.000-07:00</published><updated>2006-05-10T19:45:40.396-07:00</updated><title type='text'>FOUCAULT, E A CRISE DO SONAMBULISMO HISTORIOGRÁFICO - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/sonambulo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/sonambulo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que Foucault aponta como diferenciador e como produtor de deslocamento nesse tipo de análise é o fato de “dissociar as obras, ignorar as influências e as tradições, abandonar definitivamente a questão da origem deixar que se apague a presença imperiosa dos autores; e que assim desapareça tudo aquilo que constituía a história das idéias.” (44).&lt;br /&gt;Não seria possível encerrar o estudo desse capítulo sem deixar terminá-lo tal qual Foucault assim o fez com suas palavras aterrorizadoras para aqueles que vêem a história como emancipadora da humanidade. Para esse filosofo que se fez historiador esse tipo de análise constitui-se como um perigo. É que, segundo ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em lugar de dar fundamento ao que já existe, em lugar de reforçar com traços cheios linhas esboçadas, em lugar de nos tranqüilizarmos com esse retorno e essa confirmação final, em lugar de completar igual número de incertezas, que tudo se salvou, sejamos obrigados a continuar fora das paisagens familiares, longe das garantias a que estamos habituados, em um terreno ainda não esquadrinhado e na direção de um final que não é fácil prever. (44).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto há uma ruptura com uma história que garantiria uma confirmação final. Mostra sim que ao entendermos que mais do que uma objetividade o que o historiador tem encontrado é um espaço em branco onde ele com seu manancial discursivo, materializado por narrativas que lhe compõe formas descritivas coloca como que estivesse interpretando o passado quando na realidade não ultrapassa o limite constituidor a partir de uma operação historiográfica&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Finalmente Foucault opera em sua leitura o divórcio da história com a racionalidade iluminista que se propõe a uma consciência histórica que se quer a única via da salvação e do saber humano. Isso tem alimentado várias discussões sobre problemáticas ligadas ao ensino da história e que o seu não rompimento faz com que sejamos condenados à monotonia dos discursos vazios e totalmente deslocados das relações imanentes. Esta por sua vez está distante do lugar onde se situam os espaços do saber histórico escolarizados. Portanto é importante atentarmos para o que nos alerta Foucault:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que até então, velava pela segurança do historiador e o acompanhava até o crepúsculo (o destino da racionalidade e da teleologia das ciências, o longo trabalho contínuo do pensamento através do tempo, o despertar e o progresso da consciência, sua perpétua retomada por si mesma, o movimento inacabado mas ininterrupto das totalizações, o retorno a uma origem sempre aberta e, finalmente, a temática histórico-transcendental), tudo isso não corre o risco de desaparecer, liberando à análise um espaço branco, indiferente, sem interioridade nem promessa? (44/45).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Numa próxima leitura estaremos mostrando através do texto de Michel de Certeau o que seria essa operação historiográfica que atravessa o corpo morto e dá-lhe signos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.lacoctelera.com/sheily/imagen/sonambulo.JPG&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114731554038067243?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114731554038067243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114731554038067243' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114731554038067243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114731554038067243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/foucault-e-crise-do-sonambulismo.html' title='FOUCAULT, E A CRISE DO SONAMBULISMO HISTORIOGRÁFICO - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114722701754086741</id><published>2006-05-09T19:06:00.000-07:00</published><updated>2006-05-10T19:21:26.683-07:00</updated><title type='text'>A FRAGILIDADE DO HOMEN DIANTE DE SUA CONDIÇÃO DE “MODERNO”- Autora: Joana Senhorinha-Licenciada em História pela UFMT/CUR.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/320/DEPRESSIVO.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;“A história é tanto um processo de esquecer como de aprender, e a memória é famosa por sua seletividade”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Leif Lewin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos de formas iguais, em culturas diferentes, com pensamentos diferentes e diversos modos de viver...&lt;br /&gt;O que o Autor quer dizer com “o estado de solidez e fluidez” ou “Modernidade Líquida?”. O que é ser leve e Líquido? Segundo o autor a solidez são estruturas sólidas que tendem a permanecer por longos anos e que no decorrer dos tempos não cabem nos espaços sociais e que requer a fluidez para que se ocupe novo espaço. A meu ver todas estas colocações são para nos chamar atenção para o modo de vida que estamos vivendo neste contexto histórico de século XXI; e que em séculos passados foram idealizados e estruturados como forma educativa para nós.&lt;br /&gt;Digo isto, porque ao nascermos somos encharcados de valores que muitas vezes são impostos pelos nossos pais, porque assim foi ensinado para eles que deveriam escolher o que de melhor fosse para seus filhos, fazendo assim sermos pessoas condicionadas, tornando-nos sujeitos sempre obedientes a alguém que demonstra ser mais poderoso do que nós como professores, pastor de igreja, padres, etc., onde não devemos questionar nada, não agir diante de tais pessoas para expressar nossas vontades, ou seja, agir dentro do que chamamos de liberdade, fazendo-nos pessoas sem ações e como vacas de presépio e sempre de cabeça baixa.&lt;br /&gt;Ao invés de perguntar, o porque de tudo, sermos como crianças que em sua inocência, mas curiosa são verdadeiras filosofas, , porque elas estão descobrindo o mundo a sua volta, então porque não aprendemos com elas? Pensando assim, podemos construir nosso próprio modelo de vida já que somos pessoas distintas. Um exemplo ruim foi à atitude da Tereza, personagem do Filme, que ao invés de tentar ser ela mesma, ou seja, procurar “conhecer-te a si mesma” como dizia Platão, para saber se realmente imitar o Tomás seria a coisa certa a fazer, percebeu que foi agredida por sua própria atitude impensada.&lt;br /&gt;Porém percebi que a vida que o Tomás leva era também uma agressão com seu próprio fardo, ele se via as voltas com suas insatisfações pessoais; olha só sendo um médico bem conceituado como tal, era para estar satisfeito, feliz, com a vida, porém, a situação política que seu país passava o preocupava e pressionados pelo comunismo sentira a necessidade de se afastarem da realidade que estavam vivendo, refugiando-se no campo e ali se encontrara com a tão sonhada felicidade.&lt;br /&gt;Refletindo por este prisma professor, compreendi que na atualidade estamos vivendo um período denominado de pós-modernidade que constantemente estamos pressionados, atropelados com a velocidade urbana impostos pelo capitalismo que nos fazem homens mortos vivos, não sendo capazes de discerni que somos seres humanos e que necessitamos viver em comunidade socializando, compartilhando nossas ações humanas uns com os outros e não vivermos como máquina, sem o calor humano tão necessário que acabou em nossos relacionamentos, um exemplo, é em nosso cotidiano do trabalho onde passamos horas e horas e até mesmo anos juntos com colegas e não sabemos o que se passa na vida de ambos, a competição do dia a dia não deixa fraternos.&lt;br /&gt;O autor nos propõe o não conformismo com esta situação, com tanta solidez, que sejamos flexíveis, que reflitamos as nossas atitudes, pois não somos como Moldura, quer dizer, que nos deixa inertes séculos e séculos sem mudança nenhuma, isto favorece a uma minoria de pessoas, excluindo a maioria.&lt;br /&gt;Outro exemplo é quando ele descreve com muita propriedade a comunidade dos sonhos do arquiteto inglês estabelecido na África que desde então ele fala dos condomínios fechados com proteção de cerca elétrica, que hoje é muito comum em nosso meio com propagandas sugestivas em que, só quem mora nestes ambientes são pessoas de prestígio, sem esclarecer que são pessoas abastadas que não se explicam de onde vêm sua riqueza, deixando assim uma margem de suspeita, do porque de tanta fuga de uma situação de medo dos seus próprios semelhantes, tachando-os de pessoas estranhas e que podem os fazer mal, quer dizer, será que não estão querendo nos dizer que suas posses foram surrupiadas através de algo ilícito que deixou a maioria da população sem seus direitos básicos.&lt;br /&gt;Veja só neste modelo de vida que estamos vivendo denominado de Pós-Modernidade, vê se claramente que houve uma inversão de valores estruturais da sociedade, quando o autor coloca a situação de escravidão, mão-de-obra utilizada no período da História do Brasil Colonial, em que os Africanos eram usados como mercadoria e eram vendidos em praça pública, hoje a escravidão se dá forma diferente, as correntes perderam sua funcionalidade (isso era concreto), para ser massificada na mídia que nós temos liberdade de fazer o que quiser, será?, olha só que situação, não estamos vivendo uma verdadeira crise, de identidade financeira com exercito de pessoas excluída de seus trabalhos que há bem pouco tempo achavam que nunca iriam se ver como indigentes, isso não é ser escravo do sistema perverso que estamos inserido? Outra situação é em relação o que acarreta as famílias dessas pessoas, verdadeiras situação de miséria levando-os aos mais diversos tipos de comportamento. Mas quero ressaltar uma situação preocupante de escravidão virtual que para mim é aviltante quando escancaradamente vemos propagandas na TV, no Rádio, panfletagem e até propaganda volante nas ruas de empréstimos facilitados a servidores públicos e aposentados e que caso o cidadão não atentar direito, cai numa situação de escravismo financeiro, com juros altíssimos difícil de sair, e que não deixa de ser ações de agiotas legalizados, onde no final se não for pago somos punidos com o jargão a culpa é sua, oferecemos a você o dinheiro, você tinha a liberdade de pegar ou não, se vire.&lt;br /&gt;Outra situação é se caso tenhamos que cancelar uma conta telefônica, uma conta bancária, um cartão de crédito, professor te dou um chocolate se conseguir fazer isso sem dor de cabeça, pois os caras são especialistas na oratória do convencimento de que o cancelamento é a pior escolha que agente faz, quer dizer, quanto mais pessoas acorrentadas, melhor para eles. Suas metas não podem falhar, eles não podem perder em nada, tudo que acontecer de errado o prejuízo é seu e nunca do capitalista que suga seus parceiros de trabalho, dos governantes corruptos que fazem as guerras. E quando vi no Filme do Pink Floud, que assistimos em sala, onde os soldadinhos enfileirados caem na máquina transformando-se em carne moída, senti uma impotência humana, diante de tais atrocidades.&lt;br /&gt;Vale ressaltar que estamos na Era Tecnológica e eu a classifico como ótima se bem utilizada, ou seja, o homem como mediador da máquina e não a máquina substituindo o homem em tudo. O capitalismo lançou mão dela para enquadrar e não para humanizar, vejamos aqui em Rondonópolis a mídia propaga que é a Capital do Agronegócio, quantas pessoas perderam seus empregos que era manual e que foi substituído pela a máquina e ainda são rotulados pelo grande empreendedor que a culpa foi do trabalhador que não se qualificou, não acompanhou a tecnologia, mas ele também não fez nada para qualificar este trabalhador que já estava vendendo a sua mão-de obra e que por sinal muito mal paga.&lt;br /&gt;Agora pensa numa realidade em que tudo é descartável, desde os produtos importados do Paraguai, aos mais variados objetos considerados de marca, como eletrodomésticos, computadores que tem vida útil muito curta para que possamos consumir mais, em que tudo tem que ser leve, roupas soltas, celular, nada pode ser preso, o homem tem que agir livre , vivemos a competição da instantaneiadade de consumo e mudanças rápidas.&lt;br /&gt;Concluindo, mediante tudo isso temos que fazer como os personagens do filme , que saíram da suas condições de mortos vivos, para repensar suas vidas, procurando viver de forma mais simples sem a intromissão dos outros, porém, temos que estar ligados nas mudanças de comportamento do homem, para que possamos estar sempre derretendo nossas geleiras, quebrar os padrões impostos, dizendo não ao que nos destroem, também dizer não aos sim, que insistem em se fazer de bonzinhos só para impor suas garras.&lt;br /&gt;Colaboração - Odemar Leotti.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:&lt;a href="http://www.mni.pt/images/conteudo/maniaco_depressivo_dr.jpg"&gt;www.mni.pt/images/conteudo/maniaco_depressivo_dr.jpg&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114722701754086741?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114722701754086741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114722701754086741' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114722701754086741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114722701754086741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/fragilidade-do-homen-diante-de-sua.html' title='A FRAGILIDADE DO HOMEN DIANTE DE SUA CONDIÇÃO DE “MODERNO”- Autora: Joana Senhorinha-Licenciada em História pela UFMT/CUR.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114722404154090985</id><published>2006-05-09T17:15:00.000-07:00</published><updated>2006-05-10T16:25:54.590-07:00</updated><title type='text'>A CRISE DA MODERNIDADE, A EDUCAÇÃO E O ENSINO DE HISTÓRIA - ODEMAR LEOTTI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/crise.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/crise.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A cada dia que passa vemos agravar um tipo de crise que se alastra nos domínios do espaço cotidiano da educação. Essa crise compõe-se de vários sintomas que vai da violência que ronda o espaço escolar e a apatia que vemos cristalizar nos depoimentos dos protagonistas pertencentes ao meio educacional. Por outro lado assistimos às mais variadas formas tomadas pelas ações que tentam aplacar os efeitos que se tornam ameaçadores à manutenção do funcionamento escolar. Especificamente ao tratarmos do ensino de história, a situação começa a delinear um sinal de que esta disciplina enfrenta uma crise que aparece nos reclamos dos profissionais de história quanto à apatia dos alunos com relação ao seu ensino. A questão que esse artigo pretende problematizar é sobre as formas com que se tenta superar o problema existente no campo do ensino de História.&lt;br /&gt;Presas que estão, em sua maior parte, ao modelo metanarrativo que vai do dispositivo emancipativo (Idealismo alemão, Hegel) ao dispositivo especulativo (Iluminismo, Kant, Marx), as tentativas de solução da crise do ensino de história, ligadas a uma teoria crítica que no máximo avança até o modelo de alguns teóricos da chamada “Teoria Crítica”, pertencentes à Escola de Frankfurt. Ao limitar-se a discutir a crise da razão sem romper com essa forma iluminista, ficam impotentes perante a obsolescência desse tipo de intervenções. Presos que estão ao discurso humanístico-liberal submetem-se à necessidade de formação do espírito, do sujeito racional que alcançaria sua libertação nos fins últimos. Ao testemunhar a corrosão dos dispositivos modernos de explicação da ciência, o modelo moderno de educação passa, segundo expressão de Lyotard, por uma deslegitimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, a atividade científica deixa de ser aquela práxis que, segundo a avaliação humanístico-liberal, especulativa, investia a formação do ‘espírito’, do ‘sujeito razoável’, da ‘pessoa humana’ e até mesmo da ‘humanidade’. Com ela, o que vem se impondo é a concepção da ciência como tecnologia intelectual, ou seja, como valor de troca e, por isso mesmo, desvinculada do produtor (cientista) e do consumidor. Uma prática submetida ao capital e ao Estado, atuando como essa particular mercadoria chamada força de produção. BARBOSA (1985)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tentativas de solução dos problemas do ensino de história, quando fundados a partir desses próprios dispositivos, não conseguem dar uma resposta efetiva à crise por que passa em seu cotidiano. Incluir uma outra perspectiva nesse tipo de problematização seria explicável entendendo como pós-modernidade: a leitura que coloca em questão os elementos estratégicos que “a ciência moderna teve que recorrer para legitimar-se como saber, ou seja: dialética do espírito, emancipação do sujeito razoável ou do trabalhador, crescimento da riqueza e outros” (ibid. p. VIII). Para Lyotard, e é nisso que alinharemos o entendimento do que seria para nós a crítica pós-moderna, “o pós-moderno, enquanto condição da cultura nesta era, caracteriza-se exatamente pela incredulidade perante o metadiscurso filosófico-metafísico, com suas pretensões atemporais e universalizantes.” BARBOSA, (1985, p. VIII). O que justifica esse estudo para além dos paradigmas modernos é a raridade de análises a partir de uma leitura de autores pós-modernos. Portanto seria importante estarmos contribuindo por um novo tipo de discussão em nosso meio acadêmico, como forma de proporcionar-lhes um novo espaço de debate. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="mailto:oleotti@bol.com.br"&gt;oleotti@bol.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto: www://br.geocities.com/comunavirtual2/garoto.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114722404154090985?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114722404154090985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114722404154090985' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114722404154090985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114722404154090985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/crise-da-modernidade-educao-e-o-ensino.html' title='A CRISE DA MODERNIDADE, A EDUCAÇÃO E O ENSINO DE HISTÓRIA - ODEMAR LEOTTI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114688378727895359</id><published>2006-05-05T19:36:00.000-07:00</published><updated>2006-09-14T18:27:35.523-07:00</updated><title type='text'>CERIMÔNIAS DO ESQUECIMENTO-Ricardo Guilherme Dicke: o catador de histórias sem fim.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/raiz.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Com os olhos de observador do cotidiano da vida, ou melhor, da infinidade de vidas, DICKE parece querer prender um espaço da memória, ou de sua fabricação como que queira protege-la para que se procrie, se multiplique, parecendo menos querer uma história que conserve um modelo único de vida que possa garantir uma certeza de dias melhores e muito mais querer recolher lugares da memória que faz soltar a memória para que ele se perca na luxúria do pensar, na sua disseminação de linhas tortas onde se possa fornicar com o passado como brecha para parir presentes diferentes, futuros que não agrilhoe a eternidade de cada instante, de cada fulguração do parecer que convenha a cada história. Fica parecendo uma história para quem ainda interessa por lembranças que roça as barras da calça, que dá frio na costela, que dá solidão, que dá vontade de se jogar para dentro de si para voltar para seu útero. Vejam um pouquinho de DICKE. Saboreie este seu jeito meio pantaneiro, meio chapadense de colocar mundo por palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aquela noite já passou e que até já se esqueceu e se misturou com a noite de hoje que a gente sem quere vai devagar misturando e se esquecendo. A gente esquece os dias e as noites? Esquecimento, fadigas das neblinas? Barro das olarias”. P. 11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... quem sabe direito dessas histórias? Histórias são histórias, como na vida. Lendas também podem ter acontecido, para isso bebendo se acredita de repente, da susto, como quem desperta de chofre de algum sonho que nos levava na sua correnteza não sabe para onde em que direção: Sul, Norte, onde? Ninguém. Só aquele homem de olhos enevoados que contava essas histórias. Quem sabe e conserva as histórias ? ninguém, como na vida antiga, que todos sabem! Só nós mesmos que paramos aqui, amodorrados, perdidos dentro de nós mesmos, de cara de sombra embora, com olhos de barro que se desfazem na noite, talvez nossos olhos neblinosos que vemos tudo em névoa e névoa, cataratas que vão se desmanchando brancos na noites com o fragor da vida, cada vez mais, contando essas histórias que vão nascendo na argila branda da memória que não se esquece fácil, cercado da persistência do esquecimento que rói tudo teimosamente como as ratazanas do olvido roem o queijo da lua, requeijão das estrelas, como ilhas e, arquipélagos do céu. Modorra, morrinha, mormaço, tristeza, crepúsculo. Moscas pesadas. E as caras em sombras dos bois que passam.” P. 15.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte: Odemar Leotti &lt;a href="mailto:oleotti@bol.com.br"&gt;oleotti@bol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.valholl.hpg.ig.com.br/figuras/freixo_raizes3.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114688378727895359?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114688378727895359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114688378727895359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114688378727895359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114688378727895359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/cerimnias-do-esquecimento-ricardo.html' title='CERIMÔNIAS DO ESQUECIMENTO-Ricardo Guilherme Dicke: o catador de histórias sem fim.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114668519435040877</id><published>2006-05-03T12:13:00.000-07:00</published><updated>2006-05-05T18:50:52.036-07:00</updated><title type='text'>POR UMA ARQUEOLOGIA DO SABER  HISTÓRIOGRÁFICO:OS LIMITES DA CRÍTICA  HISTORIOGRÁFICA - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/michel.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/michel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Já há bastante tempo que os historiadores identificam, descrevem e analisam estruturas, sem jamais se terem perguntado se não deixavam escapar a viva, frágil e fremente “história”. [p.13]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A realidade das formas críticas que presenciamos em nosso cotidiano acadêmico no que consta ao que entendemos como críticos historiográficos, mostra o quanto temos ainda que aprender nesse campo. Enquanto no campo da Educação, nos termos disciplinares que entendemos como a Pedagogia, já se presenciam nomes importantes que já estão repensando a crítica a partir, não da leitura estruturalista, mas sim, de um tipo de leitura, que ultrapassa a leitura cientifica em sua modelagem moderna. Ou como afirma Foucault uma saída fora do sistema de pensamento, que criou as propriedades autorizadoras do funcionamento das ciências. Essas propriedades não dão às ciências requisitos para lerem a si própria, ou como ele afirma: “as ciências não conseguem ver a si próprias”. Seus próprios instrumentos as impedem de uma ontologia de seu funcionamento. Como afirma Veiga-Neto, sofrem do efeito do boot strap, ou seja, querer sair do seu pântano puxando-se pelos próprios cadarços de seus sapatos. Temos críticos na área de história que vêem, cada qual, se aproximando mais do entendimento sobre o passado e que, fica parecendo, que mais dia, menos dia seria alcançado uma efetiva forma de descrição ou explicação desse passado, como se ele fosse o único e real à espera de uma melhor interpretação. Vemos nisso uma certa linearidade e que numa sucessão aperfeiçoadora poderíamos obter afinal uma interpretação mais benéfica do objeto da história.&lt;br /&gt;Canguilhem entende não ser possível essa forma de leitura crítica das ciências e então não o seria a mesma problemática com relação aos procedimentos historiográficos. O que nos importa mais é buscarmos entender as contingências históricas em que esses conceitos são constituídos e validados, as regras que garantiram sucessivamente durante os tempos, até chegar a nós e, instaurar em nossos sentidos, de historiadores, formas tidas como verdades sobre objetos. Não cabe a nós o papel de obediência a esses conceitos, nem entender que foi, simplesmente uma tentativa de melhor abstração sobre o objeto da história. Devemos sim, estranhar esses conceitos e, buscar no passado sua historicidade. Ir, a partir da dúvida de sua legitimidade como abstração, e mais que entende-lo como melhor ou pior, contribuinte ou não, buscar o lugar no passado em que se constituiu como verdadeiro. Como passou a ser instituída a sua validade como método de estudo, as regras que o garantiria como algo que veio refinar o que já existia no estudo do passado, na verdade é fruto de um conjunto de regras, ou melhor, as regulamentações instituídas nas comunidades de saber, e no nosso caso do saber historiográfico, muitas vezes excluem, silenciam ou afastam outras formas de análises com práticas muitas das vezes espúrias. Quais foram os meios teóricos e as variedades desses dispositivos que tomando forma de leis históricas, tornaram-se meios que lutaram para manter a sua hegemonia sobre algo que ameaçasse sua integridade e domínio. Ou como Foucault resume do estudo de um dos seus mestres, o historiador das ciências Canguilhem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...a história de um conceito não é, de forma alguma, a de seu refinamento progressivo, de sua racionalidade continuamente crescente, de seu gradiente de abstração, mas a de seus diversos campos de constituição e de validade, a de suas regras sucessivas de uso, a dos meios teóricos múltiplos em que foi realizada e concluída sua elaboração&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos ainda lembrar da observação, que Foucault recuperou, sobre as escalas micro e macroscópicas da história das ciências em Canguilhem. Nesse aspecto ele reafirma a não homogeneidade dos acontecimentos e de suas conseqüências. É problemático aceitarmos os ritmos impostos pelas (e nas) narrativas que tentam dar uma forma única (para aquele que produz historiografia sobre algum passado) e, conseqüentemente, garante a este um lugar, autoridade de fala, desde que dê positividade a uma forma discursiva e, desde que esta esteja alojada numa unidade literária que positive uma forma, naturalizando-a como método de explicação para o tempo histórico. Os acontecimentos não se distribuem de forma ordenada e última, são sim ordenados após operação conceitual. O pior de tudo isso é que quando algum modelo historiográfico é aplicado nos estabelecimentos de ensino, o são de forma naturalizada, sem a presença de esse tipo de análise. Fica valendo para cada clientela receptiva das aulas de história, o que está impresso e a forma que o professor repassa e fica posto como se fosse mesmo o passado.&lt;br /&gt;Para além da preocupação dos críticos de esquerda que expunham as denuncias de que algum texto estava a serviço de uma classe social, existe a preocupação em saber de que lugar fala o denunciante. Aí se incluem os textos historiográficos produzidos pelo modelo estrutural marxista, ou seja, dos intérpretes de Marx, dos chamados de “ortodoxos aos considerados como “neomarxistas”. É preciso que se faça uma análise das produções historiográficas a partir do campo discursivo em que elas emergem. É preciso então estudar as produções historiográficas sobre, principalmente o passado do Brasil, a partir do campo discursivo que lhes garantiram, cada qual em sua contingência histórica e as regras que lhes garantiram a emergência e as leis de seu funcionamento. Quando saímos do campo da abstração em que foram fabricadas e nos deslocamos ao cotidiano do fazer-se como conceito, naquele instante magmático das dispersões, quando estão em estado de naturalização, poderemos encontrá-los contaminados das necessidades de afirmação de uma contingência histórica em que são instaurados. São instrumentalizações múltiplas que se dão de formas diferenciadas e, muitas das vezes, são procedimentos tais que se tornam inconfessáveis. Ou como nos afirma Foucault, na continuação de seus comentários sobre as análises de Canguilhem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... entre as escalas micro e macroscópicas da história das ciências, onde os acontecimentos e suas conseqüências não se distribuem da mesma forma: assim, uma descoberta, o remanejamento de um método, a obra de um intelectual – e também seus fracassos – não têm a mesma incidência e não podem ser descritos da mesma forma em um e em outro nível, onde a história contada não é a mesma.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As variações, nas formas de produção do passado, aparecem em suas modalidades múltiplas, que se modificam de acordo com os lugares de leitura e os campos discursivos que lhes garantem autoridade de fala sobre o passado. Essas redistribuições recorrentes, ora emergem, ora silenciam-se, garantindo uma descontinuidade no campo da produção historiográfica. No caso do Brasil a produção sobre o seu passado tomou formas que variaram quanto à temporalidade, à periodicidade, etc. O passado brasileiro sofreu descontinuidades e, sua produção sofre de tempo a tempo modificações que ficam materializadas nas obras que nos são apresentadas e, que ficam muitas vezes, algumas delas, de acordo com a contingência histórica e suas regras de emergência, excluídas das ementas apresentadas. Isso só pra falar do ensino do terceiro grau, assim como somente aquelas obras que conseguiram ser publicadas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Assim vale para a análise das modalidades historiográficas que procuram explicar o passado brasileiro o que nos afirma Foucault. As redistribuições não são nunca dadas de forma linear, contínua e homogênea. Para ele, um estudo mais aproximado dos seus instantes de emergência faz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... aparecer vários passados, várias formas de encadeamento, várias hierarquias de importância, várias redes de determinações, várias teleologias, para uma única e mesma ciência, à medida que seu presente se modifica: assim, as descrições históricas se ordenam necessariamente pela atualidade do saber, se multiplicam com suas transformações e não deixam, por sua vez, de romper com elas próprias.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de haver toda uma série de investimentos, presos à proximidade ou não, com a objetividade, não estaria essa fonte investigatória atendendo unicamente a práticas discursivas do seu estado contingente? Não seria mais frutífero estarmos estudando as construções epistêmicas a partir dos conceitos por elas produzidos ou utilizados? A ordem discursiva determina a forma de abordagem, torna-a impregnada de conceitos, tanto no pretenso objeto estudado quanto na clientela que pretende atingir. Constroem-se modelos de funcionamento de sociedades e graduações hierárquicas de percepções. Assim, municiadas, as ciências humanas pretendem estar analisando a natureza das coisas, entendendo estar fazendo uma análise científica. Melhor que ficar preso à proximidade ou não da objetividade, seria mais oportuno, analisar as estruturas discursiva ou literária que estão compondo a narrativa de alguns historiadores. Segundo Hayden White:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando procuramos explicar tópicos problemáticos como natureza humana, cultura, sociedade e história, nunca dizemos com precisão o que queremos dizer, nem expressamos o sentido exato do que dizemos. Nosso discurso sempre tende a escapar dos nossos dados e voltar-se para as estruturas de consciência com que estamos tentando apreende-los;ou, o que dá no mesmo, os dados sempre obstam a coerência da imagem que estamos tentando formar deles.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se procedermos a uma análise, a partir dos campos discursivos, poderemos delinear a existências de ordens discursivas garantindo, de forma não sucessiva, regimes discursivos explicadores do passado brasileiro. Com isso consegue-se entender a existência de formas narrativas no século XVI e XVII que se diferenciam das narrativas historiográficas produzidas no século XIX, que com o IHGB inauguram uma historiografia voltada para a instituição do conceito de nação para suprir as necessidades do recém império criado. Já presa a um discurso emancipador próprio da Ilustração e principalmente dentro discurso civilizador. Essa forma difere-se da historiografia do século XVI e XVII, ao observarmos a narrativa de Pero Magalhães Gandavo, de Frei Vicente do Salvador. Enquanto esses historiadores ainda ficavam nos procedimentos narrativos do seu tempo, o século XIX já trazia formas de interpretação entrelaçadas dos discursos positivistas e das narrativas que homologam seu regime de temporalidade e escolha de objetos.&lt;br /&gt;Ao fazer um estudo de Nietzsche sobre os dispositivos das operações historiográficas do Iluminismo com relação ao passado, entende que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude do Iluminismo para com o passado era menos a-histórica ou não-histórica que “super-histórica”, inclinada que estava a submeter o passado ao crivo do julgamento, a dissolve-lo e, quando necessário, condena-lo no interesse das necessidades presentes e da esperança de uma vida melhor. Certamente, como até Nietzsche admitiu, esta propensão a “aniquilar” o passado é tão perigosa em sua forma quanto a simpatia indiscriminada por coisas velhas pelo simples fato de serem velhas, que constitui o indício da obsolescência de uma cultura.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As historiografias de Von Martius, Varnhagen, e Capistrano de Abreu devem merecer mais do que uma análise “ideológica”, como comumente vemos em nossos críticos historiográficos mais conhecidos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;. Com o advento do Instituto Histórico e Geográfico, inaugura no Brasil Imperial, a necessidade deu uma história que consiga disseminar nos sentimentos uma representação ocidental civilizatória. Um sentimento que entenda o sentido de nação como uma forma de civilização. Segundo Reis,&lt;br /&gt;Se nos atentarmos para o pensamento de Max Scheler, as produções de Capistrano acontecem a partir da tradição do seu tempo e é ali que ele se move e faz mover seus herdeiros Paulo Prado e Oswald de Andrade. O estudo de tal acontecimento discursivo da historiografia deve receber seu tratamento em outra parte desse estudo.&lt;br /&gt;O que agora queremos é pensar, essas produções historiográficas, com a ferramenta de análise, proporcionada por Foucault, White e suas ressonâncias nietzscheanas. Mais do que entendermos que essa historiografia esteja produzida a partir do poder das estruturas sociais que as garantem e determinam sua função, queremos entender a produção desses saberes historiográficos como frutos de um campo discursivo, ou de um sistema de pensamento. Procuraremos discernir as regularidades discursivas que lhes garantiram, como Unidade Discursiva e da formação de objetos, de conceitos, de estratégias. Que regime lhes garantiu a emergência e que leis garantiram seu funcionamento.&lt;br /&gt;Se hoje estamos convivendo com a crise do modelo estrutural da análise da historiografia, estamos ao mesmo tempo tendo dificuldades em presenciar uma modificação do seu campo de estudos. Estas dificuldades partem de duas vertentes de análises que tentam enquadrar as leituras de Foucault. Se em dado momento da crítica entendem as leituras pós-estruturalistas como formas irracionais de análise em outro o entendem como mais um esforço de continuidade de suas formas críticas. Isso nos faz entender o difícil movimento da mutação epistemológica, devido à sua dificuldade de existir, sem suas narrativas lineares, homogeneadoras, totalizadoras e encadeadoras. Há muita afirmação em muitas críticas historiográficas que estão eivadas do conceito de dialética, concebendo as diferenças nas formas historiográficas como produto do lugar do historiador no contexto sociológico, que procura identificá-lo em algum lugar na estrutura social, que assim o comprometa, e assim, sucessivamente, possa excluí-lo como interpretação, como fruto de uma subjetividade.&lt;br /&gt;Os estudos dos modelos historiográficos, presos ao estruturalismo materialista só se dão, a partir do conceito de contradição, que identifica as produções historiográficas - que desarrumam o que consideram como história verdadeira - como sendo de cunho ideológico. Presos a esse modelo, não conseguem pensar nada, no que toque à ciência histórica, sobre o passado, que não seja através da busca das origens, dos antecedentes de qualquer acontecimento histórico e de sua conexão com uma meta-história em busca de uma finalidade. Através de nexos encadeadores ligam a formas de sucessões acontecimentos um ao outro, presos a uma ordem discursiva que os instituem como produtores historiográficos sobre o passado.&lt;br /&gt;A singularidade, só tomaria sentido, dentro de um modelo que garantisse nexos entre ela e uma meta-narrativa que a tornaria inteligível. Para tanto teria que estar inserida em toda sua instrumentalidade conceitual: em suas noções de tempo, em suas estratégias, rumo a formas escatológicas e teleológicas. Há o que Foucault entende como uma dificuldade nauseante para com a singularidade dos acontecimentos, das diferenças que faz o acontecer dos afastamentos. Há uma vontade naturalizada, uma verdadeira necessidade de captura de tudo que ponha em dúvida o idêntico e torne uma ameaça de sua desintegração. Há um cuidado exacerbado com tudo que torne obstáculo à história linearizante e totalizadora. A relação entre substancia e sua derivação torna-se um lugar de tensão e vigília. É como se tivéssemos medo de pensar as multiplicidades do passado, as dispersões diluidoras das elucubrações metafísicas que as colocam em cheque. Parafraseando Foucault, quando ele afirma que é como se tivéssemos medo de pensar o outro dentro do nosso próprio pensamento, disséssemos que é como se a historiografia brasileira tivesse medo de pensar as outras formas culturais de mundo, de vida, de espaço, de trabalho nas suas próprias formas de pensamento sobre tudo isso. Ou como nos afirma Foucault:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se aí onde estivéramos habituados a procurar as origens, a percorrer de volta, indefinidamente a linha dos antecedentes, a reconstituir tradições, a seguir curvas evolutivas, a projetar teleologias, e a recorrer continuamente às metáforas da vida, experimentássemos uma repugnância singular em pensar a diferença, em descrever os afastamentos e as dispersões, em desintegrar a forma tranqüilizadora do idêntico. Ou mais exatamente, é como se a partir desses conceitos de limiares, mutações, sistemas independentes séries limitadas – tais como são utilizados pelos historiadores – tivéssemos dificuldades em fazer a teoria, em deduzir as conseqüências gerais e mesmo em derivar todas as implicações possíveis. É como se tivéssemos medo de pensar o outro no tempo de nosso próprio pensamento.[8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma certa preocupação de Foucault com o que chama de antecipação aplicada por inserções de metáforas que garantem “o lugar das continuidades ininterruptas”. Essa atitude dos historiadores estaria alicerçada em uma tentativa de unir por “encadeamentos”, de forma que “nenhuma análise poderia desfazer sem abstração”. Assim é com um certo tipo de história que vem prevalecendo como verdade histórica, que muitos de nós tem se conduzido e acionados por esse modelo. Ao nos exercitarmos instituídos por essas continuidades, estaremos conduzindo aqueles que estão nos ouvindo, reduzindo-os a um saber pastoral, roubando-lhes o lugar de abertura do mundo. Ao nos instituir a partir de um sistema de pensamento que fecha o mundo, impedimos a diferença em nome de uma totalidade sufocante. Tendo sua fonte nas estruturas literárias que, milenarmente, tem construído, via uma ordem discursiva, suas unidades literárias, fazem com que nesse mesmo tempo, que imaginam estar proporcionando um saber libertador, está sim, pelo contrário transformando seus pretensos atos libertadores, em verdadeiro arrebanhamento e sua conseqüente transformação em pensamentos agrilhoados e esterelizados pelo saber ascético.&lt;br /&gt;Mascarado na imagem de formação-saber funciona como corretivo-liberação&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;, ao alicerçar-se nessas unidades discursivas que se opõe a todo tipo de diversidade, todo tipo de diferença. Ao tentar aplicar uma forma homogeneizadora transcendental sobre as multiplicidades culturais, tanto a nível coletivo quanto individual, agem como experimentassem “uma repugnância singular em pensar a diferença, em descrever os afastamentos e as dispersões, em desintegrar a forma tranqüilizadora do idêntico”. Na ilusão de um ensino ilustrador e emancipador tornam-se aprisionadores de almas.&lt;br /&gt;O que se pode observar é que essa forma de procedimento é uma necessidade cotidiana no mundo da historiografia estrutural e totalizadora e com isso, observamos a construção de uma historiografia sintetizadora, que parece viver na angústia de garantir uma certeza salvadora contra as diferenças produzidas pela história fremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se ela tramasse, em torno do que os homens dizem e fazem, obscuras sínteses que a isso se antecipam, o preparam e o conduzem, indefinidamente, para seu futuro, ela seria, para a soberania da consciência, um abrigo privilegiado. A história contínua é o correlato indispensável à função fundadora do sujeito: a garantia de que tudo que lhe escapou poderá ser devolvido; a certeza de que o tempo nada dispersará sem reconstituí-lo em uma unidade recomposta; a promessa de que o sujeito poderá, um dia – sob a forma da consciência histórica – se apropriar, novamente, de todas essas coisas mantidas à distância pela diferença, restaurar seu domínio sobre elas e encontrar o que se pode chamar sua morada. Fazer da análise histórica, discurso do contínuo e fazer da consciência humana o sujeito originário de todo o devir e de toda prática são as duas faces de um mesmo sistema de pensamento. O tempo é aí concebido em termos de totalização, onde as revoluções jamais passam de tomadas de consciência.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[10]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o século XIX, sob formas diferentes, segundo Foucault, esse tema representou um papel constante: “proteger, contra todas as descentralizações, a soberania do sujeito e as figuras gêmeas da antropologia e do humanismo.”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[11]&lt;/a&gt;. No afã de garantir uma história contínua, constroem uma história desencarnada, destituída dos acontecimentos múltiplos e descontínuos nos seus espaços e tempos em que práticas diversas constituíram formas culturais de funcionamento humano. Diante da impossibilidade de contornar as irrupções contínuas e desestabilizadoras, a história do pensamento que permanece como lugar das continuidades ininterruptas, torna-se uma prática regulamentadora que mantém, onde possa haver nexos interruptores, encadeamentos conectores. Mantém-se como sentido de vida, como se realmente o fosse. Para isso necessita estar, vigilantemente e ostensivamente, se instituindo como entidade mantenedora de controle contra qualquer análise, que porventura possa se constituir em ameaça de interrupção dessa necessidade evolutiva e refinadora do sentido humano. Um exemplo clássico na literatura historiográfico brasileiro foi o intenso burburinho produzido pela forte oposição das obras de Gilberto Freire, que veio à luz de forma a por em cheque o discurso evolucionista das ciências humanas, em particular aquelas produções historiográficas, que envolvidas pelo discurso antropológico, e se apresentando como seu pseudo-inimigo, não conseguiram se desfazer de noções como evolução. Mais particularmente temos convivido com críticas, que ao não conseguirem se desvencilhar das estruturas marxistas, fizeram coro, contra outros estilos historiográficos de construção sobre o passado brasileiro, impedindo seu acesso aos estudantes de todos os graus.&lt;br /&gt;O que já acontecia com os literatos do final do século XIX e início do XX, como Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, etc. veio à tona com a obra de Freire, repetindo a emergência dos trabalhos antropológicos de seu orientador Franz Boas que rompeu com o discurso positivista da antropologia, deslocando a análise racista para a análise das estruturas culturais que produziam problemas que eram atribuídos a questões raciais. Se Boas foi atacado pelos positivistas, seu orientando sofreu o mesmo nas mãos dos historiadores marxistas. Sob esse tema da continuidade, houve uma luta constante pela hegemonia do lugar da verdade sobre o passado. Ao analisarmos as produções historiográficas sobre o período colonial e compararmos com o que convivemos nos planos de cursos, ficamos pasmos quanto à naturalização de discursos historiográficos estruturalistas e de sua materialização como ementa, como se fosse, ela mesma a verdade sobre o passado colonial&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[12]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Um exemplo disso é o conteúdo da ementa da disciplina História do Brasil Colonial. Vejamos: “Estudo do Brasil Colonial. Suas relações econômicas, sociais e culturais, através das diferentes abordagens historiográficas e documentos”. Como podemos observar, essa ementa já vem predisposta pela proposição “relação econômica” de forma positivada, como uma unidade discursiva válida, como uma análise da realidade. Essa mesma análise vê as outras análises como estudo de imaginários, idéias e mentalidades. Em outros casos são considerados como ideológicos. Outro exemplo interessante é o caso de Boris Fausto, que em sua obra História do Brasil, diz que vai apenas falar de aspectos sociais, econômicos e políticos, deixando de lado aspectos culturais. No caso ora exposto fica claro a análise a partir de estudos estruturalistas, bem referidos ao esquema montado por Louis Althusser, em sua obra Aparelhos Ideológicos do Estado. Como aspecto cultural entende obras literárias, tidas como de ficção, e artes plásticas de artistas da época analisada, Esta forma foi predominante nas obras a partir da segunda metade da década de 80 do século XX.&lt;br /&gt;Alfredo Bosi (1992), é um exemplo de distinção de que seria uma história da realidade e a que não trata diretamente dessa realidade. Não querendo intensificar a análise de seus estudos, que serão feitos em momento propício, mostraremos apenas os elementos norteadores de sua leitura do estruturalismo, ou do estudo sistemático. Vejamos o que afirma Bosi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distingo os termos sistema e condição para marcar nitidamente as notas desse acorde que parece justo e consoante a alguns ouvidos, mas dissonante e desafinado a outros. Por sistema entendo uma totalidade articulada objetivamente. O sistema colonial, como realidade histórica de longa duração, tem sido objeto de análises estruturais de fôlego, como o fizeram, com tônicas diversas, Caio Prado Jr., Nelson Werneck Sodré, Celso Furtado, Fernando Novais, Maria Sylvia Carvalho Franco e Jacob Gorender, para citar apenas alguns de seus maiores estudiosos.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[13]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bosi apesar de acrescentar dois elementos para a análise da vida colonial como sendo a condição, mesmo entendendo-os como complementares desacredita das formas de análise de dois estudiosos do Brasil Colonial. Para ele seus representantes seriam Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda. Tal condição estaria encarregada de estudos da condição doméstica tradicional. Apesar de ser bastante elogioso a esses autores, os contrapõe, entendo-os como não sistemáticos se negarmos o que para ele é, uma totalidade articulada objetivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt;[1] FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987. p. 05&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt;[2] ibid. p. 05.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Somos testemunhas do abismo que existe entre os que publicam tudo que produzem pelo fato de ter nomes que vendem a obra, ou pertencem e, do outro lado uma infinidade de gastos do dinheiro público com o financiamento de trabalhos de pesquisa que apesar do seu grau de seriedade e qualidade, ficam a mofar nas estantes das bibliotecas sem a mínima chance de publicação.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt;[3] Ibid. p. 05.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Cf. Hayden White. Trópicos dos Discursos. São Paulo: Editora da Unesp&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; ibid. p. 154.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt;[5] num outro momento estaremos fazendo um estudo de alguns dos que mais se tornaram manuais, como Ciro Flamarion Cardoso, Carlos Guilherme Mota, Nilo Odália, José Honório Rodrigues, José Carlos Reis. No campo da, assim denominada, Prática de Ensino, que parece somente valer para o ensino de história no ensino fundamental e médio. Entre eles, Selva Guimarães, Circe Bitencourt, Cabrini, Nitiuk, Kátia Abud,Delia Fenelon, etc.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt;[6] Ibid. p. 14.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt;[7] Cf. em Hermenêutica do Saber, onde Foucault trabalha a formação da alma-sujeito do homem ocidental.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[10]&lt;/a&gt; Ibid. p. 14.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;[11]&lt;/a&gt; Ibid. p. 14.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[12]&lt;/a&gt; Vide um concurso da UFMT, em que o edital dava destaque para o que entendia como “domínio de conteúdo”, como sendo o fator principal do valor a ser dado na nota dos concursandos. A banca ao ser interpelada por um dos candidatos qual seria o critério para escolha dos conteúdos adotados como verdadeiros, a banca sem resposta, apenas desvencilhou-se da pergunta, com uma resposta estranha que foi essa: “não se preocupe que isto só será exigido na segunda fase, na prova didática”. O tom de exclusão ou não do candidato fica por conta do leitor.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;[13]&lt;/a&gt;[8] BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 26.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte :Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.olavegeland.com/fouca300.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114668519435040877?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114668519435040877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114668519435040877' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114668519435040877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114668519435040877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/por-uma-arqueologia-do-saber.html' title='POR UMA ARQUEOLOGIA DO SABER  HISTÓRIOGRÁFICO:OS LIMITES DA CRÍTICA  HISTORIOGRÁFICA - I'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114662287067875357</id><published>2006-05-02T18:59:00.000-07:00</published><updated>2006-09-14T18:28:58.643-07:00</updated><title type='text'>NADA MAIS HAVENDO IHGMT e os limites dos silenciamentos - Odemar Leotti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/cuiaba.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Oito homens e nenhuma mulher tinham naquele dia que almoçar mais cedo. Aquele dia era um dia de um ano muito especial. Apesar de já um pouco atrasado no ano eles marcaram de reunirem-se às treze horas. Era dia onze do mês de agosto de mil novecentos e vinte e dois. Esses homens moravam em Cuiabá, e era nesta capital de Mato Grosso, que eles iriam se reunir. Quem eram eles? Eram os membros efetivos do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Fazia três anos que havia sido inaugurado esta instituição. O que seria o papel de uma instituição, ou melhor, de um instituto? Ou melhor, ainda seria colocarmos este termo em questão. Instituir é um verbo. Logo algo quando é instituído precisa de uma entidade para cuidar desse algo instituído. A entidade recebe o nome de “Instituto”. Quando afirma alguma coisa é na verdade um sistema de pensamento que os fazem funcionar. Se instalarem como sujeitos. Assujeitados se colocam como personagens instaurados que estão em práticas discursivas. Havia naquele momento uma vontade de instituição de uma forma de saber que fizesse com que as múltiplas ramificações culturais existentes unificassem suas formas de sentido em um único discurso: o da racionalidade civilizatória que se materializaria no encontro do Brasil com a modernidade. Para tanto era necessário, para que esta forma discursiva se positivasse instituir cada indivíduo como objeto assujeitado ao discurso civilizatório. Este parecia ser o recorte que as práticas discursivas se caracterizavam. Ele se instalava como a recortar um campo de projetos, pela definição de uma perspectiva legítima para o sujeito de conhecimento, pela fixação de normas para elaboração de conceitos e teorias&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Cada uma delas, supõe, então, um jogo de prescrições que determinam exclusões e escolhas. Aqueles seis personagens estavam reunidos no Palácio da Instrução. Eles se associaram para a vigésima terceira reunião do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Mato Grosso. Eram eles Philogonio Corrêa, Dr. Virgílio Corrêa da Costa Filho, Desembargador José de Mesquita, Advogado Estevão de Mendonça, Tenente Coronel Antonio Fernandes de Souza e Cesário Corrêa da Silva Prado. Esta sessão estava sob a presidência do ser Philogonio Corrêa. Nas posses de diretorias desta instituição eram convidadas autoridades de várias outras instituições, que por sua vez cuidavam do que havia sido instituído para que funcionassem para que aquele sistema de pensar que os guiavam obtivesse êxito. O doutor Virgílio Corrêa Filho, que nesta reunião passou o informe que havia sido nomeado para o cargo de Secretário dos Negócios do Interior, Justiça e Fazenda, declara que o fim principal desta reunião era o de se cogitar sobre a parte da comemoração do Centenário da Independência Nacional, que segundo informou competia ao Instituto cuidar. Cem anos se passara desde o grito da independência. Esse era um passado que precisava ser cuidado. Desde a fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil em 1831, que esta instituição e suas secções regionais cuidam da fundação da nacionalidade brasileira. Em outras palavras fazem o papel de fixar na memória das pessoas, em seus sentidos de vida de que são brasileiros e necessitam se verem a partir deste espelho. A instituição da nação e a manutenção de sua memória não podiam, ao ser instituída ficar sem quem dela cuidasse. Assim é que o Império do Brasil, alguns anos depois de proclamada a independência cuidou de instituir um sentimento de nacionalidade sobre a diversidade cultural que compunha esse imenso território. Portanto ao aproximar-se da comemoração dos cem anos da independência, precisamente quando faltavam apenas três anos, no ano de 1919, foi fundado o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Era preciso instituir um discurso unitário que fizesse com que a população se auto-sentisse como devedora de obrigações com o soberano, com a corte, com a nação. Para tanto era preciso unificar as opiniões em uma única forma de pensar. Não estava ali para fabricar o discurso da nação, do amor à pátria, pois seu papel não era simplesmente este. Seu papel seria fazer esse discurso ganhar corpo em outras instituições da sociedade. Em conjuntos técnicos, em instituições, em esquemas de comportamento, em tipos de transmissão e de difusão, em formas pedagógicas, que ao mesmo tempo as impõem e as mantêm. Quando a ata termina com o nada mais havendo, dá a entender algumas metáforas que passam despercebidas. É importante lembrar de Hölderlin, pensador alemão do início do século XIX, quando afirma que as palavras são como parábolas, estão carregadas de vida e morte. Pois acabamos lembrando de Paul Veyne, que pede que estranhemos aquelas palavras mais sutis, pois as que aparentam mais inocência são as que estão carregadas dos piores venenos. É por isso que aproveitei esta palavra tão sutil que esta carregada de uma autoridade dos cúmplices de tantas reuniões, quando se dão a falar: “nada mais havendo”. O quanto de exclusão está carregado este ato de escolher o que deve haver e o que não deve haver. Esta é a função das instituições, como afirma Foucault, quando se está a instalar algo, quando está a cuidar do que foi instituído, quando se quer recortar um campo de projetos, em detrimentos de outros, quando se instaura na ordem definidora de uma perspectiva, que se quer como legítima para o sujeito de conhecimento, toma-se da necessidade de optar pela fixação de normas para elaboração de conceitos e teorias&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Cada uma delas, supõe, então, um jogo de prescrições que determinam exclusões e escolhas. Nada mais pode haver, e para que se possa um dia nada mais a haver a não ser o conjunto de prescrições que um sistema discursivo entende como o caminho verdadeiro. E no caso do Brasil no início do século, já em outra fase de um discurso que aparece com força acentuada na efusividade republicana do final do século XIX, toma importância que se determinem, exclusões e escolhas. Dá-se a entender que o ato de falar nada mais havendo, foi, como afirmou Nietzsche, autorizado, após uma longa origem de derramamento de sangue daqueles que agora necessitavam incluir nos jogos de domínio, de forma a garantir sua governamentalidade. Para tanto assim se expressava:“esforce-nos todos para que o estudo de história nacional se torne um curso de civismo, uma fonte permanente e inexaurível de entusiasmo, fortaleza e animação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; FOUCAULT, M. 1926-1984. Resumo dos cursos do Collège de France (1970-1982).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=24738162#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; FOUCAULT, M. 1926-1984. Resumo dos cursos do Collège de France (1970-1982). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114662287067875357?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114662287067875357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114662287067875357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114662287067875357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114662287067875357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/nada-mais-havendo-ihgmt-e-os-limites.html' title='NADA MAIS HAVENDO IHGMT e os limites dos silenciamentos - Odemar Leotti'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114650243899369371</id><published>2006-05-01T08:52:00.000-07:00</published><updated>2006-05-01T20:52:48.650-07:00</updated><title type='text'>EXCESSOS  DE PODER ou LUZES E SANGUE NO "ILUMINAR" OCIDENTAL.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/multidao.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/multidao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Suas faces se desfaleciam. Desnutriam-se. Seus crimes quais foram? A verdade? Eles pensaram a mentira? Mentiras e verdades: como alguns as têm? Seus rostos iam desaparecendo. Tudo recai sobre o corpo. A exclusão, a prisão, a tortura, a demarcação, o controle espacial: por gênero, por idade, por dinheiro, por cor, por tudo. Por tudo que se possa ser diferente há o confinamento. Uns mais escandalosos outros mais sutis. Terror que espanta e terror que encanta. O que é pior: tornar a violência banal ou tornar a banalidade uma violência? Eis aí você? Pensa! Pensa! O preço que lhe cobro é pensar! Homens, mulheres e crianças. Todos estavam fadados a serem marcados. Jovens, velhos, crianças. Gulag ou Carandiru. Onde meus sentimentos se libertam de minha prisão que só vê com dor o que está lá longe? Carandiru, Teblinca, Guantanamo, Gulag. Eles são tratados como o gado é tangido pra ser encarcerado. Como se canta agora a efusividade liberal? Como se canta agora a internacional? Como se canta agora? Como se canta? Como se canta o Hino Nacional? Como se canta sem olhar os que exclui como mal? Como se canta agora Guantanameira? Como se canta? Fingindo não ver mouros enjaulados como figuras do mal? Que cena mais medieval! Como se canta o hino às crianças? Crianças sem lei, sem rei, sem deus. Os índios foram assim? Sim, foram marcados assim. A lei incrustada em cada um de nós, nós de rede geral, de rede funcional. Senão seremos do mal.&lt;br /&gt;Eles chegavam aos montões. Eram turbas de prisioneiros. Todos eram julgados por uma verdade construída em nome da luta de classes, em nome da civilização. Era isso que pedia Marx? Era isto que pedia Hegel? Mouros deixaram a península. Ela era ibérica, agora cristã. Eram multidões em fileira sendo enxotados. Multidões chegavam do nordeste, eram montões. Eram futuros incertos, ou certos ou escravos da certeza implacável? Eram turbilhões de desvalidos, sim isso é só o que sabemos o que eram. Eram turbas do campo sendo expulsos no tempo de JK, enquanto ficávamos preocupados com seu amor clandestino, não víamos seu horror clandestino. Ah! balela, papo de comunista. Eles vinham em turbas: era Londres e Paris do século dezenove, era Rio de Janeiro no vinte, era Eldorado dos Carajás de hoje. Eles vinham em turvas turbas. Eram refugiados africanos? Não? Ah! .Eram fugitivos afegãos? Palestinos? Não? Eram turistas europeus em turbas buscando paraísos? Ah!. Eles viviam no inferno? Enfim onde está o céu? Ora bolas isso é papo de ateu?&lt;br /&gt;To ouvindo uma voz que aparece. Ela ta vindo ali do lado. É um gemido um grunhido. É moribundo por todo lugar. Capitalista vira nazista. Comunista vira stalinista. Americano prende árabe como bicho. Polícia prende negro como animal para ser enjaulado. É no Haiti. O Haiti é aqui. Ai que dor pode nos afetar. Não dá mais pra acreditar. A razão não é universal. Por isso não é liberal. Não é socialista. Não é salvação cristã. A razão está em cada qual. Cada qual é todo mundo. Todo mundo em cada qual. Qual é meu mano, tira os panos. Mostre sua nudez. Viva já que está vivo. Quem sabe se você resolver aproveitar sua passagem de vida vivendo se distrairá, gozará e deixará os outros viverem, gozarem.&lt;br /&gt;Por Odemar Leotti&lt;br /&gt;Fonte Foto:www.carmencarmen.blogger.com.br/multidao.jpg&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="mailto:Oleotti@bol.com.br"&gt;Oleotti@bol.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114650243899369371?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114650243899369371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114650243899369371' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114650243899369371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114650243899369371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/05/excessos-de-poder-ou-luzes-e-sangue-no.html' title='EXCESSOS  DE PODER ou LUZES E SANGUE NO &quot;ILUMINAR&quot; OCIDENTAL.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114627791891532361</id><published>2006-04-28T19:26:00.000-07:00</published><updated>2006-04-28T19:31:58.926-07:00</updated><title type='text'>PORQUE NÃO VIVO, POSTO ESTAR VIVO?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/escravid??o.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/escravid%3F%3Fo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Aqui poderíamos viver, posto que vivemos.&lt;br /&gt;Niestzsche&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Viver seria um estado de realizar constantemente a ação humana. Este real fruto da ação é que coloca nosso ser como um sendo-no-mundo. A ação é um estado-estágio que garante a instantaneidade do ser deste mundo. Sua realização em relação com outros homens lhe garante um sentimento de pertencimento que é como um lago em que tem que mergulhar para poder sentir-se nele. O mundo é feito destes vários lagos que chamamos de cultura em sociedade. Cada qual constrói sua racionalidade que é uma condição desse pertencimento ao mundo. A atualização deste viver se dá simultaneamente com as ações, ou melhor, através do mergulho nas suas águas. Este ato modifica o lago e faz modificar o mergulhador. Então voltemos ao pensamento de Nietzsche. O que fez com que ele criasse algo parecido com uma redundância ao afirmar que poderíamos viver posto estarmos vivendo? O que ele está tentando nos alertar com isto? Como pode dizer que poderíamos viver e ao mesmo tempo dizer que isto se torna possível pelo fato de que vivemos. Será que a vida é algo absoluto, fundamentado e que tem uma origem essencial que devemos buscar para que possamos vive-la de forma perfeita? Há alguma forma perfeita de vida que ficou para traz e que necessitamos busca-la de volta, recupera-la, resgatá-la. Será que ela poderia ter sido deformada, degeneralizada com o uso errôneo feito pelos homens? Será que a forma com que está sendo usada é mera aparência do que foi em sua essência em seu passado? As tentativas de busca de uma forma perfeita de vida deveria passar pela aprendizagem da maneira certa de viver que se encontra no passada em suas origens primordiais e que a educação deveria cumprir o papel de ajudar-nos a recuperar uma qualidade que está oculta e que precisamos desvelar, descobrir?&lt;br /&gt;Se entendermos que as coisas não carregam sentidos por si. Se entendermos também que as palavras não têm sentido por si. Ou seja, como afirma Foucault em As palavras e as coisas, que o sentido não está nem nas palavras e nem nas coisas, então onde é este lócus em que se forma nosso entendimento das coisas? Não seria nas práticas discursivas que produzem objetos. Então se não atentarmos para o fato de estarmos vivendo uma vida que foi inventada pelas práticas humanas de lidar com os conceitos vendo-os como verdades, como se fossem naturais e que teriam vindo de uma tentativa de aproximação com a essência original da vida, não estaríamos vivendo o mundo do dito, ou seja, do que foi dito por outros e que nós acreditamos piamente? Então não estaríamos apostando nossa vida tão curta nas mãos de jogadores que consideramos mais competentes pelo fato de entendermos, ou nos vermos como um jogador fraco e sem qualidades de correr seus próprios riscos se jogando na experiência do jogo?&lt;br /&gt;Então em que estado ou lugar se encontra o sentido? O que seria sentido? Às vezes nos contentamos com a utilização dos substantivos sem atentar de que eles são derivados de verbos. Se entendermos que os verbos ao se tornarem substantivos se petrificam e passam a funcionar com moeda de troca anulando nosso impulso sensitivo que fica preso a conceitos neutralizadores do desejo de realizar-se, fazendo-o numa nova distribuição em que nós apenas nos limitamos a “viver”, a partir desta funcionalidade, sem tentarmos estranhar sua familiaridade perigosa. Seu perigo reside justamente pelo fato de ele colocar nosso desejo de forma inofensiva, transformando o que teríamos de impulso em algo controlado, amansado, domesticado, fruto de um empuxo que passa a ser visto por nós como se fosse tudo que temos para realização do nosso desejo.&lt;br /&gt;Nietzsche revolucionou o pensamento ocidental, principalmente quando sua obra Para uma genealogia da moral, foi estudada por alguns pensadores ocidentais a partir da crise da Razão ocidental no pós-guerras. Ele nos fala de um desejo que foi tolhido por uma moral ressentida a partir do escravo que ao se sentir dominado militarmente pelas forças romanas acenou para uma interpretação que transformou o sentido guerreiro de bom, em formas passivas que materializou com o conceito de humilde. Giacóia Junior em sua publicação para um público juvenil, de um estudo da obra de Nietzsche, traz uma interpretação importante para discutirmos o conceito de vida, que este pensador alemão, do século XIX, nos quer alertar sobre a forma como nos vemos, a forma como fazemos de nós mesmos e fazemos com os outros com o que fazem de nós mesmos. Ele nos reporta aos tempos “primitivos” em que iniciava-se as guerras tribais chamadas de “guerra justa”, em que entendia-se que a tribo perdedora deveria ser submetida aos desejos e necessidades da tribo vencedora. A partir daí a guerra deveria continuar através da introdução da política como a manutenção da guerra ou de resultado da guerra. Era preciso fazer com que o botim da guerra fosse adquirido fazendo com que os perdedores se incluísse na sociedade vencedora como forma a possibilitar sua exploração. Portanto a guerra sobre o perdedor será agora feita de forma política. Fazer com que entendam-se como integrantes da sociedade apagando a noção de submissão. Através da inversão da teoria de Claussevit, que entendia a guerra como continuidade da política por outros meios, Foucault em suas aulas que foram publicadas como Em defesa da sociedade, afirma, ao contrário que a política é a continuidade da guerra por outros meios. Portanto toda sociedade é instituída politicamente para garantir de forma persuasiva, tida como “pacífica”, as vantagens adquiridas de forma violenta e sanguinária. É essa massa cinzenta do passado que Nietzsche conclama a ser examinada.&lt;br /&gt;Portando voltando à questão da vida, o sentido que a compões passa pelas construções de significados que atendem à demanda da política. O que existem são políticas que instituem dispositivos de reinserção dos impulsos, transformando nossos desejos em desejos amansados e redistribuídos numa rede que impede os livres fluxos dos nossos atos de sentir-se e coloca-nos a seu serviço, educando as outras gerações a se inserirem no mundo a partir de uma guerra politizada a serviço de um centro que nos fecha à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foto:www.chabad.org.br/datas/pessach/historia/imagem/02g.jpg&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114627791891532361?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114627791891532361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114627791891532361' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114627791891532361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114627791891532361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/porque-no-vivo-posto-estar-vivo.html' title='PORQUE NÃO VIVO, POSTO ESTAR VIVO?'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114581523668767814</id><published>2006-04-23T10:36:00.000-07:00</published><updated>2006-04-23T11:00:43.843-07:00</updated><title type='text'>EM NOME DO PAI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/cora????o.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/cora%3F%3F%3F%3Fo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O meu  pai me ensinou que eu deveria cuidar do futuro. Quando eu voltava alegre do campinho de futebol, feliz por ter vencido e jogado bem, tudo isto logo tinha fim com a bronca dos meus pais. Dizia que essas coisas não dão camisa pra ninguém. Botaram-me logo cedo pra trabalhar. Vendi de tudo. Banana, laranja, abacaxi, verduras, produtos de limpeza, etc. Me colocou pra estudar na primeira escola da rua. Foi a única que encontrou. Passei boa parte da vida ali. Naquele santuário me ensinaram que eu era pobre, mas era feliz. Ensinaram-me também que havia um menino muito rico que era paraplégico. Fiquei feliz de ser pobre e poder andar. Olha o que eu não entendia era porque pra andar precisava ser pobre. Mas morria de medo de ficar rico e não poder mais andar. Não conseguia entender isso. Mas por segurança falei pro meu pai não ficar rico nunca, pois tinha medo de andar de cadeira de rodas. Nessa escola ensinam cada coisa, né? Hoje parece até bom né? Ta tão difícil de ficar rico que até é bom ensinar as crianças que é perigoso ficar rico. Pois é, estudei naquela escola que me ensinou essas coisas. Naquelas paredes feias e cheias de professores feios que viviam brigando com a gente. Aquela escola de paredes tristes que serviam de molduras, pra cara raivosa do professor senil. Com o tempo minha emoção foi indo embora, na mão daquele imbecil, daquele vil. Foi isso o que vi. Hoje eu quero desaprender essa razão que me fez me desfazer da emoção. Vitrificaram sim minha vontade de ser. Espatifaram meu coração. Tomaram meu lápis de cor e me deram um lápis preto. Impregnaram-me de um outro ser. Tiraram-me de mim ao me formarem em uma busca da perfeição, da emancipação. Era uma busca infinita de uma verdade impossível. Anos após anos nessa milonga sem fim. A areia foi escorregando e a ampulheta virando. A cada dia a vida acabava e o discurso a vivificava de esperança de futuro. O presente de nada valia. Era nisso que a vida resumia. Era feito uma busca intensa à procura da verdade. Porém meu amigo, O tempo foi passando e a redenção esperada cada dia mais longe. Cada dia mais longe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Odemar Leotti: &lt;/em&gt;&lt;a href="mailto:oleotti@bol.com.br"&gt;&lt;em&gt;oleotti@bol.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte da Foto:www.abyssofmutilation.blogs.sapo.pt/arquivo/LALA.jpg&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114581523668767814?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114581523668767814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114581523668767814' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114581523668767814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114581523668767814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/em-nome-do-pai_23.html' title='EM NOME DO PAI'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114580880491737560</id><published>2006-04-23T09:09:00.000-07:00</published><updated>2006-04-26T01:58:05.996-07:00</updated><title type='text'>AMIGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/bar.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/bar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Eu só queria te dizer alguma coisa, mas o sinal estava abrindo e o carro de traz buzinava nervoso. Você sumiu derrepente enquanto eu procurava um lugar para estacionar o carro, e não encontrei. Quando vi sua imagem se perdendo numa esquina gritei,mas,par mim tristeza, você nem quis me ouvir. Eu tentei ti alcançar, mas, para meu bespanto, você nem olhou para traz. Corri tentando ti alcançar, mas, ofegante,com olhar perdido, entendi que você nem quis me esperar, Fiquei triste e cabisbaixo, sentado na calçada. Meu olhar se perdia num misto de tristeza e desencanto. Parecia que cada vez mais a vida separava as pessoas. O que sobrou a não ser um olhar triste? Pensamento tentando ti alcançar. Onde estará meu amigo? Não pude nem imaginar. Nunca mais pude mirar seu rosto, seu sorriso, sua mão amiga que sempre ajuda a gente a levantar. Hoje fico pensando que vai aparecer naquele boteco e dar tapas em nossas costas. Mas tudo é só pensamento. Saiba Deus onde esteja você. Mas como louco vejo os jornais, assisto à televisão. Fico aflito com você assim sem a gente para ti defender. Pensamos no bar o que pode estar sentindo nesse mundo longe, estranho e perverso. Queria ouvir sua voz gritando a gente nos nossos encontros matinais de domingo longe do trabalho que nos separa em secções. Queria pelo menos ouvir você gritando num fone de orelhão como você costumava gritar com o torcedor do time rival quando o coringão ganhava. Mas você nem liga. Você nem liga pra mim. Quando vejo crime no jornal fico tenso, apavorado. Vejo logo o rosto do morto a face do bandido. É um negro, não é você . Tudo começa de novo, um dia após o outro, e você nem me dá notícia. Por que você nem liga, será que não tem mais voz? Ai me pego me desconjurando por pensar o que não quero nunca pensar e chamo isto de besteira. Queria ti dizer, que o mundo é grande. Que nunca chegará ao fim. Mas se continuar andando, quem sabe um dia, ao olhar na estrada, eu possa ver sua silhueta ao longe. Então a turma vai gritar alegre: vem beber uma. Sua cadeira está ali sempre vazia. Sua forma do nada espalhou o vazio por todo o bar, por toda a rua. A turma espera você nesta cadeira vazia. Aliás, não está nunca vazia, pois você é colocado ali nela quando aparece nas conversas, nos casos que contava que nós repetimos e fazemos você voltar. Mas ao invés de rir nossos olhos enchem de lágrimas. Esses causos são só seus por isso venha. Sua cadeira está vazia. Emanam vozes nas bocas dos que não tem mais o que falar sem misturar com a sua. Sempre olhamos para a porta que um dia você saiu e nunca mais voltou. Sempre olhamos para ela. Olhamos sempre sua silhueta inventada pela nossa saudade. Sempre olharemos para essa porta. Ela dá vazão a um olhar para a auto-estrada que leva as cargas do tudo pela estrada do nada. Nossos olhos miram sempre esta estrada. Quem sabe numa destas você nos sacaneia. E quem sabe... Possa ser você!&lt;br /&gt;Odemar Leotti: &lt;a href="mailto:oleotti@bol.com.br"&gt;oleotti@bol.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fonte da Foto: www.pintoresmexicanos.com/mpilar/Ausencia.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114580880491737560?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114580880491737560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114580880491737560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114580880491737560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114580880491737560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/amigo.html' title='AMIGO'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114573907561512140</id><published>2006-04-22T13:45:00.000-07:00</published><updated>2006-04-22T13:51:15.716-07:00</updated><title type='text'>ROSTO...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/rosto.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/rosto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu rosto, sua pele, seus poros... Ventos jogam seus cabelos contra suas faces umedecidas pelo orvalho. Quase morto este rosto umedecido, só os cabelos balançavam, só eles e as folhas da relva ao contrapor o vento. Olhos paralisados miravam o nada do horizonte que levavam ao lugar algum. Nada. Nada. Nada parecia existir de vida. Era somente a imensidão no olhar e o abismo que separava aquele ser da vida. A vida estava desatada do ser naquele instante. O que ata a vida ao ser? O que é, ou vem a ser a vida? O que somos nós? Qual é a relação entre nós e as coisas? Como elas se dão? Tudo isto pululava o pensamento daquele ser, da dona daquele rosto inerte. Estava “certa” que buscara a certeza, mais ela parecia esvaziar-se, esvair-se. Ao mesmo tempo, instante que era a morada do agora estava como num paradoxo esvaziado de conteúdo. Aquele rosto ficava mais empalidecido ainda. Pensava como sair do lugar que a dejetou naquele lugar não-lugar. Seu ser parecia um carro que parava de andar na auto-estrada, que achava uma Meca da modernidade, e que agora havia saído para um dos seus lados e não conseguia voltar. Não queria voltar, mas precisava voltar. Só a auto-estrada leva ao lugar certo. Se não voltasse sentiriam sua falta. Se não quisesse voltar seria tachada de louca. Parecia que sua instantaneidade estava em jogo. Parecia que não mais funcionava normalmente. Estar livre não parecia ser daquela maneira. Ela só poderia se dar sem sair da auto-estrada. Tinha lido de um pensador que o acesso fundamental à instantaneidade é crucial. Mas pensava como aquele instante ficaria como normal se ele estava destituído de razão? Ela sentia algo irracional. Será que é real. Será ela ou serei eu? Seria o imprevisível uma fenda para a liberdade? Mas a liberdade não haveria de ser alcançada de forma esterelizada sem o risco de eu estar como estou agora. Depressiva, doentia, dolorida, sentindo-se um corpo estranho na sociedade. Se não quiser seguir em frente, neste caminho infindo contra quem deveria me rebelar? Assim aquele rosto inerte pensava. Ao analisá-la a um descuido, e o tempo mudava de lugar o verbo de seu pronunciante. Começava com ela e passava para eu, desafiando o espaço que nos separava. Ao mesmo tempo pensava: o que nos separava com tanto frouxidão, com tanta leveza que fazia com que a terceira pessoa passasse para a primeira traindo nossa vigilância? Portanto neste meu depoimento do que vi, perdoem a instabilidade verbal. Tentem me defender perante os fiscais alfandegários da gramaticalidade imutável, quadriculadora que classifica os tempos como se os poros não se tocassem. Esperem um pouco, preciso voltar a olhar aquele corpo distante e logo ali, e numa distância louca, que desafia o espaço e faz com que me volte contra mim e me confunda com ele. É dela que quero falar! Será que é isso uma verdade ou uma falácia? Será que falar do outro não seria uma fuga do falar de si mesmo? E se já não somos mais tão hábeis na vigilância do espaço do individualismo porque ainda falamos de seres verbais separados? Eu, tu, ele, nós, vós e eles. Era assim desde pequeno o que aprendi. E de que adiantou se aquele ela territorialisou meu corpo, meu ser e já não sei mais o que fazer para continuar a narrativa. Ainda bem que existem as professoras de português para corrigirem nossos textos e separarem os tempos verbais. Dizem que isto é erro gravíssimo. Ainda bem que a poética escapa de ser considerada pobre graças ao calçamento feito pelos gramáticos na correção. Correção? Será que nosso texto quando mistura tempo verbal está errado? Mas não foi o verbo que se misturou. Foi meu ser, ao analisar aquele corpo, aquele rosto destituído de vida parece que sem querer fui analisando meu corpo que mesmo parecendo constituído de vida estava sendo analisado no lugar dela. Será que aquele rosto mesmo sem me fixar me denuncia? Aquele rosto é de quem? E se nós rebelarmos com nossos guardiões gramaticais? É meu aquele rosto? É dela somente? Ou é o rosto do leitor? Rostos singulares e tão parecidos, ou múltiplos rostos? Olho para o espelho... Qual espelho? Não havia espelho por perto. Olha, eu vim aqui só para olhar o outro rosto. Ele estava inerte e vagava o olhar. Aquele rosto era de alguém que eu conhecia. Você acha ele parecido com alguém? Leitor, cadê você, está me ouvindo? E eu onde estou? E aquele rosto? De quem será?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Autor:Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte foto:www.paralemdozero.blogs.sapo.pt/arquivo/rosto.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114573907561512140?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114573907561512140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114573907561512140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114573907561512140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114573907561512140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/rosto.html' title='ROSTO...'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114451216986249080</id><published>2006-04-08T08:38:00.000-07:00</published><updated>2006-04-08T11:47:47.296-07:00</updated><title type='text'>GRAVANHAS , OU ESPÍRITOS SUJOS DE CHÃO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/gravanhas.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/320/gravanhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poética é um lugar indizível, indivisível, indiviso: lugar da poesia, da criação provisória e sempre provisória numa luta infinda, como um fluir constante de existências insondáveis. Lugar não-lugar, ainda e sempre um não-ser sendo do lugar. Lugar como centelhas de não-lugares, centelhas que faíscam como no tilintar das espadas. Espadas que não voam, não faz vibrar suas lâminas de aço a não ser pela vontade guerreira de seu empunhador. Faíscas, eis a poesia, lugar do perigo, do saltar para pensar no ar. Esse lugar onde a vida é forma de exercício de um poder incontido e incomensurável. Somos esses exercícios feitos de toque nas palavras assenhoreadas, de palavras apropriadas peã nossa estética de recepção, que fazem nascer e desaparecer sentidos, num fluir constante e ininterrupto. Faíscas, eis a poesia se pondo em abundância pela vazão aos jorros da vida como fluxos impulsionadores. Faiscando a alimentando o fogo da paixão, esse lugar perigoso que nos espreita e que só nele é que se exerce a vida. Somos frutos destes ocasos, e ocasos criamos para fugir do perigo da estagnação do ser. Fugir sempre do terror da indigência do ser, eis nosso destino. Pegar o fardo e ir, eis o nosso destino. A vida é esse fardo constante de inventar um invólucro onde possamos armar nosso ninho. Onde possamos nadar na vida. É nessas águas que se formam as tribos, os grupos, os mais pequenos e as imensidões dos grupos. É nessa água que nadamos, na nossa língua, na linguagem que criamos para nela construirmos, de forma ingênua, nossa morada na vida. Deixar as palavras na dança dos espíritos que nos religam ao chão que pisamos, deixai esses espíritos tocarem as palavras, se apoderarem das coisas e fazer mundo. Sentimos nessa hora do perigo do salto, do jogo, como um timoneiro assustado entre o medo das tormentas e a vontade de nelas se lançar. Olhos estupefatos, tremor no coração: memória silenciosamente guardadas; de/coração. Como dizia o poeta: o que vai ficando para traz volta pela recordação, como um voltar pelo coração, num buscar de partes do mosaico da alma de nosso viver. Mimeses-elos, mimeses como líquido vaginal que se mistura com o sémem do homem, num sacolejar delirante da efetivação de uma dança da vida. Uma dança de semens e de óvulos. Células dando sim a vida, sabendo do enfrentamento da moral racionalizante que tenta criar no ser o empuxo para encarcerar seu fruto: o ser vivente. Conter o impulso, distribuir o prazer numa esteira de controle para somente procriação. Como lembrando de Clarice Lispector, a vida começa com um sim: uma célula diz sim a outra célula. Eis a vida. Depois se instaura uma moral e diz não a tudo que seja o impulso do desejo, eis o fim, eis a mumificação da vida. Dizer sim à vida é lutar para que ela não se petrifique. Deixar células em funcionamento para que a vida se dê como no tilintar das espadas da vida dos seus guerreiros. Ser bom não é ser manso de coração, ser bom é ser guerreiro. Só os guerreiros é que acendem as chamas dos corações de suas amadas.Palavras: tudo começa com essas palavras. Assenhoreadas pelos espíritos enxertam as coisas num sacolejar constante. É o fluxo Holderlininano de uma vida que se dá pela abundância. Semens e ovários, sexualiza a ação, quebram palavras, junta-se signos, suja-se de chão. Ah, agora sim, a poesia enfim como um espírito sujo de chão, como afirma o poeta Manoel de Barros, como "Gravanhas", como o rio do menino pantaneiro, que na poética do espírito e chão, chorou em poética se incorporando no seu ser menino quando se viu invadido seu ser pela palavra da ciência que fez seu rio deixar de ser uma cobra de vidro para virar uma enseada. Para sua tristeza aquela "cartilha científica", matou sua "cobra de vidro" ao obrigá-lo a decorar para provar que ela era na "verdade", uma enseada. Nunca mais viu sua "cobra de vidro": ela foi (dês) poetizada pelo saber verdadeiro sobre as coisas, sobre o lugar que o fazia nadar o dia inteiro. Nunca vais viu a "cobra de vidro", só ela. O fantasma do professor passou a habitar aquela imensidão da águas. A ciência parecia querer tirar a criança de sua perdição entre ela e a natureza, queria tirar e foi lhe matando por pedaços, roubando-lhes o encanto. A ciência, como afirma o poeta, pode descobrir as verdades sobre as coisas, nunca poderá descobrir, nem se deliciar com seus encantos.Portanto as palavras e espíritos se formam na tríade do santo que se enlameia para se formar. Céu e terra em completa perdição. Chão e clarão a erguer-se com os olhos estufados do menino como o nadador que sai com os olhos vermelhos estufados depois de um longo mergulho nas profundezas das superfícies através da embriagues mundana. Relembrando Barros: GRAVANHAS! Como o pássaro que nos causa inveja por poder voar, ele sente inveja de nós, ao divertir-se esfregando no chão: chão e céu: suspensão e firmamento: aprendendo com os pássaros com o que eles aprenderam com a gente. A terra é firmamento: ali eles pousam para brincar, pra comer, para reproduzir, para amar, depois voam: para fugir, para brincar, para encantarem-se. Assim parecem viver os pássaros, de encantamento em encantamento num numa eterna ociosidade que fomos ensinados a repulsar, ao trocarmos nosso impulso pelo empuxo disseminado pela moral platônica. Enquanto os pássaros voam e encanta-se num eterno fazer-se no instante, sem busca de um lugar distante, o que fazemos nós? Tentamos recompletar nossas asas cortadas. Assim podemos voar, mesmo como aquele que tenta recompor seus passos depois de perdê-los por um acidente. Voamos para brincar, saímos do chão para buscar nossos encantos. Vôo da alma desses pássaros que nasceram sem asas e não quiseram ser anjos puros. Preferiram a proximidade das serpentes para poderem viver às sombras das macieiras: sabiam que ela viria para instituir os limites dos desejos, transformando em pecado seus prazeres, implantando o sexo submisso à procriação.Voaram e caíram. Caíram por voarem, mas não ficaram no chão com limite do ser. Voaram, pois ao contrário dos pássaros, nasceram sem asas e não quiseram asas de anjos, asas cortadas pela moral cristão e a racional. Voaram sem essas asas de grilhões e caíram. Caíram e nos semearam e tiveram como parceiros, os pássaros. Pássaros: esses voadores que não são anjos e precisam do chão para viver. Nós também, que abdicamos das asas que nos são oferecidas: essas asas carregadas de grilhões, essas "asas-grilhões". Sofremos às vezes por termos coragem de voar do nosso jeito desajeitado. Voamos com nossas almas aladas que criamos no nosso molde de argila: argila de chão. Ao contrário dos pássaros, nós voamos para nos acasalar, voamos para brincar, voamos para encontrar resquícios de vida nessa aridez da Razão. Brincamos quando vivemos para poder viver quando brincamos. Arrancamos algum sorriso somente quando nos metemos a passarinho. Imaginamos inclusive que males passarão enquanto formos seres passarinhos. Voamos para amar o chão: voamos para beirar o céu que nos expulsou. Voamos para beirar espíritos mais condescendentes e os trazer para o chão, e os sujar de terra: poética de palavras suja de coisas: de coisas sujas de palavras: ESPÍRITO SUJO DE CHÃO! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte:Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desenho de Manoel de Barros&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.escaner.cl/escaner16/lector16a.jpg"&gt;www.escaner.cl/escaner16/lector16a.jpg&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114451216986249080?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114451216986249080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114451216986249080' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114451216986249080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114451216986249080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/gravanhas-ou-espritos-sujos-de-cho.html' title='GRAVANHAS , OU ESPÍRITOS SUJOS DE CHÃO.'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114418072606033501</id><published>2006-04-04T12:54:00.000-07:00</published><updated>2006-04-04T12:58:46.080-07:00</updated><title type='text'>REPENSAR O ENSINO DE HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/vida1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/vida1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Às vezes, ou sem querer ser generalizante, quase sempre, ao faltar algo que nos torne útil a um modelo de sociedade do homem cativo, somos excluídos e asilados em algum lugar que nos afaste da ordem que torna o que os homens imaginam a vida normal. Assim acontece com a loucura, com a criança, com a velhice, com os homossexuais, com os negros, com os índios e muitas outras formas denunciantes do descontínuo do ser, mais sutis que não conseguimos ver seus exílios em vida, como a mulher com relação ao homem e à sua participação no coletivo ou na família, a criança e sua voz sempre silenciada e pensada por uma infância como produto de homens letrados: cristianizados e racionalizados.Ao colocar ambas características buscamos compreender esses problemas sociais, não unicamente presos a uma leitura sociológica. Pois as ciências, por sua vez, são também produtos da invenção do século XIX, tempo contingencial em que foi fundada e teve o homem como seu objeto de estudo. Entender esses problemas relacionados à exclusão daqueles que não se enquadram em uma ordem homogeneizadora da sociedade seria o mesmo que retirar tudo aquilo que põe em risco o funcionamento de uma sociedade que só consegue se entender dentro de uma ordem racionalizante em busca de sua determinação histórica. Para se totalizar necessita ver o homem em sua busca de uma racionalidade que se daria na história ao adquirir sua totalização, e com isso procura entender as diferenças como desvios a serem superados e corrigidos. De forma hipócrita esse esquema de sentido torna-se ordenador e excludente de tudo que denuncia sua (im) possível continuidade. Aqueles que não podem, por diversos motivos, incluírem-se em sua onda rítmica de progresso, passam a receber um lugar na especificidade taxonômica dos seres e até pouco tempo são tidos pelos limites da análise das ciências modernas como casos irreversíveis. Isto feito criam-se instituições que cuidem de seus exílios. É preciso reverter a narrativa ocidental no que ela tem de platônico. Reverter seria o mesmo que desconstruir o sentido da vida, preso a um sistema de pensamento, que aponta para a busca da essência do ser.Quando nos aterrorizamos com as atrocidades dos regimes totalitaristas, não procuramos entender que eles surgiram em contraponto a uma sociedade que consideraram como produtoras de desvios na condução da humanidade. A forma nefasta tal qual conduziram suas ações não pode ser motivo de indulgência para com as formas que se produzem nas sociedades tidas como democráticas. Se no regime nazista excluíram, de forma hedionda, aqueles que por serem, o que hoje consideramos como deficientes, tidos por eles, como produto da degeneração humana, por nossa vez simplesmente os asilamos, os segregamos, os depositamos. Parece que há algo de triste em nossa sociedade motivado por nossa incapacidade de entender as diferenças componidoras da formação humana.O pensamento platônico buscou sua fonte de criação, atado ao saber parmenidiano próprio de uma cultura grega do século V antes de Cristo. Para a contingência histórica em que viveu Parmênides, havia uma prática discursiva que entendia o mundo visto a partir de um tempo circular. Tendo o biológico a lhes mostrar a mortalidade dos corpos, viam o futuro como decadência material, e portanto esse mundo tal como um corpo material que ele é, estaria se acabando e que era preciso um saber racional que retomasse essa rota temporal para evitar seu cataclisma. Instituir uma forma de saber que evitasse sua degeneração passou a ser o modelo de conhecimento sobre as coisas do mundo. Para Parmênides, o mundo da opinião era o mundo do homem de duas cabeças, que poderia estar traduzindo um mundo em que ocorria a interpretação e as apropriações criadoras das autorias construtoras da diversidade criadora do saber sobre as coisas desse mundo.O saber platônico, em sua obsessão da busca ascética, discordava com o saber dos sofistas que entendiam a palavra como forma de construção das objetivações sobre as coisas e as tornando formas de pertencimento a esse mundo. Viam neles um perigo à busca da matéria primordial que fazia funcionar a vida. Ao ver isso, viam nas interpretações sobre o mundo o lugar do aparecimento do que já existia como forma material precedendo o acontecimento do mundo. Em suma via as criações das verdades sobre o mundo pelas palavras como formas aparentes do que já existia como essência anteriormente. Platão foi o produtor desse constructo e Aristóteles deu-lhe outro formato.Deleuze e a questão da essência e da aparência.Deleuze dá uma grande contribuição a essa problematização em sua obra A Lógica do Sentido. Em seus estudos sobre a lógica do sentido, busca por em debate esse saber que elege a essência como um apriori, uma originalidade que não pode ser decomposta, que não aceita os paradoxos. Tentar uma reversão da busca da essência seria para Deleuze por as claras, através da desconstrução da estrutura e de sua unidade literária, do enunciado platônico que contribuiu para as apropriações que instituíram valores morais encarregados de excluir ou segregar a um lugar aristotélico-classificatório tudo que colocasse em risco a perfeição original e a busca da verdade final. A forma de progresso da humanidade entrava em choque com tudo que colocasse em cheque sua lógica de sentido. Portanto para Deleuze importava encurralar a “motivação do platonismo. Torna-la manifesta à luz do dia”. Entendia então motivação como sendo a distinção entre a coisa mesma e suas imagens “. Deleuze, inspira-se em Nietzsche na busca de sua reversão do platonismo”.Nietzsche assim define a tarefa de sua filosofia ou, mais geralmente, a tarefa da filosofia do futuro. Parece que a fórmula quer dizer: a abolição do mundo das essências e do mundo das aparências (...) Reverter o platonismo deve significar, ao contrário, tornar manifesta à luz do dia esta motivação, “encurralar” esta motivação – assim como Platão encurrala o sofista. (...) A essência da divisão não aparece em largura, na determinação das espécies de um gênero, mas em profundidade, na seleção da linhagem. Filtrar as pretensões, distinguir o verdadeiro pretendente dos falsos .O discurso da sensatez e o que ele tem de moral classificatória.Ao ser vítima de uma intervenção no seu sonho, na sua embriaguez o discurso da sensatez, este carregado de moral, faz do homem um andarilho na busca do nada e imolador de seu tempo presente através de atualizações carregadas de filosofias desencarnadas. Ao pensarmos em História não devemos desgarrá-la de sua função para a existência dos homens. Tal como a vemos hoje nas escolas, nos dá um certo pavor de senti-la como algo morto e distante do sentido cotidiano da comunidade onde se instala. É uma história totalmente desencarnada e torna-se um fardo para os alunos que somente a exercitam sob as ameaças de reprovação. Ao se sentirem livres dos muros da escola as lançam fora e voltam à sua embriagues, que tão belamente os caracterizam. Sim, isso se dá ao saírem dos muros da prisão que são obrigados a se inserirem caso para se tornarem homens cativos e caminhantes desse constantemente reinventado rebanho e seus pastores. Tentam torna-los servos de um ser que se diz superior a tudo que se crie, nos locais de seus cotidianos. Os tiram desse viver e os colocam junto das já, suas recrutadas vítimas de aprisionamento. Numa alusão a Milan Kundera, poderíamos dizer que muitos historiadores não conseguem furar os próprios olhos. As produções utilizadas no ensino de história, de maneira quase que geral ainda não conseguiu descer de sua arrogância de se achar a luz do saber e considerar a comunidade como não pensante. Seus historiadores não conseguem furar os próprios olhos, como o fez Édipo ao trair a alegria de sua comunidade.Deveríamos sentir prazer em [re] aprender a amar o dia e a noite e a paisagem que a enfeita mesmo que não seja aquela de outro tempo pois tudo nos liga à terra e que só nos falta o sentimento de pertencimento que adquirimos quando nos lançamos no dia a dia do seu fazer de homens. Não entendemos as palavras como partes que faltam e que entremeiam o prazer de viver. E ao pensar o viver, não notamos que vivemos entre o sonho e a embriaguez. Não conseguimos entender de que elas funcionam como formas, não de apreensão das coisas úteis para a vida, mas como forma de criação do mundo. Para os que buscam a vida tornando-as transparentes, ou melhor, que em seu sonambulismo entendem haver algo de real para além da linguagem, a esses sim: as palavras lhes representam pedras no caminho do viver. Tal como a semente de frutas que nos impedem uma desmedida mordida prazerosa por outro lado possibilitam novas frutas para novas gerações. assim são as palavras para a vida.Foucault, em seu livro Arqueologia do saber, questiona a utilização de noções, de conceitos, de temas e a naturalização, a positividade dessas metáforas que são utilizadas como moeda de troca, sem ao menos serem desfamiliarizadas. Precisamos estranhar o presente antes de nos aventurarmos a elucidá-lo. O século XX registrou algumas escolas, círculos de estudos, movimentos, que ao deparar com pedras no caminho da razão utilizou-se de suas próprias ferramentas, num esforço, tal como o boot strap, como forma de desvencilhamento dos dissabores causados pelos “desvios” da razão instrumental, em sua missão de levar a ilustração à toda a humanidade que entendiam estar esfacelada pela diversidade, pelas apropriações “equivocadas” que faziam da razão. Larrosa em sua obra Nietzsche e a educação mostra como a leitura, que deve algo para o nada, para o desconhecido e portanto oscilante cai na mira do pensamento ilustrado como algo que deva ser constantemente reendereçado ao rumo certo na busca da consciência absoluta e libertadora, nas apropriações marxistas, ou na sua fonte anterior de teor hegeliano, conseqüentemente dos fenomenologistas e na viagem kantiana da menoridade à maioridade. Libertar-se desse modelo de liberdade seria então, segundo Nietzsche, o sentido contrário, ou seja, da maioridade em busca do seu ser criança, àquele momento em que se pode praticar a leitura do mundo pela arte da criação sem um sentido prescritivo definidor do certo e do errado. Pensar fora da ordem discursiva significou, no pensamento moderno como algo que dever ser corrigido, como algo que deva ser excluído caso exista na forma irreversiva.Comunidades de pensamento, como o Circulo de Viena, Escola de Frankfurt, tiveram em representantes como Husserls e Hábermas dois exemplos de críticas ao racionalismo sem desvencilhamento com seus instrumentais. O que se entendia era a tentativa de salvação do caminho da liberdade puxando o próprio corpo pelo cadarço do próprio sapato. Larrosa mostra isso bem no capítulo Libertação da liberdade.Enquanto no campo da Educação a prática do ensino sofre um deslocamento de cunho pós-estruturalista, principalmente na escrita de Veiga-Neto, no campo da historiografia, no que concerne às obras de prática de ensino de história, os estudos publicados não conseguem ultrapassar o modelo frankfurtiano. A angústia quanto a essa realidade produz por outro lado a inquietação e a necessidade de não haver acomodamento e lutarmos para uma historiografia que leve em conta a “vida”, a cultura como elemento cultivador da vida, e finalmente o conhecimento sobre o passado deixe de ser um fardo e passe a ser alimentador da fertilização das culturas e não de suas exclusões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Odemar Leotti&lt;br /&gt;Fonte (foto):www.rv.atomo.info/jpg/vida1.jpg &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114418072606033501?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114418072606033501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114418072606033501' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114418072606033501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114418072606033501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/04/repensar-o-ensino-de-histria.html' title='REPENSAR O ENSINO DE HISTÓRIA'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114376928680253853</id><published>2006-03-30T17:34:00.000-08:00</published><updated>2006-04-13T10:18:45.040-07:00</updated><title type='text'>"UM TEXTO PARA VACAS"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/vaca.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/vaca.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/vaca.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Ruminar as palavras. Interpretar e ruminar, e depois interpretar num ir e vir. Só depois usá-las, e somente pra o viver. Nada mais. Nietzsche nunca quis leitores modernos. Sempre o que quis foi leitores “vaca”. É preciso caminhar novamente no descampado. Aí está a arte da vida. Da composição da vida. É esse lugar que sofre e já sofreu tantas e fortes intervenções. Reimplantou-se um mundo do dito e exilou-se do ser a propriedade de interpretação como forma de criação da vida. A vida perdeu a noção de tudo é um sendo constante, cortante, penetrante, obreiros de vivencialidades. Essa arte transformadora arte/ficção, artífice, artificializadora da vida. Fazer das coisas formas, criar moradas, nossos solos que firmam nossos alicerces da possibilidade de existências, sejam maiores ou menores. Cria nosso habitat, nossa posse do viver, nosso pertencimento. Cada grupo, cada aglomerado, cada pequeno chão, cada resquício que possa ter deixado a marca de um instante: de um bêbado, de um mendigo, de uma criança, de uma borboleta, de um instante em que cada um como um pequeno sopro de vida possa ter habitado por ínfimos instantes. Cada pulsar, cada sopro, cada suspiro, cada gemido, foram instantes ocupantes de espaços de vida. Cada coisa dessas, cada mônada, cada forma que se quis dar à vida, todas precisaram das palavras. Suas palavras, palavras que os interpretaram e possivelmente decidiram seus destinos. Tudo foram operações, cultivos de palavras: umas férteis, outras áridas, umas amorosas, outras apodrecidas em sua mesquinhez, tudo foram palavras. Palavras são cultivadas e lançadas ao vento. É preciso palavras para cultivar. Palavras não podem ser disciplinadas. A história foi feita para a vida e não a vida para a história. Cultivar palavras para a vida, história para a vida, direitos para a vida e não para a prisão. Formar linguagens fora das formas más. Sujar de chão as palavras, de argilas do pisar constante. Picadas além de só auto-estrada, trieiros o dia inteiro como forma de escapar do caminho do matadouro d´almas. Clareiras nas matas do igual, são marcas que antes inquiriram pensar. Pisar e pensar. Pensar e pisar. Linguagens inseparáveis da poeira do dia todo, da estrada toda, do tempo que é todo agora e não depois. Formas de estar, formas do sendo. Sendo sempre, sempre sendo. O ser é um eterno sendo dos eternos instantes do fazer e refazer da vida. Criar a via do fazer poético. Viver a vida, e... se possível ... Uma vida de todo instante, e enfim vida por inteira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte da Foto-&lt;a href="http://terraviva.com.sapo.pt/img/vaca.jpg"&gt;http://terraviva.com.sapo.pt/img/vaca.jpg&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114376928680253853?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114376928680253853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114376928680253853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114376928680253853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114376928680253853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/03/um-texto-para-vacas.html' title='&quot;UM TEXTO PARA VACAS&quot;'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24738162.post-114359473331627753</id><published>2006-03-28T17:07:00.000-08:00</published><updated>2006-04-01T19:50:19.036-08:00</updated><title type='text'>LOLA FOI EMBORA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/1600/lola.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1852/2571/200/lola.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lola sentia-se ela, e não ela. Sentia-se aquecida e tremia de pavor. Ansiedade e repulsa. Vontade de ir e medo de ficar. Medo de ir e vontade de ficar. Vontade de não ficar e medo de não ir. Eis Lola. Parava para pensar direito, por a idéia em dia. Todos os dias ela passava beirando o pecado. Queria, mas não ia, mas quando não ia, acabava indo. Algo a arrastava para frente e para traz. Entre um larga de ser boba, e um toma cuidado. Nesse domínio do ser é que Lola tocava sua vida. Um marido ausente e presente. Mais do que nunca presente. Um marido impessoal rondava sua morada. Essa morada parecia ser sua... Parecia. Mas sua morada era rondada por multiplicidades que dobravam um texto sobre outro texto e ela tinha que se entender com essa parafernália de vozes cruzando com vozes. As que formavam o labirinto-marido, as que formavam o devir-arvore, e sua fábrica de fidelidade às palavras, e as infidelidades do corpo. Lola por mais que queria esquecer daquela sensação estranha que tomava seu corpo sentia-se traída por suas mãos alisando a sedosidade do vestido planando as suas curvas e quando dava por si, quando escapava desse silêncio via-se atacada por uma matilha de lobos que devoravam seu cérebro e os mastigavam babando frente ao olhar estupefato e pasmo de um corpo estraçalhado por um turbilhão de palavras que entre vai e fica tornava a ela um terceiro espaço. Lola cantarolava uma canção inaudível. Nem ela sabia porque cantava, mas sentia a necessidade de cantar. Corria para o quintal, precisava ver gentes, precisava ouvir vozes que a tirasse daquelas paredes cruéis que ela aceitou e não quis. Parece que fugia de um carnaval de monstros que a atormentava e fazia com que dificultasse a espera e a manutenção dos conflitos da carne. Por mais que queria estar habitada no silêncio, suas paredes tornavam como que nada perante o bloco de figuras difusas que invadia seu casulo tão fragilizado. Dialetos, patoás, gírias todos constituíam esse pesadelo, e a fazia como um ente. Nada disso se via em seu rosto, da pele pra dentro, da pele pra fora, tudo estava encoberto por um sorriso curto, ou largo. Mas nunca deixava frestas para o olhar desavisado. Não gostava de dar o braço a torcer. Construía uma linguagem de face para persuadir os olhares a vê-la como uma mulher normal. Como que querendo contrapor uma multiplicidade de invocações que teimavam roubar seu elo com um centro, e a molestavam, ela constituía uma língua como que para se fechar aos dizeres, fechar sobre si mesma e alimentar-se no espaço funcional de sua impotência perante o não realizável e não dizível. Se inexistia para ela algo que a firmasse em seus desejos secretos inexistia para ela também, viver às claras com as pseudo-existências que tinha que aceitar. Não era nunca ela que decidia. Jurava de noite, e chorava de dia. Era esse caos-sentimento esse devir entreaberto a uma dualidade que se apossava de sua vida. Lola então ia embora e voltava. Voltava com vontade de ir rapidamente, mas precisava ficar, eles assim queriam. Ia com medo, mais ia. Nesse espaço estratificado em que se demarcavam os lugares de cada um tornara-se um espaço quase impossível de se transitar seus sentimentos, e poder ainda adoçar seus sonhos com um pouco de fantasia. Sonhava com as férias, com aquele passeio de fim de ano. Fugia para o passado, e lembrava como era bom seu namoro. Seu corpo parece que se tornava desaparecido durante essa viajem estelar. Nem via o que se passava por perto, mal percebia o olhar do seu vira-lata guardião e companheiro na dor. Também preso a uma corrente sentia um devir-esperança da elasticidade daquela corrente. Lola aos poucos voltava a si e lembrava do pequeno espaço de manejo em que vivia confinada.Espaço esquadrinhado, extensão dos dizeres com seus constructos e construtores conselheiros emiurgos. Ali nessa área configurada ela estendia seus desejos e levantava seus castelos. Um belo dia amanheceu desvanecida de imaginações, sem mais nada a inventar. Era uma sensação de amargura, depressão e angústia. Nesse dia ninguém mais pode ver aquela mulher que espera sempre um homem que um dia viria para vê-la. Parecia que as coisas não mais iam se suceder. Sua ponta de esperança se esvanecia. A tarde caia, e era nesta hora que mais amarga tornava sua solidão. Lola foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Odemar Leotti&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte(foto)http://images.google.com.br/imgres?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24738162-114359473331627753?l=leotti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leotti.blogspot.com/feeds/114359473331627753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24738162&amp;postID=114359473331627753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114359473331627753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24738162/posts/default/114359473331627753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leotti.blogspot.com/2006/03/lola-foi-embora.html' title='LOLA FOI EMBORA'/><author><name>LEOTTI</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08030882658979690650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
